Circo

Acho que já escrevi em algum lugar que não gosto de circos, não é mesmo? Estou falando daqueles de lona, que iam de cidade em cidade, com seus palhaços, trapezistas, mágicos, tigres, leões e elefantes. Pois é, eles estão meio sumidos, pelo menos dos grandes centros urbanos. E, pelo que estou sabendo, não podem mais usar animais.

O último circo que vi sendo montado foi em Cachoeiras de Macacu, já tem bem uns dois ou três anos. Estava subindo de ônibus para Nova Friburgo e lá estavam os operários, levantando a pequena lona em um terreno acanhado, pertinho do centro. Tinha um parquinho com brinquedos para a criançada e quiosques vendendo comidas e bebidas.

Nunca tive medo de palhaços ou mímicos. Gostava de ver pombas e coelhos saindo das cartolas dos mágicos e ficava fascinado com as motos se cruzando no Globo da Morte. Trapézios era legais e davam vontade de voar. Ficava angustiado mesmo era com aquele camarada que jogava facas em volta de uma moça sempre bonita. Domadores eram meio deprimentes, com suas feras envelhecidas e dopadas.

O circo perdeu completamente a graça depois da tragédia do Gran Circus Norte-Americano, em Niterói, no longínquo ano de 1961. Um incêndio criminoso matou mais de 500 pessoas, sendo que 70% delas eram crianças. Os autores dessa barbaridade foram presos, julgados e condenados mas o estrago que as fotos dos jornais e as transmissões de rádio fizeram num garoto de onze anos duram até hoje.

Só em 2011 entrei de novo em um circo, o de Soleil. E gostei.

Muito.

6 comentários em “Circo

  1. Ah, o circo! Você tocou em um dos meus pontos fracos, meu amigo. Meu pai me ensinou a admirar a arte dos artistas de circo. Sim a tragédia do Gran Circo Americano não tem graça nenhuma. Mas aprendi com meu pai a observar além da expectativa dos números. A perceber os movimentos mais sem importância dos mágicos. A embarcar no mundo da ilusão que o circo nos oferece, a perceber que os movimentos do aparador no trapézio tradicional são sempre os mesmos, a arte do malabaris… Circo Garcia, Circo Thyani, Circo Bartolo e o Orlando Orfei. Thyani era o meu preferido. E o do meu pai também. Meu pai se foi antes que eu pudesse apresentá-lo aos espetáculos do Soleil. E o Soleil realmente reinventou o circo. Criaram a ópera circense. O primeiro e único Soleil que assisti ao vivo foi esse Corteo que está agora no Rio. Inesquecível. Um poema contado em forma de circo! Contado e cantado! Sim, meu amigo, eu gosto de circo. Desculpe o texto longo, mas não resisti. E assista Corteo, enquanto eles estão aí no Rio! Você não irá se arrepender, eu prometo. 🙂

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    1. O Circo do Orlando Orfei eu conheci, Marcus. Meu pai também gostava muito de circos, até mesmo por ter nascido no interior de São Paulo, onde eles eram sempre a grande atração. Mas o Cirque de Soleil é sensacional. Assisti Quidam e sai de lá completamente chapado. Vou ver se consigo ir no Corteo, todo mundo está elogiando. Obrigado pelo depoimento, meu amigo.

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