Vou de ônibus

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Pois é, meus caros amigos, eu ando de ônibus. E também uso táxi, metrô, barcas e trem. Além da bicicleta, é claro. Pretendo utilizar o VLT, se ele realmente for implantado, quando precisar circular pelo centro. Só não tenho carro, por motivos óbvios, já que moro no Rio de Janeiro. Aliás, os leitores mais assíduos do blog sabem que defendo a restrição do uso de automóveis.

Aprendi a usar o transporte público com meu pai. Todos os finais de semana pegávamos um ônibus ou lotação, ao acaso, e saltávamos no ponto final. Andávamos pelas ruas de bairros da zona norte ou do subúrbio, conhecendo praças, lugares e pessoas. Descobri Niterói através das barcas, que na época, demoravam vinte ou trinta minutos para atravessar a Baía da Guanabara. Madureira, Deodoro e Marechal, pelos velhos trens suburbanos da Central do Brasil. As zonas sul e norte através dos extintos bondes.

A relação do carioca com o transporte público era completamente diferente nos anos 50 e 60. Além da oferta razoável (para a época, claro), poucos carros ocupavam as ruas. Mas nem tudo eram flores e volta e meia explodiam reclamações, tumultos e quebra-quebras. De qualquer maneira, bem ou mal, a população se deslocava majoritariamente nos trens suburbanos, bondes, barcas, lotações e bicicletas de todos os tipos. Era mais seguro.

O tempo passou, o Brasil se equivocou e incentivou o transporte individual, baniu os trilhos e o resultado está aí, cidades tomadas por milhares de automóveis, ônibus, caminhões, motos completamente paradas, a qualquer hora do dia. O prejuízo para a economia é enorme, a saúde sofre com a poluição ambiental e não há saída política possível, o modelo se esgotou e ninguém consegue desatar o imenso nó que amarrou o trânsito de nossas cidades.

No entanto, fiz meu dever de casa. Durante 20 anos fui usuário do 121, 123, 125 e frescão para trabalhar no centro do Rio. Depois, por mais dez anos usei o 455, 457 e o frescão do Engenho Novo para o escritório no Méier. O metrô para o escritório do Estácio. Agora sou usuário do 119 ou 154 (com ar condicionado e piso baixo) para resolver os problemas fora do bairro. Vou para Nova Friburgo pelos rodoviários da 1001. Desde 2006 não coloco as mãos em um volante de automóvel.

O problema do transporte coletivo, pelo menos no Rio, é o serviço, caro e ruim. Embora algumas empresas estejam investindo em ônibus modernos e confortáveis e o governo do estado tenha comprado novos carros para o metrô e os trens, falta conservação, os horários nunca são respeitados, as linhas se superpõe, não existe, infelizmente, um planejamento global dos modais disponíveis.

Para piorar, os ônibus são de responsabilidade da prefeitura e trens, metrô e barcas, do governo do estado. Numa cidade com quase sete milhões de habitantes, não dá! Aliás, em lugar algum. E nem falei dos quase 35 mil táxis que se atropelam diariamente nas ruas e desaparecem quando chove ou tem algum evento importante, um absurdo numa cidade que vive… de eventos.

Existe uma saída? Claro que sim, mas é preciso que o carioca volte a dar valor ao transporte público. É preciso cobrar coerência, transparência e eficiência na sua administração. As concessionárias precisam entender que prestam serviços para a população e não para o governador e o prefeito. É hora de procurar respostas, soluções e ousar. Vamos discutir a circulação dos automóveis. Os horários de carga e descarga de mercadoria. A circulação pela cidade de caminhões de carga.

Mais do que nunca, precisamos investir no transporte alternativo e gratuito, interligando as ciclovias existentes, organizando o tráfego de bicicletas, implantando bicicletários e, porque não, estações no centro da cidade para o cidadão trocar de roupa e até tomar uma chuveirada, antes de seguir para o batente. Afinal, o calor do Rio não é para principiantes.

Eu ando de ônibus, táxi, metrô, barcas e trem, sem o menor problema. E você?

4 comentários em “Vou de ônibus

  1. Sempre fui usuária de transporte coletivo. Até hoje sou criticada e cobrada por familiares e amigos que não se conformam com o fato de ainda não ter comprado meu carro. Sem dúvida que se quisesse, teria um. Mas não tenho paciência para encarar o trânsito daqui de Sampa que está cada dia pior. Ando também de ônibus onde coloco minhas leituras em dia, tiro uma soneca, penso na vida e até escrevo alguma coisa nesse meio tempo. Falando de vocês aí no Rio, peguei um amor por essa cidade que nunca imaginei que teria um dia mas confesso que me decepcionei e muito com o que vi e tive de enfrentar aí. A população merece e deve cobrar um transporte de qualidade afinal, nada é de graça. O povo já paga e muito por tudo. Agora, nossa sociedade deve perder esse ranço de achar que andar de transporte público é pobreza, é vergonhoso e que ter um carro sim, é status. Agora pergunto: Que status Cara Pálida? O brasileiro precisa cair na real enquanto ainda há tempo! Prontofalei!
    Abraço!

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