Palacete São Cornélio

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Foi com enorme tristeza que reencontrei o velho casarão que abrigou a Faculdade de Medicina Souza Marques, na Gloria, completamente esquecido e abandonado. Como o prédio está trancado, não foi possível checar em que estado que se encontra o seu interior, mas é possível imaginar só de olhar sua fachada.

Esse prédio tem história. O primeiro morador, em uma casa que já foi demolida, foi nada mais, nada menos do que o senhor Luis Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias, na ocasião “apenas” um Conde. Em seu lugar, em 1862, o Sr. João José Ribeiro da Silva construiu o Palácio do Ribeirinho, que foi vendido ao Comendador João Martins Cornélio dos Santos em 1868, para ser sua residência.

Em 1894, um de seus filhos doou o imóvel para a Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, que ali instalou o Asilo São Cornélio, inicialmente abrigo para meninas órfãs descendentes de soldados mortos na Guerra do Paraguai e mais tarde um internato para moças. Do inicio da década de 70 até 2005 foi a vez da Faculdade de Medicina Souza Marques ocupar o Palacete. Depois disso, já se foram nove anos de completo abandono.

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Uma tentativa de locação terminou com um despejo judicial. Para piorar, por falta de segurança o imóvel já foi interditado pela Defesa Civil em três ocasiões diferentes. Um roubo de estátuas e obras de arte foi, ainda bem, resolvido pela polícia carioca em 2011.

Tive a oportunidade de frequentar o casarão. Minha mulher estudava na faculdade e como eu trabalhava no centro da cidade, volta e meia dava uma fugida para namorar! Dá pena ver um bem com tanto valor histórico para o Rio de Janeiro esquecido desse jeito. Apesar de ter sido tombado em 1938 pelo Iphan, o órgão só investe nos bens se for comprovado que o proprietário não tem condições financeiras, o que não é o caso da Santa Casa de Misericórdia.

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Em nome da Cultura e da História da cidade, solicito imediatas providências da Prefeitura, do IPHAN e do Ministério Público. O que estão fazendo com o Palacete São Cornélio é um crime.

Fotos: Carlos Emerson Junior

11 comentários em “Palacete São Cornélio

  1. É triste mesmo ver patrimônios que representam nossa história se deteriorar assim. Nossa sociedade não consegue enxergar o valor desses imóveis e acham que tudo não passa de “velharias”. Que diferença dos patrimônios europeus que preservam e se orgulham do que têm. Vamos acordar!

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  2. A Santa Casa poderia vender para quem pudesse realmente reformar. Não entendo da Lei dos Tombamentos, mas parece que muitos prédios ficam ali parados até caírem de tudo e aí serem vendidos pelos proprietários.

    É uma lástima um prédio como esse estar assim. Ainda mais num bairro como a Glória: charmoso e próximo ao Centro. Seria um ótimo Centro Cultural!

    Conte comigo na reclamação! Não tenho as lentes de um fotógrafo, mas gosto de promover o Turismo Urbano.

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    1. Até onde sei, Valéria, a Santa Casa não tem interesse algum em passar esse bem adiante. Aliás, o Palacete estava alugado para uma empresa de saúde (a ideia era instalar um hospital lá) que durante 5 anos não pagou nenhuma vez o aluguel, sendo despejada judicialmente em 2010. E o abandono continua. Obrigado pela força, vamos fazer barulho para ver se algum órgão cultural do governo (qualquer um) se interessa e não permita que essa preciosidade vá ao chão. Um abração.

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  3. Concordo com as indignacoes das pessoas em relacao ao estado em que se encontra o palacete. O Rio de Janeiro sera sempre a capital cultural e aristocratica do Brasil. Neste sentido, urge que os poderes publico-privados alavanquem mecanismos para que as familias adquiram estes imoveis e os restaurem, passando inclusive a residir neles, ao inves de fixarem residencias em edificios luxuosos, mas que nao tem aquela personalidade impactante gerada por predios seculares. Pergunto por que os nossos endinheirados, artistas, profissionais bem sucedidos, desportistas famosos, empresarios nao se unem para restaurar estas joias, para que seus filhos possam crescer e viver num ambiente culturalmente rico, e nao naqueles edificios todos parecidos, mais parecidos com jaulas que vemos na zona sul carioca e em outras cidades brasileiras, virando as costas para um acervo belissimo que se formou ao longo dos seculos. Do Solar Santa Rita de Cassia, Quarai-RS.

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    1. Perfeito e oportuno comentário, Marcelo. O abandono desse patrimônio inestimável de nossa história talvez seja reflexo do imediatismo ou até mesmo ignorância da sociedade brasileira, o que é uma pena. Obrigado pela participação e um abraço.

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