A bicicleta

A Voz da Serra

José Saramago, o grande escritor português, uma vez afirmou que “nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”. Que ela não é fácil isso não se discute, mas a maneira como a vivemos, as expectativas que criamos, decepções com sonhos não realizados, amores não correspondidos e a inexorável jornada para a morte são mais do que suficientes para gerar frustrações e ressentimentos.

Durante nossa breve existência temos que conviver com a disputa pelo poder, o consumismo desenfreado, preconceitos, ódio e o mais importante, nossa própria ignorância! É claro que somos recompensados com amores, amizades, esperança e curiosidade, mas a grande dificuldade sempre foi e será o que fazer com a vida que recebemos.

Um pequeno conto mostra que aprendemos sempre, mesmo quando estamos fazendo algo banal, como andar de bicicleta. Não sei quem é o autor do texto, mas gosto de imaginar um monge, talvez em uma cidade esquecida no interior da Índia, conversando com seus discípulos. E, o mais sábio, é que não nem é preciso ser um asceta para olhar o mundo com outros olhos.

Basta tentar.

oOo

“Um mestre viu cinco dos seus pequenos discípulos voltando das compras, pedalando suas bicicletas. Quando eles chegaram ao monastério e largaram suas bicicletas, o mestre perguntou aos estudantes:

– Por que vocês andam com suas bicicletas?

O primeiro discípulo disse:

– A bicicleta carrega, para mim, os sacos de batata. Estou feliz por não ter de carregá-los em minhas costas!

O mestre elogiou o primeiro aluno:

– Você é um rapaz muito inteligente! Quando você crescer você não andará curvo como eu ando.

O segundo discípulo disse:

– Eu adoro ver as árvores e os campos por onde passo!

O mestre elogiou o segundo discípulo:

– Seus olhos estão abertos e você enxergará o mundo.

O terceiro discípulo disse:

– Quando eu pedalo minha bicicleta eu fico feliz e cheio de energia.

O mestre louvou o terceiro estudante:

– Sua mente se expandirá com a suavidade de uma roda novamente centrada.

O quarto discípulo falou:

– Pedalando minha bicicleta eu vivo em harmonia com todas os seres sencientes.

O mestre ficou feliz e disse ao quarto estudante:

– Você pedala no caminho dourado da bondade.

O quinto aluno disse:

– Eu pedalo minha bicicleta por pedalar.

O mestre sentou-se aos pés do quinto estudante e disse:

– Sou seu discípulo.”

Foto: Mark Swain

3 comentários em “A bicicleta

  1. Sim,mas durante nossa breve vida consciente, não necessariamente estamos todos nós procurando por respostas. Alguns se satisfazem apenas com o que são sem nem mesmo perceberem o que poderiam ser. Entendem talvez que suas vidas são de fato passageira e que não valha a pena torna-la diferente.
    Um Mestre porém em sua atitude reflexiva, não procura ser discípulo, pois já o foi o tempo necessário para encontrar suas respostas e trilhar sua decisão, acredito que o que lhe resta de fato é provar de suas escolhas, não para indicar caminhos aos seus discípulos mas sim para dar a eles o argumento de como buscá-lo. Abraços Carlos! 😉

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