De volta para a estrada do contorno

Ano eleitoral é uma farra, não tem jeito… Pela enésima vez o governo do estado anuncia a construção da Rodovia do Cimento, perdão, Estrada do Contorno de Nova Friburgo, que vai ligar Duas Barras a Mury, numa extensão de 42 quilometros. Desta vez o prazo de conclusão é 2014 e até agora quase nada sabemos sobre o seu traçado.

Aliás, ouvi por aí que a RJ-116 vai ter terceira pista entre Duas Barras e Cordeiro. Alguém sabe se isso é verdade?

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O Governo do Estado vai investir R$ 2,8 bilhões na malha rodoviária fluminense. As obras contemplarão 750 quilômetros de estradas estaduais e serão realizadas até 2014 pelo DER (Departamento de Estradas de Rodagem). Os recursos para esta série de melhorias virão de organismos internacionais e através de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

O Banco Mundial já autorizou o empréstimo de R$ 1 bilhão, a Comissão Andina de Financiamento (CAF) vai financiar R$ 500 milhões e o DER espera levantar mais R$ 1,3 bilhão com as PPPs para realizar obras.

“A maioria das obras está em fase final de elaboração de projetos. Outras estão em andamento, com previsão de inauguração dentro de dois ou três meses, como as pontes sobre o Rio Paraíba do Sul, uma em Quatis, no Sul do estado, e outra em Itaperuna, no Noroeste fluminense”, afirma o presidente do DER, Henrique Ribeiro.

Entre as obras previstas estão a construção de uma ponte sobre o Rio Paraíba do Sul, entre os distritos de Domingos e Barcellos, asfaltamento de 39 quilômetros das RJ-194 e RJ-196 entre a BR-101, em Campos dos Goytacazes, e São Francisco de Itabapoana, a duplicação das estradas Maricá-Saquarema e Rio das Ostras-Macaé, a construção da estrada de contorno de Nova Friburgo, entre Mury e Duas Barras, com extensão de 42 quilômetros, a recuperação da RJ-130 (Teresópolis- Friburgo) e da RJ-134 (Petrópolis- São José do Vale do Rio Preto), mais obras em 22 quilômetros das RJ-178 e RJ-180 entre Quissamã e Dores de Macabu, distrito de Campos, e a restauração, com construção de acostamento, em 27 quilômetros da RJ-192, entre Itaocara, no Noroeste, e São Fidélis, no Norte.

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Fonte: Governo do Estado do RJ
Foto: Montanha Cup 2010 (Serrinha do Colonial 61)

Nunca provoque um anarquista

Não blasfeme contra o Deus dos muçulmamos e respeite o dos cristãos e judeus. Não diga que seu time é melhor que o do vizinho e esqueça que pele das pessoas tem cores diferentes da sua. Aceite a opção sexual de seus amigos e não julgue quem você não conhece. Entenda os os erros de quem você gosta e lembre-se dos que você mesmo cometeu. Seja justo, honesto e simplesmente viva e deixe os outros viverem.

E nunca, em hipótese alguma, provoque um anarquista!

Carnaval

A Voz da Serra

Existe um tipo raro de carioca que não gosta de carnaval e eu mesmo sou um bom exemplo. Enquanto a preocupação da maioria dos meus conterrâneos é, não necessariamente nessa ordem, sair em todos os blocos possíveis, participar dos desfiles no Sambódromo e mandar a patroa e a filharada para uma praia distante, de preferência na Austrália, simplesmente me contento ficando aqui na serra, bem escondido do resto do mundo.

Está bom, escondido é um exagero, até porque costumo me mandar para São Pedro da Serra, um dos lugares com o Carnaval mais animado que conheço. Além do mais, não dá para ficar indiferente aos quase cinco dias de folia, o maior feriadão do ano. Para o bem ou para o mal, Carnaval é um bom negócio e essencial para o turismo de cidades como o Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Cabo Frio e, porque não, Nova Friburgo.

De fato, já foi nosso o título de segundo Carnaval mais importante do Estado do Rio. Em 1872 a Sociedade Musical Campesina solicitou à Câmara de Vereadores uma autorização para realizar dois bailes carnavalescos, nos dias 11 e 13 de fevereiro, no Edifício do Senado, na Rua do Senado, atual Avenida Alberto Braune.

