Ópera progressiva

Yes-Relaye

Overmundo

Estou com uma teoria maluca, sem comprovação científica alguma – é claro, senão não seria maluca – de que a Ópera, o gênero musical, é a mãe do Rock Progressivo ou pelo menos, sua avó.

-Como assim, cara, voltou a exagerar no vinho? Toma jeito!

Calma, calma, eu explico. Ópera é uma obra conceitual para música, canto e teatro. Fala de amores, deuses, bruxas, ladrões, políticos e tragédias. Demora muito tempo para ser composta, sua apresentação geralmente pede um grande elenco e orquestra e não dá para ouvir dançando, tem que sentar e ficar atento o tempo todo aos seus detalhes, às sutilezas da música, às entrelinhas. Enfim, tal qual o Rock Progressivo, Ópera é uma obra fechada e auto suficiente.

Bom, ainda estou pesquisando para ver se acho algum fundamento que comprove essa ideia mas de cara lembro que “Tommy”, lançado em 1969 pelo The Who, contando a saga de um menino cego, surdo e mudo, considerado a primeira “Rock Opera” já criada, flertava com esses elementos.

No entanto, quem embarcou nessa de cabeça foram os grupos progressivos da década de 70, com suas suítes conceituais, longos e mais tarde, teatrais. Os ingleses do “Procol Harum”, em 1972, interpretaram a suíte “In Held ‘Twas In I” ao vivo, em Edmonton, no Canadá, com uma orquestra sinfônica e um coral completo, abrindo o caminho para uma possível fusão com fundamentos do gênero Clássico.

Outros trabalhos de diversos grupos se seguiram. Yes, Emerson, Lake & Palmer, Camel e Genesis, entre tantos outros, lançavam seus discos conceituais, alguns até com libretos (característico das óperas) e arranjos cada vez mais sinfônicos, digamos assim. Alguns álbuns vinham com até três discos, com as músicas dividas em atos. De repente, tocar rock começou a ficar complicado!

De qualquer maneira, inegavelmente “The Wall”, do Pink Floyd, lançado em 1979, é o mais popular, representativo e bem-sucedido trabalho do gênero até hoje. Mesmo com uma obra extensa e de alta qualidade, o apelo popular da longa peça falando de solidão, desesperança, preconceito e violência, resistiu bem ao tempo e hoje é uma peça com efeitos visuais alucinantes. Uma legítima Ópera do século 21!

oOo

O pessoal que curte Rock Progressivo com certeza reconheceu a gravura que ilustra o artigo: trata-se da capa do disco “Relayer”, do Yes, de 1974. O trabalho é do prestigiado artista plástico Roger Dean, sem nenhuma dúvida, um gênio progressivo!

2 comentários em “Ópera progressiva

  1. Vale lembrar das óperas do Rick Wakeman, Viagem ao Centro da Terra, e Rei Arthur também. Sou fã de carteirinha do estilo. Ah, eu fui um dos sortudos que vi Rick Wakeman ao vivo no Maracanãzinho, na década de 70, rsrsrs!

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