Parabéns, meu Rio!

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Carlos Emerson Jr.

Sou carioca. Só não sou da gema porque meu pai era paulista e minha mãe matogrossense. Nasci aqui, em Copacabana, na Arnaldo de Moraes. Morei 25 anos no Posto 6. Brincava nas areias da praia ou nas amendoeiras da colônia de pescadores, perto do Forte. Ou pelas ruas de um bairro já estava lotado de gente. Andei de bonde. De bicicleta. Até de patins! No carnaval, o destino era o baile infantil da Miguel Lemos. Não perdia as matinês do cine Metro, na Avenida Copacabana. Ou de qualquer um dos nove (ou seriam dez?) cinemas do bairro. Estudei em escolas públicas, uma no Posto Cinco e outra no Posto Três. Aprendi a nadar no mar, com um instrutor da Marinha. Saia com meu pai para conhecer a cidade: íamos até o ponto final de uma linha de bonde, ônibus ou trem para explorar as redondezas. Aprendi que o Rio é uma cidade com muitas formas, caras, cores e sabores. Vi as enchentes provocadas pelas chuvas de verão. O recrudescimento da violência urbana. A eleição de um presidente com jeito de maluco e a crise política provocada pela sua renúncia. Em um primeiro de abril, assisti os tanques do exército tomarem conta das ruas. Sobrevivi à repressão brutal da ditadura. Em compensação foi aqui no Rio que conheci e me apaixonei até hoje por minha mulher, uma cuiabana. Minhas filhas são cariocas, mas também não são da gema. Não tem importância. Carioca que é carioca não está nem aí. O privilégio de nascer e viver numa cidade que tem tanta História para contar, tanta beleza para mostrar e tanta alegria para contagiar, já basta. Com todas as suas mazelas, o Rio ainda é uma Cidade Maravilhosa.

Parabéns, meu Rio! Feliz aniversário.

Juras

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Juras de amor? Pedido de perdão? Representação teatral? Visto de longe, sem nenhuma informação, qualquer interpretação é possível. Só não pode sair afirmando que o que você viu, achou ou julgou é a única verdade. Não é mesmo! Não vivemos em um universo plano, com dois lados, o de cima e o de baixo. Ou o esquerdo e o direito. Todas as coisas tem muitos lados e faces e nem sempre conseguimos compreender todas as suas nuances. Às vezes, sequer enxergamos o que acreditamos que estamos vendo.

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O carnaval chegou

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Vinicius de Moraes certa vez, com propriedade, afirmou que “o carnaval é a festa onde os tabus perdem força e as permissões tornam-se hiperbólicas”. Como ele entendia mais da festa do que eu, um não-carnavalesco assumido, assino embaixo e saio da frente da turma, que este ano, pelo que vi neste primeiro dia, está muuuito animada. E olha que o calor carioca está de rachar, como se dizia na época das marchinhas.

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Vira-latas

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Logo que me mudei para Nova Friburgo, chamou minha atenção a grande quantidade de cachorros de ruas, os populares vira-latas. Geralmente dóceis e silenciosos, passam a maior parte do tempo dormindo, invariavelmente perto de concentrações de bípedes, perdão, humanos, como taxistas, comerciantes e até no prédio da prefeitura.

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Era uma vez um eucalipto

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Nova Friburgo tinha uma praça com eucaliptos. Além de muito bonita, era nobre. Afinal, foi projetada e construida pelo botânico francês Auguste Glaziou, a pedido do Barão de Nova Friburgo, nos tempos do Segundo Império. A praça foi tombada em 1972, como “Patrimônio Nacional”. Seus eucaliptos tinham dupla função: sanear o pântano sobre o qual a praça foi construida e criar uma feição paisagística única.

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