A pior crônica do mundo

Um grupo de estudantes de medicina resolve passar o final de semana em uma estação de esqui desativada, no interior da Noruega. O local fica a 45 minutos de caminhada da estrada principal, completamente isolado e sem sinal de celular. Mas o dia está lindo, a neve branca e fofa, todos muito felizes até que, sem querer, despertam um pelotão soldados da SS alemã da 2ª Guerra Mundial, todos transformados em zumbis!

Daí para a frente é puro sangue, tripas de fora, cabeças estouradas, membros amputados e todos os clichês do gênero até o final inconclusivo, abrindo margem para uma continuação. Esse é o resumo do filme norueguês “Zumbis na Neve” (Dead Snow), de 2009, na minha opinião o pior filme que já assisti em toda a minha vida, talvez só perdendo para o incompreensível “Quem é Beta”, produção franco-brasileira de 1972, dirigida pelo Nélson Pereira dos Santos.

O famoso musical “Os Produtores” (The Producers), escrito pelo cineasta americano Mel Brooks, em cartaz durante muitos anos na Broadway, partia da premissa que o fracasso de um espetáculo pode ser lucrativo. Uma dupla de espertalhões resolve encenar o pior texto já escrito, reunindo os piores atores disponíveis e o pior diretor possível. Previsivelmente algo dá errado e a peça se torna um enorme sucesso de público e crítica, levando nossos heróis à falência!

Gargalhadas à parte, vamos ser justos, é muito difícil acontecer uma coisa dessas. Eu mesmo fiquei em dúvida se o melhor (?) filme para abrir a crônica seria a paródia “Deu a louca em Hollywood” (Troféu Framboesa de 2008 nas categorias pior atriz coadjuvante, pior refilmagem e pior roteiro) ou o infame “Cara, cadê meu carro”, um desastre completo com Asthon Kutcher e Sean Willian Scott em interpretações constrangedoras.

Bom, gosto é gosto e tem quem adore esse tipo de filme, inclusive eu!

Mas a literatura também tem suas barbaridades e aqui vou seguir a unanimidade: o pior livro do mundo é o “Código Da Vinci”, do Dan Brawn, presente em 10 das 10 mais respeitadas listas dos piores de todos os tempos. E já vou avisando que li e detestei. No entanto, vendeu mais de 40 milhões de exemplares e ainda quebrou as bilheterias com um filme ridículo, vai entender. Se o autor estava contando com um fiasco, quebrou a cara!

Os três livros da saga Crepúsculo, da Stephenie Meyers também são citados nessas listas e sofrem do mesmo fenômeno, venderam muito, viraram filmes e tem uma imensa legião de fãs. Desses eu consegui escapar mas, como todo mundo que gostava de ficção científica, me arrependo até hoje de ter comprado o romance Duna, do Frank Herbert e ainda assistido ao filme, verdadeiros pesadelos galáticos, sem pé nem cabeça. A gente faz cada uma!

Tudo bem, vamos falar de música! Afirmar que um gênero é pior do que o outro não faz muito sentido, já que cada um tem seus expoentes positivos e negativos. Também não dá para comparar a música daqui com a dos gringos, pródigos em apreciar porcarias. Aliás, temos alguma em comum sim, adoramos refrões idiotas e dançantes. Seria a receita para o sucesso? E como seria uma canção destinada a um fracasso completo?

Algumas piadas (ou brilhantes jogadas de marketing, como queiram) tornaram-se hits instantâneos: New Kids on the Block, Menudo, Jonas Brothers e por aí vai. O pior é que esse tipo de artista acaba virando cult, como os Monkees da década de 60, o Abba, dos 70 e o tal do rock brasileiro dos 80. Para piorar, sempre aparece um saudosista dizendo que adorava dançar “A Whiter Shade of Pale” de rosto colado, com a namorada da vez. Ô meu, muda o disco, ninguém mais dança assim e o Procol Harum sumiu no tempo!

E o que vocês me dizem da televisão? Bom, se formos esmiuçar item por item, esse artigo vai virar um livro. A programação aberta é pródiga e aqui temos três grandes nomes, todos cafonas, ultrapassados e inexplicavelmente imbatíveis em seus horários. Estou falando do Programa do Faustão, Programa do Jô e o Programa do Sílvio Santos. É claro que existem pérolas de nível muito mais baixo mas esses aí, até pela sua importância na história da nossa televisão, continuam provando, através dos anos, que menos é sempre mais!

Pois é, o que apreendemos de tudo isso é que o conceito de bom e ruim é ditado pela crítica do momento e muito, mas muito mesmo, pelo gosto pessoal do público. O que um trabalho não pode é provocar a indiferença. Aí meus amigos, por melhor que seja, cairá no esquecimento, como tantas boas criações irremediavelmente perdidas por aí. É como diz o velho clichê, falem bem ou mal, mas falem de mim. Você pode ficar muito rico ou até mesmo virar cult!

A Voz da Serra, 28/7/2012

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