Arquivos da Categoria: Meio Ambiente

Depois do carrocentrismo

foto: David T. Waller

foto: David T. Waller

por Ricardo Abramovay (Mobilize)

Que os carros particulares tenham perdido este papel já é hoje lugar-comum: ineficientes sob o ângulo energético, vetores do estrangulamento na circulação, responsáveis por desenhos urbanos desumanizados, é cada vez menos óbvia a associação entre esses veículos e a liberdade à qual estiveram ligados até meados do século XX.

Optar por essa forma de deslocamento, hoje, envolve um risco crescente de ver-se preso a uma caixa fechada que favorece a emergência do que cada um de nós tem de pior e que Nilton Bonder chama de autoviolência.

Além disso, os custos sociais (evidentemente, não pagos) do automóvel individual são exorbitantes: a Technische Universitat, de Dresden, estima-os em nada menos que 373 bilhões de euros anuais, só na União Europeia.

Será possível então que o automóvel, síntese de algumas das mais importantes inovações do século XX, volte a ter um papel fundamental na emergência de cidades sustentáveis e deixe de ser o emblema da paralisia e do desperdício material e energético a que hoje se vincula?

A KPMG e a Roland Berger, duas das mais importantes consultorias globais, mobilizaram suas equipes para ouvir dirigentes da indústria automobilística no mundo todo a respeito desse tema. O resultado é fascinante e mostra uma indústria com um extraordinário potencial de transformação para colocar seus produtos a serviço da vida social que, ao mesmo tempo, está diante de obstáculos cruciais, que a fazem persistir em formas arcaicas de fazer negócios.

A primeira transformação que já está em curso foi batizada pela KPMG de “carro conectado”. As mídias digitais serão decisivas não só no funcionamento da própria máquina, mas, sobretudo, na sua ligação com as cidades, pela possibilidade de indicar onde há congestionamentos e quais os melhores horários e trajetos para evitá-los. Na segurança dos veículos e no monitoramento dos próprios motoristas, as tecnologias da informação vão desempenhar papel cada vez mais importante. A eficiência dos motores a combustão interna pode aumentar muito em razão do uso dessas tecnologias. Novos materiais (como fibras de carbono) tornarão os carros mais leves e mais econômicos.

Mas há uma segunda dimensão revolucionária do carro conectado: ela já permite que a economia da partilha ocupe lugar central no uso do automóvel. O estudo da KPMG prevê que em 2026 a partilha será, por exemplo, a opção preferida de um quarto dos brasileiros que usam transporte individual, por meio de sistemas de aluguel baseados em dispositivos móveis, como os que hoje já começam a existir em várias cidades do mundo.

A terceira transformação, mostra a Roland Berger, é que o próprio modelo de negócio das grandes montadoras globais está ultrapassado. Companhias não automobilísticas talvez estejam mais aptas a levar adiante projetos inovadores neste setor. Empresas automobilísticas são mais rígidas e hierarquizadas e mudam com maior dificuldade que as de tecnologia da informação. O atual modelo do negócio automobilístico continua norteado pela oferta: o traço fundamental deste push model consiste em investir cada vez mais em novas fábricas, na expectativa de vender mais e mais carros.

O problema é que, segundo os dois estudos, o horizonte de ampliação permanente na produção e venda de automóveis individuais choca-se contra um mercado em estado de saturação. Segundo a Roland Berger, o mundo tem capacidade para produzir 90 milhões de veículos e a demanda é de apenas 69 milhões. Os dados da KPMG são basicamente os mesmos.

Ao mesmo tempo, os dois estudos revelam que, no mundo todo, o carro deixa de ser a grande aspiração de consumo das jovens gerações. E, no entanto, os investimentos para ampliar a oferta, sobretudo nos países em desenvolvimento, não cessam de expandir.

Não se trata de preconizar uma sociedade sem carros. Trata-se, sim, de constatar que os avanços recentes na conectividade e na eficiência material e energética dos automóveis só ganharão sentido se estiverem a serviço de cidades organizadas em função das pessoas. E, para isso, a indústria precisa aprender a oferecer serviços de mobilidade, e não cada vez mais carros.

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* Ricardo Abramovay é professor titular da FEA e do IRI-USP, pesquisador do CNPq e da Fapesp, e autor de Muito Além da Economia Verde, lançado na Rio+20 pela Editora Planeta Sustentável.

Fonte: Mobilize

 

Despoluição da Baia da Guanabara

Da série “onde foi parar o dinheiro público”, como anda a despoluição da Baia da Guanabara, prometida por todos os governantes do Estado do Rio de Janeiro e objeto de compromissos internacionais assinados em 2007, para os Jogos Panamericanos e em 2010, para os Jogos Olímpicos de 2016?

