Uma cidade turística

A Voz da Serra

Será que ainda somos uma cidade turística? O aspecto do Centro, no primeiro dia do ano, era desanimador. Afinal, além da chuva que desde outubro encharca a cidade e nos deixa cheios de preocupações, não havia nenhum estabelecimento comercial aberto, sequer um restaurante ou barzinho para beliscar.

A imagem de uma cidade fantasma no dia primeiro não é nenhum exagero. Pessoalmente até gosto, aproveitando para acordar muito tarde e simplesmente não fazer absolutamente nada, tipo desligadão total. Mas como explicar essa situação para um turista, obrigado a permanecer dentro do quarto do seu hotel ou pousada, olhando a chuva cair e jogando paciência, se ainda tiver alguma?

É complicado e sei bem o que é isso, já que antes de morar aqui subi várias vezes como turista para passar o ano. Com o tempo aprendi a correr no dia seguinte para o velho e tradicional Majórica, lá na praça, aproveitar bem o almoço com os bons vinhos da casa e voltar caminhando, é claro, feliz da vida para o hotel.

Mas a churrascaria acabou e, pelo visto, todo mundo resolveu tirar férias, deixando o Primeiro Distrito sem nenhuma atração. E por que não ir para Lumiar ou São Pedro da Serra? Ora, meus caros, como ex-turista posso garantir que jamais, depois de uma farra no réveillon, teria cabeça, com ou sem dor, para um banho de rio gelado, ainda mais com todo esse chuvão.

Mas divago e me afasto da pergunta inicial. Tem quem afirme que não, lembrando que a situação atual é muito complicada: poucas unidades hoteleiras, o desaparecimento das convenções das grandes empresas da capital e falta de eventos importantes. Concordo e complemento, a divulgação da marca Nova Friburgo está muito deficiente e não é de hoje.

Sabemos que nosso município, por suas características geográficas e climáticas, tem todo o potencial para atrair visitantes do mundo inteiro. Turismo, com T maiúsculo, é um assunto muito sério, um ótimo negócio para quem visita e quem recebe, desde quem encarado com profissionalismo, dedicação e inovação.

Campos do Jordão, em São Paulo, por exemplo, tem no turismo sua principal atividade econômica. O assunto é tão levado à sério, que o antigo Grande Hotel virou um hotel-faculdade, para formação de mão de obra especializada. Gramado e Canela, nossa vizinha Petrópolis, São Joaquim e sua neve catarinense e Penedo, a terra dos finlandeses, ali perto de Resende, são alguns bons exemplos.

É claro que Nova Friburgo é uma cidade turística. E quando afirmo isso, estou incluindo Lumiar, São Pedro da Serra, Boa Esperança, Conquista, Três Picos e tantos outros lugares que até mesmo muitos friburguenses nem conhecem. O circulo vicioso – comércio fecha porque não tem turista e turista não vem porque o comércio fecha – tem que ser quebrado.

Vamos pensar no turismo de aventura, ecológico, esportivo, rural, cultural, urbano, radical e até mesmo naquela turma que só viaja para dormir e encher a pança. Todos são turistas, uai! Nova Friburgo tem um patrimônio natural incomparável, sabe receber os visitantes e só precisa reencontrar sua vocação!

*****

Um dos assuntos recorrentes aqui na cidade, desde o trágico 12 de janeiro, é a suspeita que de que o número de vítimas fatais nas cidades da Região Serrana foi bem maior do que o anunciado, para evitar uma possível intervenção da ONU – Organização das Nações Unidas aqui na região.

Já conversei com amigos, pesquisei e a resposta sempre tem sido a mesma: a ONU não atua em nenhum evento deste tipo, a não ser que sua ajuda seja solicitada pelos governos interessados. A intervenção unilateral em qualquer país só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança, como foi por ocasião da Guerra do Golfo, em 1990 e o apoio militar aos rebeldes que derrubaram o Kadafi, na Líbia, no ano passado.

No Brasil tivemos, em 1967, a tragédia da Serra das Araras, perto de Paracambi, no Estado do Rio, que resultou na morte de 1.700 pessoas, naquele que é considerado o nosso maior acidente natural. Eu mesmo, como um sobrevivente (estava em um ônibus da Cometa, indo para São Paulo), posso garantir que só vi tropas do exército e bombeiros trabalhando no resgate.

Ano passado o Japão perdeu mais de dez mil cidadãos em um terremoto, seguido de uma tsunami e, como desgraça pouca é bobagem, um sem número de contaminados com o vazamento em reatores nucleares. Em nenhum momento o governo japonês sequer falou em socorro da ONU…

Mas, para não dizer que essa história é pura lenda urbana, vejam só o que achei na edição de 15 de janeiro do ano passado, do Estado de SP:

“O serviço humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) ofereceu ajuda ao Brasil e se colocou à disposição para auxiliar no resgate e atendimento à população após um dos maiores desastres naturais da história do País. Mas, apesar de contatos diplomáticos, o governo brasileiro optou por não aceitar a participação da ONU nos trabalhos. Nos últimos anos, aceitar o envolvimento das Nações Unidas se transformou, na visão de vários governos, em certificado de incapacidade desses políticos de lidar com problemas domésticos.”

Acho que isso explica tudo, não é mesmo?

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