Sem nenhum rastro

O desaparecimento (até agora) do avião da Malasya Airlines, durante o voo MH370, entre Kuala Lampur e Pequim, além do desespero provocado nos parentes das 239 pessoas a bordo, provocou um efeito colateral inerente ao ser humano, todo mundo tem a sua explicação.

E haja teorias da conspiração: já ouvi até quem culpasse os elfos que, como se sabe, só existem na literatura e nos filmes de aventuras. No entanto, o assunto é muito sério e chega a ser quase incompreensível.

De fato, como uma coisa dessas pode acontecer em plena era dos GPS, satélites, radares de longo alcance e computadores automáticos? Se um simples celular é suficiente para localizar uma pessoa em qualquer parte do planeta (desde que tenha sinal, é claro), porque a operação de resgate com mais de mais de quinze países não chega a lugar algum?

O sumiço completo de aviões em pleno voo acontece desde que o homem começou a voar mas, em sua maioria, os casos são apurados ou explicados, mesmo que décadas tenham se passado depois do evento. Volta e meia alguma expedição encontra um avião ou navio naufragado, como o Titanic e os mortíferos submarinos U da Segunda Guerra Mundial.

É bom lembrar que a tecnologia disponível permitiu a localização do Airbus Air France, nas profundezas do Atlântico, dois anos depois de sua queda. Entretanto, alguns acidentes são considerados um completo mistério até hoje.

O mais famoso deles se deu com um avião brasileiro, o voo RG 967. No dia 30 de janeiro de 1979, às 20:23h, o Boeing 707 da Varig, levantou voo do aeroporto de Narita, em Tóquio, com destino ao Rio de Janeiro e uma escala em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Com seis tripulantes experientes, o voo comercial de carga transportava, entre outros itens, 153 quadros do pintor Manabu Mabe, avaliados na época em quase um milhão e meio de dólares. Vinte minutos após decolar, o comandante fez o contato regulamentar com a torre do aeroporto informando que estava tudo bem, sem nenhum problema a bordo.

Já o segundo contato, previsto para as 21:30 h, nunca chegou a ser feito. O alerta foi dado e as buscas imediatamente tiveram início, com o auxílio de navios e aviões da marinha norte-americana. Durante semanas setores do Pacífico foram esquadrinhados em vão. Nenhum sinal da queda foi encontrado, bem como destroços, corpos ou parte da carga.

O voo RG 967, da Varig, simplesmente desapareceu para sempre.

O avião é o meio de transporte mais seguro que existe, só perdendo mesmo para o elevador. A turma que tem medo de voar entra em parafuso cada vez que um acidente desses acontece mas, curiosamente, não se abala quando confrontada com a quantidade catastrófica de mortes no trânsito que vergonhosamente o Brasil tem exibido, ano após ano.

De fato, em 2012, 60.257 pessoas perderam a vida nas ruas brasileiras (DPVAT). E nem adianta pensar que quem não tem carro está livre: 25% das vítimas eram pedestres ou ciclistas… Nesse mesmo ano, o Cenipa registrou 78 mortes morreram em acidentes aéreos no país. Acho que nem preciso falar mais nada.

Não tenho dúvidas que o avião da Malasya Airlines será encontrado. Hoje, amanhã, daqui a um, dez anos, não importa, seu destino será conhecido. Acho que não estamos mais em tempos de mistérios insolúveis, tão comuns nos primórdios da aviação. Da mesma forma que ninguém mais se lembra dos navios fantasmas, que assombravam as noites escuras cortando as águas sem tripulação e passageiros, a era dos aviões sem rumo ficará para trás.

Ou alguém duvida que os computadores de bordo assumirão o comando das aeronaves, automatizando completamente os voos? É só uma questão de tempo e oportunidade. Minha solidariedade a todos que estão sofrendo com o desaparecimento do voo MH370.

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