Nossas tragédias

Ao alvorecer do dia 18 de janeiro de 2000, um duto da Petrobrás rompeu-se, provocando um vazamento de 1,3 milhões de litros de óleo combustível e uma mancha que se espalhou por 40 km² na Baia da Guanabara, aqui no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas foram afetadas e a Petrobrás acabou pagando uma multa de 35 milhões de reais ao IBAMA, além de destinar 15 milhões de reais para a revitalização da baía.

O mais inacreditável veio no final: segundo o jornal O Globo, em uma matéria especial na edição do dia 30 de janeiro de 2010, ninguém foi punido e o processo devidamente arquivado (veja a reportagem na íntegra aqui):

“O juízo da 5ª Vara Federal Criminal de São João de Meriti absolveu os acusados pelo vazamento, alegando, entre outras coisas, falhas na denúncia feita pelos procuradores do Ministério Público federal (MPF), considerada genérica.

A procuradoria, que contestou as acusações, não entrou com recurso contra a decisão por avaliar que os crimes, com penas máximas baixas, estariam prescritos no momento do julgamento em segunda instância. Assim, o processo criminal de uma das maiores tragédias ambientais da história do estado foi definitivamente arquivado sem punidos.”

Pois é, agora estamos diante de outra tragédia, desta vez no interior de Minas Gerais, onde vidas foram perdidas, a flora e a fauna estão sendo exterminadas e os danos ao meio ambiente vão permanecer por muito tempo. E o que ouvimos (ou melhor, não ouvimos)? Nada, é claro. Sabemos que as barragens estavam irregulares, não eram fiscalizadas, não havia plano de segurança e nem sei o que mais.

A lama avança em direção ao mar, atravessando dois estados e suas cidades, poluindo os rios, provocando a falta de água potável, trazendo o medo e a incerteza. O prejuizo, a essa altura, é tão imensurável quanto o silêncio assustador das “autoridades competentes”.

A verdadeira tragédia do Brasil são eles. Que pelo menos desta vez, seja feita Justiça!

 

2 comentários em “Nossas tragédias

  1. Carlos, a cada dia, a cada tragédia que se apresenta sinto que a sociedade num todo precisa se mobilizar e exigir resposta e punição. Está mais do que na hora de tomarmos as rédeas das coisas. Não dá mais para viver como meros expectadores da vida.

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