Do contra

O que seria da humanidade se não fossem aqueles caras chatos, sempre do contra? Um tédio completo ou pior, uma multidão seguindo na mesma direção que nem lemingues, direto para o primeiro abismo no meio de seu caminho. Sem querer exagerar – e possivelmente já exagerando – os chatos do contra estão aí para isso mesmo, avisar que pode ter tem um buraco logo à frente.

Ou que as coisas não devem ser vistas apenas pelo que elas aparentam ser.

Mas essa introdução toda é para falar da oportunidade que nós, brasileiros, perdemos quando nos deixamos levar pelo blá-blá-blá do poder e demonizamos as manifestações de junho de 2013. Juro que pensei que sairia dali uma novidade, alguma alternativa a essa ultrapassada política de direita contra a esquerda ou como os sem imaginação gostam de falar, coxinhas versus petralhas.

Caramba, o que aconteceu com o senso crítico das pessoas? O Brasil não vai mudar uma vírgula, seja quem for o vencedor. Só acredita nisso quem quer. O estado continuará paquidérmico, a justiça lenta, a economia sem foco, a saúde mal gerida, a segurança ineficaz e a mobilidade urbana uma piada. E isso sem falar da irresponsável omissão e falta de visão na questão (vital para o futuro do Brasil) do meio ambiente e da péssima qualidade de nossa educação.

Nada que eu não já tenha visto em tantas décadas de promessas, promessas e mais promessas de pretensos salvadores da pátria. Todas elas jogadas no lixo.

Eu sou do contra. Se houver um governo, qualquer um, sou contra! Cobro. Investigo. Instigo. Critico. Sugiro. Reclamo. Se merecer, até aplaudo. Mas vocês nunca vão me ver vestido de azul ou vermelho, amarelo ou preto, defendendo o candidato A, B ou C. Eleição não é campeonato de futebol. Ou desfile de escola de samba. Eleição é coisa séria e governar um país, um estado ou uma cidade deveria ser uma tarefa coletiva.

Eu voto nulo. Voto em branco. Tenho esse direito e passei a vida inteira ouvindo oportunistas de plantão recomendarem o voto no menos pior que, para os adversários, será sempre… o pior. Aliás, para ser do contra, agora eu nem voto. Até porque tenho vergonha do Brasil ainda estar na lista das 24 republiquetas de segunda e terceira categoria onde o voto é obrigatório. Vinte e quatro países apenas, meus caros.

Sei que a essa altura do campeonato, perdão, eleição, é muito tarde para pedir bom senso e um pouco de reflexão. Mas ainda dá para lembrar a tristemente famosa frase de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de Hitler: “uma mentira contada mil vezes, torna-se uma verdade”, adotada por dez entre cada dez marqueteiros políticos.

A não ser que apareça um chato para ser do contra.

2 comentários em “Do contra

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