A uber-questão

Táxi ou Uber? Ainda não entendi bem porque tanta agitação por uma quase polêmica: transporte de pessoas é assunto sério e regulado no mundo inteiro. Se o serviço prestado é ruim, vamos brigar com a prefeitura e exigir fiscalização e qualidade. Afinal, com ou sem Uber, pagamos impostos para isso.

Para mim uma coisa é clara: temos automóveis demais nas ruas, incluindo aí a enorme frota de quase 34 mil taxis (os oficiais, é claro). Aliás, somos um prodígio: um táxi para cada 190 habitantes, enquanto aí fora a proporção oscila entre 1/305 (São Paulo) a 1/700 (Nova York). Em números isso significa que a cidade americana tem uma frota de táxis com 13 mil veículos, Londres se vira com 21 mil, enquanto Paris tem apenas 14.700.

Em comum, todas essas cidades tem um sistema de transporte público de primeira. Metrô, trens, ônibus e barcas são integrados, confortáveis, pontuais e de ótima qualidade. Em Vancouver, no Canadá, quando o metrô para (por qualquer motivo), as passagens dos ônibus são liberadas automaticamente. O Rio de Janeiro, é claro, não oferece nada disso.

A situação piora quando admitimos que o serviço de táxis de nossa cidade não é nada bom. Reza a lenda que, por conta da formação cultural do carioca, nenhum serviço aqui funciona a contento. Eu, heim! Isso parece desculpa para legitimar falta de educação e civilidade.

Entretanto numa coisa todos concordamos, quando se trata de serviços públicos, é um terror mesmo. Infelizmente a melhor arma que temos, o nosso voto, é desperdiçada porque, em geral — sem mito algum — votamos mal prá caramba! Estão aí os governadores, prefeitos, deputados e vereadores eleitos nos últimos vinte, trinta anos, que não me deixam mentir.

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Bom, o problema dos taxis cariocas vem de longe e é o mesmo que nos faz sofrer com o transporte público em geral, a incapacidade, promiscuidade e má fé do poder público, que descobriu que pode ganhar algo, nem que seja uma eleição, adotando uma postura seletiva, digamos assim, para atender interesses nada republicanos…

Táxi é um transporte exclusivo, complementar. Muito útil, às vezes imprescindível, mas individual e caro. Sinceramente, quantas pessoas efetivamente podem pagar uma corrida de táxi (ou várias) todos os dias? Eu não posso, mas quando uso consulto a minha lista de taxistas amigos e companheiros de corridas de longa data. Na falta deles, uso os aplicativos 99 Taxis ou o Easy Taxi, quase sempre sem maiores problemas.

Não, meus caros, nunca precisei dar queixa de um motorista de táxi. Já andei em carros antigos e até mesmo sujos mas, ainda assim, em muito melhor estado e mais seguros do que a maioria dos ônibus da frota municipal. Bons e maus profissionais existem em todas as profissões e se o sujeito não cuida de seu instrumento de trabalho, no caso o seu carrinho, vai acabar perdendo a freguesia. É uma velha lei do mercado.

Enfim, voltemos ao debate, mas com uma nova colocação: táxi, Uber ou nenhuma das duas opções? Fico com a última, sempre. Qualquer medida que vise colocar mais carros nas ruas, terá a minha mais profunda antipatia. Aqui no Rio aumentou muito o uso de veículos individuais. A previsão é que em 2020 haverá um carro para cada duas pessoas, ou seja, o caos! Pelo visto esse povo não concorda com a tese que sustenta que esses serviços tiram os veículos particulares das ruas…

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É claro que não dá para ficar alheio aos avanços tecnológicos. Hoje em dia todo mundo (e não é imagem literária) usa e abusa das facilidades dos aplicativos. Os próprios taxis já tem os seus e acho que o grande vencedor nessa confusão toda somos nós, usuários. Daqui para a frente, com ou sem Uber, os aplicativos de trânsito serão cada vez mais necessários.

Pessoalmente, acho muito perigoso deixar um serviço público sem nenhuma regulamentação. Estamos falando de automóveis e passageiros, lembrando que um dos maiores fatores de acidentes com mortes é exatamente o trânsito. E se acontece uma desgraça, reclamar com quem? Com o bispo?

Tudo bem, usa o Uber quem pode e quer, mas fico aqui cismado porque essa história me lembra outra bem conhecida dos cariocas, a da proibição do transporte coletivo nas vans, atividade muito popular na periferia. Seria o Uber a van da Barra/Zona Sul?

A propósito, antigamente existia um serviço chamado “taxi especial”, com carros de luxo, ar condicionado, corridas agendadas pelo telefone e tarifa diferenciada. Que fim levou? Afinal, de uma certa forma, é o pai (ou a mãe, vai saber) do Uber!

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