Náufrago

Foto: Carlos Emerson Junior

“Quando perguntam de onde tenho ressurgido
respondo:
– Eu venho sempre à tona de todos os naufrágios.”
(Mario Quintana)

Apesar de tudo, nunca perdeu a esperança de escapar da tempestade. O bote, muito avariado, lutava para vencer as ondas e correntes. A noite tenebrosa, tomada pela chuva e vento, tornava a navegação quase impossível. Sabia muito bem que o naufrágio era inevitável: o mar revolto e um buraco no casco permitiam a entrada cada vez maior de água a bordo. A qualquer momento ia afundar.

Em completo desespero, desistiu dos remos e agarrou o comando do leme com força. Tinha certeza que o litoral devia estar por perto, sua única chance era tentar chegar em terra. Enxugou o rosto com uma toalha, virou a proa para bombordo e se deixou levar, na direção das ondas. Estava absolutamente sozinho.

O mar, furioso com a sua audácia, envolveu a pequena embarcação. As ondas arrebentaram de todos os lados. De repente todo o movimento cessou e, com um estrondo, ele foi arremessado para fora do bote. Bateu com o rosto no chão e se assustou quando percebeu que estava com a cara enfiada na areia. Não, não era um sonho, fora jogado em uma praia. Imediatamente pensou: se não estou morto, certamente acabei de renascer.

Foto: Cejunior

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