Fora do ar

Li em algum lugar, não me lembro onde nem quando (coisa comum com a quantidade de informações à disposição na rede) que o governo americano está preocupado com a posição dos submarinos da marinha russa, próximos aos cabos marítimos de comunicações, aparentemente para cortá-los no caso de uma guerra, provocando o caos entre seus inimigos.

A bem da verdade, é preciso ficar com um pé atrás. Quem garante que a marinha americana não faz a mesma coisa? Afinal, não por acaso os dois países protagonistas da extinta (?) guerra fria possuem as maiores frotas de submersíveis do planeta. Notícia plantada ou não, uma ação dessas poderia provocar até uma reação nuclear e, por isso, é difícil não acreditar que eles não tenham um plano B, ou melhor, um meio de comunicação alternativo para esse tipo de agressão.

De qualquer maneira, existe um lado bom. Passamos (a minha geração, claro) os anos 60, 70, aguardando o momento que seríamos reduzidos a pó (ou nem isso) por centenas de mísseis balísticos com armas nucleares, lançados de submarinos espalhados pelos sete mares. É bom (sempre) lembrar que o arsenal atômico (ainda) tem capacidade para destruir nosso planetinha umas dez ou vinte vezes… Mas divago, não é mesmo? O lado bom é que desta vez só ficaremos sem a internet, não seremos exterminados.

– Como assim, sem a internet? Pirou? Isso é o próprio apocalipse!

Pois é, a turma mais plugada entra em pânico só de pensar numa tragédia dessas mas, convenhamos, se não houver reação militar, sua falta não será nenhum Armagedom, como os profetas interneticos proclamam em alto e bom som. Muito pelo contrário, recentes estudos (também não perguntem quais, consultem o Google) provam que ir ao banco, ler jornais de papel, frequentar bibliotecas, pagar com dinheiro vivo ou cheque e telefonar para os amigos, por exemplo, são atividades esquecidas mas que – atenção – não causam nenhum dano à nossa saúde.

Aliás, vale conhecer a saga do jornalista alemão Paul Müller, que ficou um ano sem usar a internet! Apesar da postura antissocial, crises de depressão, sete quilos perdidos e, pior, não ter vivenciado nenhum “momento epifânico” (seja lá o que isso signifique), garante nunca mais embarcar numa furada dessas. Mesmo financiado! Conheça melhor essa incrível aventura aqui (inglês) e aqui (português).

Pois é, meus caros, já ia colocar o ponto final na crônica quando percebi que não falei nada do Brasil. Nossa internet é uma unanimidade, ninguém gosta. Lenta, errática, cara prá burro, isso quando não desaparece repentinamente, sem aviso prévio ou desconto na fatura (essa sim, com eficiência de primeiro mundo). Decididamente acho que não corremos o risco de um ataque estrangeiro em nossos cabos, a não ser que…. Bom, estamos construindo um submarino nuclear, com tecnologia francesa, que deve ser lançado ao mar em 2021. Vai que uma dessas superpotências ache que somos um perigo em potencial! Aí danou.

7 comentários em “Fora do ar

  1. Sem internet já fiquei quase um mês por conta do computador ir para o conserto… Isso já faz algumas décadas… Atualmente estou mais devagar com a internet…

    Minha mãe que nem internet usa, tem reclamado do “fora do ar” de alguns canais que ela gosta… Mas aí acho que por conta dos ventos…

    E “eles” já nos espionam mesmo, como bem contou Snowden… ter submarinos para tal fim nem é tão surreal assim!

    Curtido por 2 pessoas

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