Em 1900 dois salões dividiam os foliões de Nova Friburgo, o da Banda Campesina, também conhecido como Baile dos Pobres e o do Hotel Engert, o Baile dos Ricos, uai. Na Praça XV, atual Getúlio Vargas, acontecia o desfile de automóveis conversíveis, o Corso, onde “belas e gentis senhoritas exibiam seus charmes, atirando confetes e serpentinas no público presente”.

A primeira escola de samba friburguense, a Alunos do Samba, foi fundada em 1946 e no ano seguinte era realizado o primeiro concurso de escolas de samba de Nova Friburgo, em frente ao Clube de Xadrez, na Avenida Galdino do Vale Filho. Em 1956 os desfiles foram transferidos para a Avenida Alberto Braune, onde estão até hoje.

O Carnaval varia de cidade para cidade e o de Nova Friburgo é nitidamente influenciado pelo do Rio de Janeiro. Aliás, o formato atual lembra muito os antigos desfiles na Avenida Rio Branco, abertos ao público. Os bailes nos clubes de nossa cidade e os blocos, organizados ou não, completam o quadro básico.

Mas os tempos mudaram e o Carnaval, principalmente nos grandes centros, virou um negócio muito sério, envolvendo televisão, patrocínios caríssimos, subvenções, tecnologia, sambódromos, turismo e um enorme contingente de profissionais que vivem exclusivamente disso. A era romântica da escola que dependia apenas da comunidade, ficou definitivamente para trás.

Nova Friburgo não acompanhou essa, sem trocadilho, globalização e se manteve bem popular, fiel às suas origens. Os desfiles continuam gratuitos e as escolas se esmeram para oferecer um espetáculo digno e empolgante, assim como os blocos que abrem os trabalhos na sexta-feira ou saem pelos bairros nos demais dias da festa.

No ano passado, ainda sob o impacto da tragédia de janeiro, não organizamos o nosso Carnaval. Ninguém tinha motivo para festejar coisa alguma e precisávamos reconstruir nossas vidas. Durante todo o ano, em meio a instabilidade política que praticamente paralisou a cidade, chegou a ser aventada a hipótese de não realizar a edição de 2012.

Pois é, sei que é estranho um sujeito que não gosta de carnaval dar esse tipo de palpite, mas sou completamente a favor da realização da festa. Precisamos de toda a ajuda possível e concordo que a visão da cidade, com suas encostas desprotegidas, ruas enlameadas toda a vez que chove e um enorme aspecto de abandono, desanima qualquer um.

E não estou falando só em turistas, não. O aspecto de Nova Friburgo no Ano Novo foi deprimente: as ruas completamente vazias, tudo fechado, quase uma cidade fantasma. Será que isso faz bem para nossa auto-estima? Claro que não e só de imaginar como ficaria a cidade no feriadão, sem qualquer evento, chego a me arrepiar!

Precisamos movimentar a economia e mostrar para quem nos visita que ainda somos a mesma cidade bela e hospitaleira de sempre. Nosso Carnaval é animado e tenho certeza que todos os que estão diretamente envolvidos com a sua organização, vão fazer o máximo para levar alegria e diversão principalmente aos friburguenses.

É isso, meus amigos. Sem medo algum, vamos colocar os blocos nas ruas, rindo de nós mesmos. Mostrar para nossas crianças que elas ainda podem brincar e acreditar que, realmente, dias melhores virão. E para nós, friburguenses ou não, basta passar uma tinta branca no rosto e amarrar uma bola vermelha no nariz. Garanto que 2012 vai ficar conhecido como o ano que o povo de Nova Friburgo inundou as ruas da cidade de palhaços.

Que venha o carnaval!

De olho nos prédios

A Voz da Serra, 2/2/2012

O trágico desabamento de três edifícios no centro da cidade do Rio de Janeiro imediatamente remete à pergunta: como estarão os prédios de Nova Friburgo? A dúvida é pertinente e possivelmente está sendo feita em todas as cidades brasileiras. A hipótese mais provável para explicar o acidente teria sido uma obra irregular e, para variar, a eterna falta de fiscalização.

Pouquíssimas prefeituras tem estrutura ou até mesmo legislação sobre o assunto. Curitiba e Recife, se não me engano, estão entre elas e efetuam vistorias periodicamente ou em casos de denúncias. Mas apenas a autuação do condomínio não é suficiente: a fiscalização tem que continuar até que todas as obras exigidas sejam realizadas.

