Na boca da noite

Uma das mais belas canções já escritas em língua portuguesa, “Na Boca da Noite”, foi o resultado de uma parceria entre o compositor carioca Toquinho e o poeta paulista Paulo Vanzolini. Aliás, o próprio Toquinho conta em seu site como esse samba nasceu:

“Eu já tinha amizade com o Paulo Vanzolini, um letrista com quem sempre quis fazer alguma coisa”, conta Toquinho. “Naquela noite, no Jogral, ele chegou para mim e escreveu em um papelzinho duas estrofes. Fiquei com aquele papel, e demorei para fazer a música. Criar uma melodia para uma letra já pronta é um grande desafio. Cada palavra tem um som dela própria, e tem-se que descobrir esse som. Por isso, foi muito trabalhoso achar uma linha melódica natural para “Boca da noite”.

Curiosamente, Paulo Vanzolini não considerava a poesia pronta, o que não impediu que ela fosse lançada no Festival Internacional da Canção de 1968 onde, defendida pelo grupo Canto 4, ficou em sétimo lugar. Aliás, vale lembrar que além dela participaram (e ficaram imortalizadas) músicas como Sabiá (Tom e Chico Buarque), Prá não dizer que não falei de flores (Geraldo Vandré), Andança (Danilo Caymmi e Edmundo Souto) e Caminhante Noturno (Mutantes), entre tantas outras.

Reparem nos versos de “Na Boca da Noite” e a sua delicada linha melódica. Quase 50 anos depois, soa como uma pequena obra prima.

“Cheguei na boca da noite,
Parti de madrugada
Eu não disse que ficava
Nem você perguntou nada
Na hora que eu ia indo,
Dormia tão descansada,
Respiração tão macia,
Morena nem parecia
Que a fronha estava molhada

Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada
Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada

Gente da nossa estampa
Não pede juras nem faz,
Ama e passa, e não demonstra
Sua guerra, sua paz
Quando o galo me chamou,
Eu parti sem olhar pra trás
Porque, morena, eu sabia,
Se olhasse, não conseguia
Sair dali nunca mais

Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada
Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada

O vento vai pra onde quer
A água corre pro mar
Nuvem alta em mão de vento
É o jeito da água voltar
Morena, se acaso um dia
Tempestade te apanhar
Não foge da ventania,
Da chuva que rodopia,
Sou eu mesmo a te abraçar

Vi um rosto na janela,
Parei na beira da estrada
Cheguei na boca da noite,
Saí de madrugada”

Fontes:

Esquina Musical
Memória Globo
Toquinho

4 comentários em “Na boca da noite

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