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Sexo na velhice

foto: Google Images

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por Cláudia Collucci (Folha de S.Paulo)

“Neste momento das nossas vidas, Willie e eu estamos num desses umbrais, o da maturidade, quando quase tudo se deteriora: o corpo, a capacidade mental, a energia e a sexualidade.

Que diabo nos aconteceu? (…) Certa manhã nos vimos despidos no espelho grande do banheiro e ambos nos sobressaltamos. Quem eram aqueles velhinhos intrusos em nosso banheiro?

Nesta cultura, que supervaloriza a juventude e a beleza, são necessários muito amor e alguns truques de ilusionista para manter vivo o desejo pela pessoa que antes nos excitava e agora está achacosa e gasta.

Em minha idade respeitável, na qual me dão desconto no cinema e no ônibus, tenho o mesmo interesse de sempre pelo erotismo. Minha mãe, que completou 90, diz que isso nunca acaba, mas é melhor não espalhar, porque o resultado é chocante; supõe-se que os velhos são assexuados, como as amebas.

Por dentro Willie [William Gordon, com quem está casada há 26 anos] não mudou, continua sendo o mesmo homem forte e bom por quem me apaixonei.

Por isso estou empenhada em manter acesa a paixão, embora já não seja o fogo de uma tocha, mas a chama discreta de um fósforo. Outros casais da nossa idade exaltam os méritos da ternura e do companheirismo, que substituem o alvoroço da paixão, mas já avisei a Willie que não pretendo substituir a sensualidade por aquilo que já tenho com a minha cachorrinha. Ainda não…”

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É dessa forma honesta e divertida que a escritora Isabel Allende, 70, nos introduz ao seu mais recente livro: “Amor” (Editora Bertrand Brasil, 240 págs, R$ 29), que reúne seus principais contos de amor.

Ao falar abertamente sobre sexo e sexualidade na velhice, Isabel presta um grande serviço não só à população de idosos, mas a todos nós que um dia chegaremos lá.

O tema é ainda um tabu, motivo de vergonha e constrangimento para muitos idosos. Mas não precisaria ser assim, dizem os especialistas.

O que se prega hoje é que o sexo na terceira idade pode ser sim prazeroso, mas depende de como encaramos o envelhecimento e de como vamos driblar as limitações naturais desse processo.

Existem, é claro, mudanças fisiológicas reais. O homem pode demorar mais para se excitar, ter ereção e orgasmo. A mulher sofre com a diminuição da elasticidade, o ressecamento vaginal e sente dor durante a penetração.

Alguns medicamentos também podem dificultar a ereção e o desejo, como os anti-hipertensivos ou antidepressivos. Um ajuste na dosagem ou a troca de medicação pode melhorar isso.

Lubrificantes à base de água diminuem a dor da penetração no caso das mulheres. Para os homens, as drogas para disfunção erétil são de grande ajuda –e de preocupação também.

Há um aumento no índice de doenças sexualmente transmissíveis em idosos, incluindo o HIV. Os mais velhos raramente usam preservativos, o que representa um grande risco.

Uma vida sexual ativa também depende de conversa, de trocas. Saber o que é mais prazeroso para o parceiro e fazer as adaptações necessárias também é muito importante nessa fase da vida.

A questão prioritária, porém, é derrubar estereótipos e preconceitos. A sociedade ainda vê a sexualidade muito atrelada à beleza e juventude. Isso coloca uma barreira psicológica, principalmente para as mulheres.

Daí a importância do livro da septuagenária Isabel Allende. Não é negar as dificuldades do envelhecer. Mas sim encontrar formas de dar mais qualidade e alegria aos dias que nos resta.

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Cláudia Collucci é repórter especial da Folha, especializada na área da saúde. Mestre em história da ciência pela PUC-SP e pós graduanda em gestão de saúde pela FGV-SP, foi bolsista da University of Michigan (2010) e da Georgetown University (2011), onde pesquisou sobre conflitos de interesse e o impacto das novas tecnologias em saúde. É autora dos livros “Quero ser mãe” e “Por que a gravidez não vem?” e coautora de “Experimentos e Experimentações”. Escreve às quartas, no site.