Não tenho a menor noção do estado de conservação dos velhos prédios friburguenses. Na Praça Getúlio Vargas, por exemplo, é possível observar uma série de imóveis, alguns até mesmo ocupados por órgãos oficiais, em péssimo estado, pelo menos externamente. Será que passariam em uma vistoria? Seus para-raios e equipamentos para combate de incêndios, como extintores e mangueiras, estão em boas condições? Moradores e funcionários tem noção do seu uso?

As instalações gás são seguras? E a rede elétrica? O número de aparelhos de ar condicionado tem aumentado muito em Nova Friburgo: será que as instalações existentes suportam esse aumento de carga? Vazamentos e infiltrações de água, que acabam com paredes e pisos, já foram sanados? As vistorias dos elevadores estão em dia? Escadas de emergência sinalizadas e livres? O número de itens a serem verificados é enorme e dizem respeito à nossa segurança.

As reformas ou obras realizadas foram licenciadas na Prefeitura? Os projetos foram elaborados por profissionais do setor, devidamente registrados no CREA? Tudo isso pode parecer um exagero mas, diante da dimensão do aparente descaso que resultou na morte de 17 pessoas e a queda dos prédios no Rio, completamente justificável e necessário.

Tragédias são sempre deploráveis mas temos a obrigação de tirar algum tipo de lição. Tal como nos acidentes aéreos, saber o que saiu errado evita sua repetição. Agir preventivamente, fiscalizando e corrigindo as irregularidades encontradas, além de informar e educar proprietários e usuários é a única maneira de impedir a perda de vidas e a destruição de bens.

É bom deixar claro que prédios velhos não são sinônimos de risco e com boa manutenção e respeito às suas características, ainda vão durar muito. No entanto, não convém ficar sentado, esperando a ajuda cair do céu. Se você tem alguma dúvida quanto a segurança do seu imóvel, entre imediatamente em contato com a Defesa Civil.

Sua vida vale muito mais!

Uma cidade turística

A Voz da Serra

Será que ainda somos uma cidade turística? O aspecto do Centro, no primeiro dia do ano, era desanimador. Afinal, além da chuva que desde outubro encharca a cidade e nos deixa cheios de preocupações, não havia nenhum estabelecimento comercial aberto, sequer um restaurante ou barzinho para beliscar.

A imagem de uma cidade fantasma no dia primeiro não é nenhum exagero. Pessoalmente até gosto, aproveitando para acordar muito tarde e simplesmente não fazer absolutamente nada, tipo desligadão total. Mas como explicar essa situação para um turista, obrigado a permanecer dentro do quarto do seu hotel ou pousada, olhando a chuva cair e jogando paciência, se ainda tiver alguma?

É complicado e sei bem o que é isso, já que antes de morar aqui subi várias vezes como turista para passar o ano. Com o tempo aprendi a correr no dia seguinte para o velho e tradicional Majórica, lá na praça, aproveitar bem o almoço com os bons vinhos da casa e voltar caminhando, é claro, feliz da vida para o hotel.

Mas a churrascaria acabou e, pelo visto, todo mundo resolveu tirar férias, deixando o Primeiro Distrito sem nenhuma atração. E por que não ir para Lumiar ou São Pedro da Serra? Ora, meus caros, como ex-turista posso garantir que jamais, depois de uma farra no réveillon, teria cabeça, com ou sem dor, para um banho de rio gelado, ainda mais com todo esse chuvão.

Mas divago e me afasto da pergunta inicial. Tem quem afirme que não, lembrando que a situação atual é muito complicada: poucas unidades hoteleiras, o desaparecimento das convenções das grandes empresas da capital e falta de eventos importantes. Concordo e complemento, a divulgação da marca Nova Friburgo está muito deficiente e não é de hoje.

Sabemos que nosso município, por suas características geográficas e climáticas, tem todo o potencial para atrair visitantes do mundo inteiro. Turismo, com T maiúsculo, é um assunto muito sério, um ótimo negócio para quem visita e quem recebe, desde quem encarado com profissionalismo, dedicação e inovação.

