Bom dia

Conto publicado na I Coletânea Scriptus, Balaio de Ideias, 2009

Caiu para o lado, como se tivesse levado um soco muito forte no pescoço. Estava atordoado mas ainda conseguia enxergar. Seus ouvidos zumbiam! Havia alguma coisa quente, viscosa, escorrendo por baixo da cabeça pendida. Tentou se virar para ver o que era mas em vão: seu corpo estava imóvel. Os olhos ainda se mexiam, dava prá ver o painel do carro, o volante, as chaves… Um gosto forte de sangue inundou sua boca.

Lembrou-se do celular no bolso da camisa. Isso, ligaria para o trabalho avisando que não ia chegar. Mas estava tão cansado. Frio. Muito frio. A cabeça vazia, uma sensação de abandono. Não sentia dor ou medo. Apenas uma vontade enorme de ir embora, de fechar os olhos e dormir.

*****

— Porra, cê tá maluco ? Precisava atirar no cara ?
— Ele ia dá um teco na gente.
— Não, seu merda, ele tava soltando o cinto, sujou tudo, vambora, larga isso aí e se manda!
— Mas e o carro do babaca ? Não foi uma encomenda?
— Se manda, mané, corre antes que os homis cheguem aí.

*****

Cinco e trinta da manhã, uma esquina qualquer da cidade do Rio de Janeiro. O dia mal começou…

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