A vista é linda e o Pão de Açúcar imponente parece proteger o bairro da Urca e a Praia de Icaraí, bem lá no fundo. Mas quando olhamos para o mar imundo, percebemos que todo o dinheiro gasto nesse programa foi simplesmente jogado no lixo.

Ou coisa pior.

Creamor

Creamor, um absurdo!

IBAMA interdita o Creamor mas Juiz libera em liminar, num mandado de segurança, o funcionamento de incineradora de lixo hospitalar infectante, com licença ambiental vencida. O INEA agora também o interdita, “interdição imediata” conforme ATA da 171° Sessão de licenciamento ambiental, em 10 de setembro de 2012, processo E-07/203.709/06, e o Creamor continua trabalhando como se nada fosse, cuspindo pela sua chaminé fumaça nauseabunda (foto de 13/10/2012).

Não bastasse a catástrofe que nossa cidade sofreu em janeiro 2011 ainda tem que sofrer com a queima desse lixo hospitalar infectante tipo A entre outros resíduos altamente poluentes vindos de todo estado, passando por todas nossas estradas, grande parte pelo centro da cidade, sem nenhum controle sanitário.

Algodão, seringas, agulhas, restos de remédios, luvas, curativos, sangue coagulado, órgãos e tecidos removidos, fetos, meios de cultura e animais utilizados em testes, resina sintética, filmes fotográficos de raios-X entre outros materiais derivados dessas atividades chegam diariamente à incineradora, advindos de hospitais públicos do Grande Rio, Santa Maria Madalena, Duas Barras, Fundação Oswaldo Cruz, etc…

Deixamos de ser a Suíça Brasileira para nos tornarmos uma verdadeira lixeira de material infectante do estado, na beira de um córrego, numa das portas de entrada da cidade, a estrada Friburgo/Teresópolis. Um verdadeiro descaso com a destinação dos resíduos de serviços de saúde bem como com a preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente por parte do Poder Público.

O lixo hospitalar merece atenção especial em todas as suas fases (condicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final conforme a legislação rigorosa a esse respeito) em decorrência dos riscos graves e imediatos que pode oferecer. E o lixo hospitalar de Nova Friburgo tem destinação regular em autoclave que se encontra no aterro sanitário do EBMA, mas apesar de fazer o “dever de casa”, somos “premiados” com lixo infectante de outros municípios que vêm poluir os ares serranos.

A comunidade de Córrego d’Antas, diretamente atingida, vem fazendo a sua parte em prol do bem-estar da municipalidade. Alô, Secretaria do Meio Ambiente, da Saúde, Autoridades Municipais e Estaduais, Federais, MPE, MPF, Câmara dos Vereadores, INEA, IBAMA, a Comunidade do Córrego d’Antas gostaria de saber o porquê de uma interdição imediata como essa que o INEA aplicou ao Creamor não ser suficiente para fechá-la. Para uns tudo é possível: o Creamor, com interdição imediata, publicada oficialmente, pode continuar suas atividades irregulares sem nenhum constrangimento, já para outros, uma interdição imediata significa fechar as portas no ato e, se insistir, multa e mais multa. Por que a lei, nestes casos, não é igual para todos?

Associação de Moradores do Córrego d’Antas

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Tomei a liberdade de transcrever a carta da Associação de Moradores do Bairro Córrego d’Antas, publicada no A Voz da Serra de hoje, porque a situação toda é um completo absurdo. Para piorar, o risco ambiental não está restrito apenas ao bairro, já que caminhões transportando lixo tóxico cruzam as ruas do Centro diariamente, sem qualquer identificação. Está tudo errado e a lei não pode ignorar a segurança e o bem estar de toda uma população, em detrimento de uma empresa. Com a palavra(ou ação) a Prefeitura de Nova Friburgo e o Ministério Público.

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Fórum Internacional da Mobilidade por Bicicleta – BiciRio


Cinco mil ciclistas pelo Aterro do Flamengo e Orla de Botafogo abriram no domingo (23) o 2º Fórum Internacional da Mobilidade por Bicicleta (BiciRio), promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, no âmbito da Semana Nacional do Trânsito. O secretário de Meio Ambiente do município, Altamirando Moraes, enalteceu a integração da bicicleta com o sistema público de transporte, tema central do fórum.

Segundo ele, o evento pretende mostrar que é possível usar a bicicleta como alternativa para sair de casa e ir à estação de metrô ou de trem ou aos pontos de ônibus, e mesmo fazer as pequenas distâncias de bicicleta.