Campos do Jordão, em São Paulo, por exemplo, tem no turismo sua principal atividade econômica. O assunto é tão levado à sério, que o antigo Grande Hotel virou um hotel-faculdade, para formação de mão de obra especializada. Gramado e Canela, nossa vizinha Petrópolis, São Joaquim e sua neve catarinense e Penedo, a terra dos finlandeses, ali perto de Resende, são alguns bons exemplos.

É claro que Nova Friburgo é uma cidade turística. E quando afirmo isso, estou incluindo Lumiar, São Pedro da Serra, Boa Esperança, Conquista, Três Picos e tantos outros lugares que até mesmo muitos friburguenses nem conhecem. O circulo vicioso – comércio fecha porque não tem turista e turista não vem porque o comércio fecha – tem que ser quebrado.

Vamos pensar no turismo de aventura, ecológico, esportivo, rural, cultural, urbano, radical e até mesmo naquela turma que só viaja para dormir e encher a pança. Todos são turistas, uai! Nova Friburgo tem um patrimônio natural incomparável, sabe receber os visitantes e só precisa reencontrar sua vocação!

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Um dos assuntos recorrentes aqui na cidade, desde o trágico 12 de janeiro, é a suspeita que de que o número de vítimas fatais nas cidades da Região Serrana foi bem maior do que o anunciado, para evitar uma possível intervenção da ONU – Organização das Nações Unidas aqui na região.

Já conversei com amigos, pesquisei e a resposta sempre tem sido a mesma: a ONU não atua em nenhum evento deste tipo, a não ser que sua ajuda seja solicitada pelos governos interessados. A intervenção unilateral em qualquer país só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança, como foi por ocasião da Guerra do Golfo, em 1990 e o apoio militar aos rebeldes que derrubaram o Kadafi, na Líbia, no ano passado.

No Brasil tivemos, em 1967, a tragédia da Serra das Araras, perto de Paracambi, no Estado do Rio, que resultou na morte de 1.700 pessoas, naquele que é considerado o nosso maior acidente natural. Eu mesmo, como um sobrevivente (estava em um ônibus da Cometa, indo para São Paulo), posso garantir que só vi tropas do exército e bombeiros trabalhando no resgate.

Ano passado o Japão perdeu mais de dez mil cidadãos em um terremoto, seguido de uma tsunami e, como desgraça pouca é bobagem, um sem número de contaminados com o vazamento em reatores nucleares. Em nenhum momento o governo japonês sequer falou em socorro da ONU…

Mas, para não dizer que essa história é pura lenda urbana, vejam só o que achei na edição de 15 de janeiro do ano passado, do Estado de SP:

“O serviço humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) ofereceu ajuda ao Brasil e se colocou à disposição para auxiliar no resgate e atendimento à população após um dos maiores desastres naturais da história do País. Mas, apesar de contatos diplomáticos, o governo brasileiro optou por não aceitar a participação da ONU nos trabalhos. Nos últimos anos, aceitar o envolvimento das Nações Unidas se transformou, na visão de vários governos, em certificado de incapacidade desses políticos de lidar com problemas domésticos.”

Acho que isso explica tudo, não é mesmo?

Hora de escrever

Quanto custa um trabalho intelectual? Para ser direto, será que escrever um artigo regularmente, até mesmo aqui para o blog não deveria ter algum tipo de retorno? Escrever exige pesquisa, tempo, atenção, disciplina e dedicação, sem esquecer o mais importante, honestidade e transparência.

Escrever é também um trabalho braçal. A sensação de sentar diante de um monitor vazio, com o prazo de entrega estourando e a vaga sensação de que não tem absolutamente nada para dizer é sempre angustiante. Isso sem falar na preocupação com a grafia correta, a acentuação, uso de vírgulas, a fluidez do texto e, é claro, sua inteligibilidade.

Ernest Hemingway dizia que “se um escritor deixa de observar, está liquidado.” Escrever, para mim pelo menos, é ver, processar e informar. Aliás, informação, meus caros, nas mãos erradas, pode ser uma arma muito perigosa. É bom lembrar que quem vence as guerras escreve a sua verdade e não necessáriamente a verdade, não é mesmo? Ou meias verdades, que são piores ainda.

A liberdade de expressão , sobretudo sobre política e questões públicas é o suporte vital de qualquer democracia e acrescento também como vital, o direito à informação. Esconder, mentir ou suprimir informações, ainda mais envolvendo a segurança do cidadão e seu patrimônio, deveria ser um crime hediondo.

