Ladrões

A jovem executiva saiu apressadamente da reunião com a diretoria de ensino da Uerj, já pensando no próximo destino, a Faculdade de Medicina da Ilha do Fundão. Olhou o relógio e preocupou-se, afinal não conhecia o Rio direito e jamais tinha se aventurado por essas bandas da Mangueira.

Chegou na rua, procurando um táxi. Tirou o smartphone da bolsa para checar as mensagens, avisar o escritório que já estava à caminho e verificar se estava tudo em ordem em casa. Digitava tão concentrada que nem notou que um senhor se aproximou, indignado:

– A senhora quer me prejudicar, não é mesmo? Porque não pára de escrever e chama logo um táxi, um uber ou a merda do metrô?

– Desculpe, mas prejudicar como, só estou acertando minha…

– Dona, está vendo aqueles dois garotos do outro lado da rua? Pois é, não tiram o olho da senhora e só não deram o bote porque eu estou aqui.

– Puxa, o senhor é polícia?

– Qualé, esse trecho da rua é do jogo, assalto só da esquina para lá. Os dois me conhecem, moramos na mesma comunidade, mas a senhora está dando bandeira demais e aí, dona, se acontecer alguma coisa, quem vai responder pelo seu assalto sou eu. Pelamordedeus, pega logo o taxi e me deixa trabalhar sossegado.

Assustada, embarcou no primeiro carro que parou, olhou desolada para o motorista e, antes de informar o novo destino, desabafou: é… não está fácil para ninguém!

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