Ontem (24), o fórum levou os participantes a visitas técnicas para comprovar que essa integração é possível. Eles pegarão o trem na Central do Brasil com destino a São Cristóvão, na zona norte da cidade, de onde seguirão de bicicleta até o centro de operações do sistema Bike Rio. Outra visita será feita a um trecho do BRT (bus rapid transit) da Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio, com apoio da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor).

O Rio de Janeiro é vice-líder na América Latina em termos de malha cicloviária, com 282 quilômetros, perdendo apenas para Bogotá, com 320 quilômetros, informou o secretário. No mundo, Copenhague, na Dinamarca, lidera o ‘ranking’, com cerca de 800 quilômetros de ciclovias. Em segundo lugar, aparece Amsterdã, na Holanda, com 500 quilômetros. “Vamos chegar a 450 quilômetros até 2016”, disse Moraes.

Altamirando Moraes disse que, mais que a malha, o que vale é o percentual de pessoas que usam a bicicleta. “Isso é o mais importante” disse, lembrando que o percentual hoje no Rio é de 5% das viagens diárias de passageiros, devendo chegar a 10% de ciclistas até 2016.

Ediléia Gomes Correia, atendente comercial, anda nos fins de semana de bicicleta. Ela não precisa da ‘bike’ para ir ao trabalho porque mora ao lado. “Mas se precisasse, usaria sim”, diisse. Ediléia acredita que a bicicleta pode se integrar de forma perfeita aos demais meios de transporte, opinião compartilhada por Constantino Ferreira, natural de Portugal, que tem uma loja de comércio no Rio de Janeiro. Ele trouxe da Europa a tradição do uso da bicicleta para sua locomoção. “E gostaria de poder usar todo dia aqui também”.

A estudante Luísa da Costa está cursando o pré-vestibular e pretende seguir a carreira de medicina. Ela também não dispensa a bicicleta, embora não a utilize para ir ao colégio, que esse fica longe de sua casa. “Mas assim que eu posso, ando de bicicleta. Aqui no Aterro, que fecha o trânsito aos carros, aos domingos, pego minha cachorrinha e venho”.

Jane Azevedo, que não declarou sua profissão, lamentou que a malha cicloviária ainda não tenha chegado próximo de sua residência. “Se tivesse ciclovia, eu iria todos os dias ao trabalho”.

Fonte e fotos Agência Brasil

pilha

Ibama normatiza o uso e descarte de pilhas e baterias

Agência Brasil

O controle sobre a fabricação, o uso e o descarte de pilhas e baterias é fixado em decisão do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), por meio da Norma Instrutiva número 8, publicada hoje (4) no Diário Oficial da União. Pela norma, há uma série de regras para o descarte do material, o transporte, a reciclagem e o acondicionamento, assim como a determinação para que os fabricantes e importadores elaborem um relatório anual, informando em detalhes os procedimentos adotados.

Nas embalagens e manuais das pilhas e baterias, os fabricantes terão que informar sobre a adaptação às novas regras contidas na norma para o descarte e a reciclagem. O material deve ser descartado em coletas seletivas próprias, que podem ser encontradas em postos de vendas e em fábricas, mas jamais em lixos comuns.

No texto publicado hoje há uma ressalva sobre a necessidade de usar símbolos, como o “x” sobre os recipientes de lixo, para evitar o descarte do material nesses locais. Pela norma, a coleta de pilhas e baterias descartadas deve seguir uma série de regras, como o acondicionamento, a frequência do recolhimento do material, a destinação e as empresas envolvidas.

O rigor também existe para o transporte do material, informando sobre os envolvidos no processo e os locais de origem e destino. As empresas envolvidas na etapa da reciclagem também são submetidas à norma fixada pelo Ibama.

Devem ser informados os nomes das empresas fornecedora e responsável pela reciclagem, a destinação, o aterro utilizado pelas companhias e os procedimentos adotados no processo.

A preocupação das autoridades é com as ameaças à saúde e ao meio ambiente causadas pelas substâncias contidas nas baterias e pilhas. Nelas há, por exemplo, mercúrio, cádmio, chumbo, zinco-manganês e alcalino-manganês.

Há estudos que mostram que algumas substâncias podem levar à anemia, a problemas neurológicos e ao desenvolvimento de câncer. No meio ambiente, o descarte das pilhas e baterias pode atingir os lençóis freáticos, o solo e a alimentação.

A Norma Instrutiva número 8 está publicada na Seção 1, páginas 153 e 154 do Diário Oficial.