Medo de avião

“Basta um avião sacudir um pouquinho mais, e logo todos os passageiros ficam parecidos com a foto do passaporte”. (Millôr Fernandes)

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por Carlos Emerson Junior

Sabem quantas pessoas morreram em acidentes de aviação no ano passado, aqui no Brasil? Os dados são do Cenipa – Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes, do Ministério da Defesa: foram 71 vítimas fatais, envolvidas em 168 incidentes. Como é praxe no setor aéreo, todos os casos estão sendo investigados e suas causas serão exaustivamente estudadas para que não se repitam.

Já no trânsito, lamentavelmente a coisa muda de figura. Segundo o Denatran – Departamento Nacional de Trânsito, cerca de 61 mil brasileiros morreram no mesmo período, entre motoristas, motociclistas e pedestres. E mais, 51 mil transeuntes foram atropelados, provocando a perda de 5 mil vidas, um verdadeiro massacre que não já provoca a menor comoção na população. Só para ter uma ideia, a guerra civil na Síria, em dois anos, matou 80 mil pessoas, entre soldados e civis.

E ainda existe quem tenha medo de voar de avião…

A vida é dura!

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por Carlos Emerson Junior

José Saramago, o grande escritor português, uma vez afirmou que “nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”. Que ela não é fácil isso não se discute, mas a maneira como a vivemos, as expectativas que criamos, decepções com sonhos não realizados, amores não correspondidos e a inexorável jornada para a morte são mais do que suficientes para gerar frustrações e ressentimentos.

Durante nossa breve existência temos que conviver com a disputa pelo poder, o consumismo desenfreado, preconceitos, ódio e o mais importante, nossa própria ignorância! É claro que somos recompensados com amores, amizades, esperança e curiosidade, mas a grande dificuldade sempre foi e será o que fazer com a vida que recebemos.

Sei lá, se nós ao mundo viessemos com um manual de instruções, talvez tudo fosse mais simples…

Pobre Mané!

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foto: Ueslei Marcelino (Reuters)

por Renato Mauricio Prado (O Globo, 21/5/13)

Que absurdo inacreditável essa reforma do estádio Mané Garrincha, reinaugurado em Brasília, no sábado passado. O futuro elefante branco (71 mil lugares) saiu mais caro que o Maracanã (78 mil), que foi praticamente colocado a baixo e reconstruído de novo. Pois, assim mesmo, o novo “Maraca” custou algo em torno de R$ 1 bilhão e 200 milhões e o “Mané”, R$ 1 bilhão e 500 milhões!

Ambos pagos integralmente pelos cofres públicos, numa Copa que, ao ser anunciada, garantiu-se, seria totalmente bancada pela iniciativa privada… Um escárnio, uma vergonha!

Principalmente no caso de Brasília, que sempre teve, tem e continuará tendo um futebol incipiente e insignificante. Seus times nem sequer disputam as séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. E a média de público do último torneio estadual foi inferior a mil espectadores por jogo…

Diz-se agora, a título de justificativa, que, após a Copa, o “Manezão” servirá também como arena multiuso, sediando shows internacionais, eventos culturais e religiosos e sabe-se lá mais o que. Face à desculpa esfarrapada, sugiro que, dentro desta linha fantasiosa, se programe pra lá a chegada de Papai Noel e do Coelhinho da Páscoa,além de aparições do Saci Pererê, do Boitatá, do Curupira e do Negrinho do Pastoreio. Todos ao som da caxirola…

Descalabros como esse da nossa Capital Federal (repetidos em Manaus, Cuiabá e Natal) são provas cabais de que sediar mega competições esportivas como Copas e Olimpíadas, muito mais do que ser um grande negócio para o país, é a oportunidade perfeita para que espertalhões encham os bolsos às custas do nosso dinheiro. Triste e dura realidade.

Pobre Garrincha. O ingênuo e inocente gênio das pernas tortas não merecia ter o nome vinculado a algo planejado e executado por gente de caráter torto e que de inocente e ingênua não tem nada…

A título de ilustração

No Mundial da África do Sul, o monumental “Soccer City”, erguido do zero em Johannesburgo para sediar, entre outros jogos, a abertura e a final da Copa, custou 311 milhões de euros (R$ 808 milhões). Com capacidade para 91 mil espectadores.