Cada R$ 1 investido em saneamento economiza R$ 4 em saúde

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por Vinícius Lisboa ( Agência Brasil)

Cada R$ 1 investido por governos em saneamento básico economiza R$ 4 em custos no sistema de saúde, estimaram especialistas presentes no 4º Seminário Internacional de Engenharia de Saúde Pública, realizado nesta semana pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

“A partir do momento em que o cidadão tem um sistema de distribuição de água em quantidade e qualidade certas, as doenças de veiculação hídrica, como diarreia e esquistossomose, por exemplo, vão diminuir. Se diminuem as doenças, a quantidade de vezes que uma mãe vai levar o filho com desinteria ao médico vai diminuir”, disse o diretor do Departamento de Engenharia da fundação, Ruy Gomide.

Em todo o mundo, 1,9 milhão de mortes infantis são causadas por diarreias todos os anos, segundo dados apresentados por Léo Heller, professor da Universidade Federal de Minas Gerais. Do total de doenças registradas na população, 4,2% se devem à falta do saneamento básico.

Para Ana Emília Treasure, especialista da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) é preciso ir ainda mais longe nas pesquisas de saúde sobre o impacto do saneamento básico, pois a falta de água potável ou a presença de contaminações poderia estar ligada também a doenças crônicas. “Temos de conferir a contaminação da produção de alimentos, por exemplo. Esses alimentos contaminados nas plantações podem estar se tornando um fator de risco para enfermidades crônicas, e essa água pode estar causando câncer ou prejudicando o crescimento das crianças.”

Especialistas em saneamento e o presidente da Funasa, Gilson Queiroz, defenderam que os gastos com o setor voltem a ser contabilizados no piso da saúde, valor mínimo definido por lei que cada município, estado e a União deve empregar na saúde.

“Uma das melhores ações preventivas de saúde é um ambiente saudável, com o esgotamento sanitário e a coleta de resíduos. Isso traz economia para os serviços de atendimento médico, reduz a fila dos serviços de saúde e reduz os casos de doenças infecciosas e parasitárias. Com a desvinculação, perde-se recursos de repasse obrigatório, que poderiam ser empregados nas ações preventivas”, defendeu Gilson.

Após intenso debate na comissão mista que tratou do Orçamento no Congresso, os gastos com saneamento deixaram de ser computados no piso da saúde, definido pela Emenda 29, que determina percentuais mínimos de investimento em saúde pela União, pelos estados e municípios. A União precisa aplicar valor correspondente previsto no Orçamento do ano anterior, corrigido pela variação do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Os estados devem aplicar 12% do que arrecadam anualmente em impostos e os municípios 15% de sua receita.

A frase da semana

foto: Carlos Emerson Junior

foto: Carlos Emerson Junior

“Ter todos os pobres recebendo dinheiro do governo não significa que acabou a pobreza. É o contrário, é sinal de que a economia não consegue gerar educação, emprego e renda para essa gente. O fim da pobreza depende de dois outros indicadores: crianças e jovens nas escolas e qualidade do ensino.”

Carlos Alberto Sardenberg (O Globo, 21/2/2013)

Vamos correr?

foto: Carlos Emerson Junior

foto: Carlos Emerson Junior


A corrida está entre os exercícios físicos mais queridos das pessoas, chegando ao número de 4,5 milhões de praticantes no Brasil, segundo pesquisa do Ibope e não é para menos: a corrida traz uma série de benefícios que ultrapassam o plano físico. Quer saber por que mais a corrida virou moda? Acompanhe alguns motivos:

É democrática
Para correr, você não precisa ser um exímio atleta. Aliás, boa vontade é mais bem-vinda do que habilidades específicas quando o assunto é corrida. Mas, atenção: isso não quer dizer que o esporte não exige cuidados. “Qualquer pessoa pode correr, só que sempre respeitando suas condições físicas atuais e crescendo dentro do treinamento diário”, explica o personal trainer Edson Ramalho.

Emagrece
Em uma hora de corrida, é possível queimar, aproximadamente, 600 calorias – pode variar para mais ou menos, levando em consideração o preparo físico de cada indivíduo -, o que ajuda no combate ao sobrepeso. Para que essa queima aconteça, o personal trainer Edson Ramalho aconselha que a pessoa corra, no mínimo, 30 minutos, em frequência cardíaca máxima de 60% a 80%. Só assim a gordura se torna o combustível primário, ou seja, é queimada.

