A velha, uma peça surreal

Overmundo

“É assim que a fome começa:
Você acorda de manhã, se sentindo bem,
E aí vem a fraqueza,
E começa a chateação;
E começam as perdas,
Perde-se o raciocínio rápido,
E então vem a calma,
E em seguida o horror.”

Repetido diversas vezes em inglês e russo, por dois personagens absurdamente e estranhamente maquiados, diante de um cenário quase surreal e embalado por uma música lenta, bonita, lembrando muito uma canção folclórica de algum lugar vagamente conhecido, os versos do escritor de Leningrado, Daniils Karms, servem como guia de uma história estranha, a morte de uma mulher velha.

Assim é a peça que me levou até a Cidade das Artes, na longínqua Barra da Tijuca, para assistir e amar o trabalho do diretor americano Robert Wilson, com os atores Mikhail Barishnikov e Willen Dafoe, que desde sua estréia em dezembro de 2013, vem encantando as platéias de todo o mundo.

Não sou crítico ou especialista em teatro, mas sei muito bem quando um trabalho me toca. E “The Old Woman”, com uma estética que me remeteu às suites progressivas, comove, apesar do non sense total. Juro que lembrei do Peter Gabriel, com uma maquiagem de um homem velho, cantando a parte final de “The Musical Box”, nas apresentações ao vivo do Genesis.

Ter a oportunidade de assistir dois grandes atores, ao vivo, completamente integrados em uma montagem original, bonita e inteligente, é um raro privilégio. Conhecer o trabalho do diretor Robert Wilson e os textos do russo Daniils Karms também. “The Old Woman” é um dessas obras que a gente curte com todos os sentidos e, tal qual os bons rocks progressivos, fica com uma baita vontade de assistir outra vez.

Foto: Lucie Jansch

5 comentários em “A velha, uma peça surreal

  1. Pôxa!!! Fiquei com um gosto horrível na boca quando fui a bilheteria do SESC e chegando lá, fiz coro a um grupo de pessoas que não se conformavam com a placa dizendo: Esgotado! Em poucas horas esgotou os ingressos aqui em Sampa para essa peça. Fico contente que tenha assistido e gostado pois imaginei mesmo que seria do Balaco de bom, rsrs

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    1. Puxa vida! Aqui no Rio os ingressos se esgotaram rapidamente, mas a produção programou mais umas três ou quatro sessões extras. Comprei as entradas para a estréia no dia que colocaram à venda. E valeu a pena! 😉

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