Ódio nas redes sociais

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por Carlos Emerson Junior

A edição de maio da revista Info traz uma oportuna reportagem sobre a agressividade nas redes sociais. Ofensas, preconceitos e bullying são encontrados cada vez mais nos comentários. Apropriadamente intitulada de ”Ódio.com”, a matéria traz depoimentos de usuários, personalidades, psicólogos, advogados e mostra como empresas como o Facebook e o Twitter lidam com esse comportamento.

Segundo a revista, “nos grandes portais, boa parte das notícias publicadas é imediatamente respondida com opiniões preconceituosas que muitas vezes não têm nenhuma relação com o tema da reportagem. O cenário é ainda pior nas redes sociais, com seu constante estímulo a opinar sobre tudo, a qualquer momento, sem uma análise racional sobre os assuntos comentados”.

E mais: “a necessidade de comentar e de ter opiniões fortes sobre todos os assuntos pode ser resultado de um desiquilíbrio em sua vida social. Como é difícil falar diretamente com um político ou com uma celebridade, a web faz o papel de ponte. (…) Na internet, a pessoa tem a ilusão de resolver problemas com os quais não consegue lidar na vida real, por falta de coragem ou de autoridade”.

Quem tem blogs conhece muito bem esse problema: basta publicar alguma coisa sobre um tema polêmico como aborto, religião, futebol ou, principalmente política, para ficar sujeito a críticas quase sempre sem embasamento, patrulhamento ideológico de diversos matizes e até mesmo xingamentos e ameaças!

Tem saída? Bom, nos blogs existe a função moderação, que só permite a publicação do comentário após sua aprovação pelo autor da postagem. Ofensas gratuitas, opiniões homofóbicas, racistas, misóginas, spam descarado ou simples trolagem são devidamente deletados na raiz. Esse, aliás, é um dos defeitos das redes sociais: as pessoas escrevem sem pensar e acabam dando vazão a um lado da personalidade que não é mostrado na vida real.

É bom lembrar que a lei brasileira pune esse tipo de comportamento e as próprias redes sociais possuem instrumentos para coibir (e até banir) seus usuários mais exaltados (ou antissociais mesmo). A justiça tem sido acionada em casos de injúria e perseguições e o Congresso aprovou a chamada lei Caroline Dieckman, tipificando os chamados delitos ou crimes informáticos.

A questão que a reportagem deixa em discussão é até onde chegará todo esse ódio. Será que essas discussões insanas não acabarão afastando os criadores de conteúdo, desqualificando um serviço tão útil?

O voto

“Se não fosse obrigação, o voto seria mais pensado. Hoje em dia, o cidadão que vai às urnas acaba votando em uma pessoa cujas propostas nem conhece. Só vota porque é um dever e não porque pensou naquele voto”. (David Fleischer, professor de Ciência Política da Universidade de Brasília).

foto: Carlos Emerson Junior

foto: Carlos Emerson Junior

por Carlos Emerson Junior (A Voz da Serra, 13/10/12)

Segundo Senado Federal, o voto obrigatório só existe em 38 países, a maioria aqui na América Latina. E o professor tem razão, muita gente escolhe o candidato na última hora e só vota porque é obrigado. Nas eleições para cargos executivos, 15% dos eleitores definem seu voto na boca da urna. Para cargos legislativos, a indefinição é pior: 45% saem de casa sem ter a menor ideia em quem vão votar. Se o voto fosse facultativo, o nível eleitoral subiria, já que os eleitores teriam que ser convencidos a ir para as urnas.

Como diria Aristóteles, se brasileiro fosse, deem-me um bom nome e uma boa causa e irei com fé na zona eleitoral digitar meu voto! Precisamos de democracia plena, justiça e igualdade para todos, ética e ideias de verdade, não a mesma lenga-lenga de sempre. E antes que me critiquem, é bom deixar bem claro que acredito que a consulta popular é essencial para o funcionamento de um regime democrático.

Todos os brasileiros tem o direito de votar em branco, nulo e até mesmo, porque não, deixar de votar. Na verdade, a obrigação do voto não passa de conversa mole para manter no poder os medalhões de sempre. E é por exatamente por esse motivo que a tão espeerada reforma eleitoral nunca entra em pauta para valer.