Controla doenças
Diabetes, hipertensão, asma e colesterol alto são apenas algumas doenças que podem ser mantidas a rédeas curtas com ajuda da corrida. Tudo isso acontece graças ao condicionamento físico que a atividade proporciona. Sendo uma atividade aeróbica, a corrida de longa duração e baixa intensidade condiciona o coração.

Nocauteia o diabetes
Já falamos dele, mas vale enfatizar que a prática da corrida por diabéticos pode, em alguns casos, dispensar o uso do remédio de controle da doença. A já conhecida síndrome metabólica – síndrome que agrupa problemas de saúde como pressão alta; aumento nos níveis de triglicérides, glicemia e mau colesterol (LDL) e diminuição do bom colesterol (HDL) – está diretamente ligada ao sedentarismo e à gordura corporal, em especial a visceral.

Dá um “chega pra lá” na osteoporose
Estudos indicam que correr propicia a mineralização (calcificação) óssea, ou seja, quem corre diminui as chances de ter osteoporose. O personal trainer Edson Ramalho explica que o impacto gerado pela corrida, desde que seguro, fortifica os ossos.

Aumenta o bem-estar
A produção de endorfina vinda da corrida é a principal responsável pela sensação de bem-estar que sucede a corrida. “Toda atividade física possibilita a produção de endorfina, então a pessoa aumenta a sensação de bem estar com a prática”, explica Antonio Carlos Amador Pereira, psicólogo da PUC-SP.

Deixa a autoestima nos ares
Corrida é um esporte de superação. Segundo o psicólogo da PUC-SP Antonio Carlos Amador Pereira, quando o corredor consegue superar a si mesmo, a elevação da autoestima é inevitável, já que a pessoa sabe quanta disciplina e esforço foram necessários para atingir uma meta. “A autoestima está muito mais ligada a ser capaz”, expõe. O psicólogo também lembra que o esporte está relacionado ao combate à depressão.

E aí, o que você está esperando? Vamos correr!

Fonte: 11 motivos que fazem da corrida a queridinha da vez entre os exercícios, de Ana Paula de Araujo, publicado no Guia de Corrida

Petrópolis cancela o carnaval para investir na saúde

foto: Exame

foto: Exame

por Douglas Corrêa (Agência Brasil)

O prefeito de Petrópolis, na região serrana do Rio, Rubens Bomtempo, anunciou que não haverá carnaval na cidade e que os repasses, no valor de R$ 1 milhão, que iriam para o desfile das escolas de samba do município, serão investidos na saúde. A decisão foi tomada durante reunião com o presidente da Fundação de Cultura e Turismo, Juvenil dos Santos, e representantes de escolas e blocos da cidade, que entenderam a situação e concordaram com a providência do governo municipal.

De acordo com o presidente da Fundação de Cultura e Turismo, estruturas como as arquibancadas, por exemplo, não serão montadas, o que não impede que os blocos que queiram sair às ruas desfilem pela Rua do Imperador.

“Não estamos cancelando o carnaval da cidade, só não iremos repassar os recursos, que serão encaminhados para um setor que está em estado de calamidade e precisa de todo o empenho e recursos financeiros. Estamos pensando no bem-estar da população. Tivemos a adesão espontânea das agremiações”, disse Santos.

Outros tradicionais eventos, como o Baile dos Fantasmas e o Banho a Fantasia, estão mantidos, assim como os bailes que ocorrem nos bairros, como Alto da Serra, Praça Pasteur e Pedro do Rio. A Matinê no Obelisco também está mantida. Para garantir a segurança dos foliões que forem para a avenida durante o carnaval acompanhar os blocos, a Guarda Municipal e as polícias Civil e Militar estarão nas ruas.

A diretora de patrimônio da Escola de Samba Independente de Petrópolis, Marilda da Silva Antunes, elogiou a medida tomada pelo prefeito Rubens Bomtempo. “A saúde do município está um caos e precisa de todo o apoio. Não é justo realizarmos uma festa, enquanto os hospitais estão sem leitos e sem remédios”.