O povo nas ruas

Marcha com Martin Luter King
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Carlos Emerson Jr.

Clarence Benjamin Jones, 82 anos, professor do Martin Luther King, na Universidade de Stanford, redigiu parte do famoso discurso de King que, há 50 anos atrás, deu um tranco na consciência de americanos, apelando por tolerância racial e para que as pessoas não fossem julgadas pela cor de pele e sim pelo seu caráter.

De sua entrevista publicada no Estadão, relembrando aqueles importantes acontecimentos, destaco o trecho abaixo, importante para entender os movimentos que hoje se espalham pelo mundo afora, quase sempre sem resultados palpáveis. Aliás, o que aconteceu com as manifestações brasileiras? Como explicar que uma passeata com mais de 300 mil pessoas pelas ruas do centro do Rio não tenha obtido resultado algum?

Talvez o professor Clarence Jones tenha a resposta:

Em 1963, se tivéssemos internet, Facebook, celulares, quantos estariam em Washington naquele dia? Mas volto a insistir que a internet não é um substituto ao poder político de colocar pessoas nas ruas. Apesar de ser importante ter a tecnologia, as injustiças não vão desaparecer com um e-mail dizendo ‘Por favor, pare com isso’. Quer fazer a diferença? Junte 5 mil pessoas e vá com elas ao escritório do político que vocês elegeram. Diga a ele que não sairão de lá enquanto ele não mudar de opinião. Isso é o poder político. O movimento gay funcionou porque não ficaram só mandando e-mails. King era um grande orador. Mas sua maior qualidade era saber que a única forma de fazer um governo reagir era colocar pessoas nas ruas. Não foram cartas ao escritório de Hosni Mubarak que o fizeram cair. Se King estivesse vivo hoje, falaria sobre o fim da violência. Não aceitaria que algumas coisas não pudessem ser negociadas. Eu quero dizer uma coisa: o discurso ‘Eu tenho um sonho’ não foi pronunciado no passado nem no presente, mas no futuro. Portanto, as mudanças podem ocorrer.

oOo

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