Um vazio enorme dentro do peito. Sentimento de perda, tristeza, muita tristeza. Lembrou a velha canção: “se fosse resolver, iria te dizer, foi minha agonia”. O tempo perdido, a paixão que esqueceu, o risco que não correu, a amizade que perdeu, a aventura que não viveu. Tudo, completamente tudo, visto para trás, parecia um retumbante grande nada, uma completa inutilidade, um enorme fracasso.

Sentia-se cansado, solitário e doente. Mas o que doia mais era a indiferença, o desinteresse total, a falta de vontade de continuar vivo. Outra vez cantarolou a música: “e aqui no coração, eu sei que vou morrer, um pouco a cada dia”… Respirou fundo, foi até a janela e ficou admirando um grupo fantasiado deslizando para o desfile de algum bloco. Em um átimo desejou estar com eles, cair na folia.

Caiu em si quando lembrou que morava de frente para um estacionamento… Deu um sorriso, fechou a cortina, ligou a televisão, abriu uma cerveja, acendeu um cigarro e, como sempre, dormiu sentado no sofá.

Publicado por Carlos Emerson Junior

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