Qualquer pessoa sempre tem algo a dizer, mas bem poucos se atrevem a escrever e se expor. Afinal, “escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.”(Clarice Lispector)

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Foto: Carlos Emerson Junior

ONU em Nova Friburgo

Gostaria muito de saber de onde saiu essa ideia de que se o número de mortos em um desastre natural passar de mil ou cinco mil pessoas, a ONU interviria automaticamente, assumindo o controle da cidade, estado ou país afetado. Ouvi essa afirmação várias vezes ao longo do ano que passou e, inclusive, que o verdadeiro número de mortos em Nova Friburgo teria sido muito maior do que o oficialmente anunciado, exatamente para evitar essa ação.

Já conversei com amigos, pesquisei e a resposta sempre tem sido a mesma: a ONU não atua em nenhum evento deste tipo, com qualquer número de mortos, a não ser que sua ajuda seja solicitada pelos governos interessados. A intervenção unilateral em qualquer país só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança, como foi por ocasião da Guerra do Golfo, em 1990 e o apoio militar aos rebeldes que derrubaram o Kadafi, na Líbia, em 2011.

De quebra, aí vão alguns exemplos: o acidente nuclear de Chernobil, na extinta URSS, provocou a evacuação de 200 mil pessoas, a morte estimada de 4 mil e a contaminação de enormes áreas da Ucrânia, Bielorússia e Rússia. O governo soviético escondeu o máximo que pode e só permitiu a entrada da comunidade científica internacional quando perdeu o controle da situação.

No Brasil tivemos, em 1967, a tragédia da Serra das Araras, perto de Paracambi, no Estado do Rio, que resultou na morte de 1.700 pessoas, naquele que é considerado o nosso maior acidente natural. Eu mesmo, como um sobrevivente (estava em um ônibus da Cometa, indo para São Paulo), posso garantir que só vi tropas do exército e bombeiros trabalhando no resgate.

Ano passado o Japão perdeu mais de dez mil cidadãos em um terremoto, seguido de uma tsunami e, como desgraça pouca é bobagem, um sem número de contaminados com o vazamento em reatores nucleares. Em nenhum momento o governo japonês sequer falou em socorro da ONU…

Enfim, continuo com a dúvida. Se existe mesmo essa regra, por que não foi aplicada no Sudão, país africano onde já foram massacradas mais de dois milhões de pessoas por razões puramente étnicas? E onde estão os capacetes azuis para impedir mais mortes na Síria, por exemplo, onde já perderam a vida mais de cinco mil pessoas?

Sei não, será que essa história não é mais uma lenda urbana? Cartas para o Blog!

Sirenes são apenas um alerta

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A Voz da Serra

Choveu forte neste final de semana e o Córrego D’Antas mais uma vez foi bem atingido. O rio transbordou, a ponte provisória foi levada pelas águas mas, felizmente, não tivemos nenhuma vítima para prantear.

As sirenes não soaram. Segundo Marilene Ramos, presidente do INEA, “a sirene que está funcionando em Friburgo é para deslizamentos de encostas, e não havia o nível de chuva suficiente. Entretanto, foram dados dois alertas de inundação. O que não aconteceu foi o alerta de transbordamento. Que acontece via SMS. Houve um problema técnico na estação que ainda está passando por fases de ajustes“.

As autoridades estão devendo, desde a tragédia de janeiro, a dragagem do rio e a construção de uma ponte definitiva. Aliás, a ponte provisória que caiu foi reerguida no domingo por voluntários da Cruz Vermelha de Nova Friburgo, em uma demonstração de solidariedade que serve de exemplo diante da omissão do poder público com a segurança e o bem estar dos seus cidadãos.

A instalação das sirenes, cercadas de muita expectativa, foi a única providência tomada para garantir a segurança de Nova Friburgo nesta estação de chuvas. Muito pouco, convenhamos. Sirenes são apenas alarmes, nunca a solução. Além do mais, nosso sistema é precário porque não tem câmeras de monitoramento, depende de sites de terceiros, não dispõe de uma central de operações e muito menos um radar meteorológico.

A Defesa Civil friburguense ainda é uma subsecretaria, não tem autonomia e verbas. Faltam engenheiros, geólogos, equipamentos e, mais uma vez, precisamos contar com a boa vontade e disposição de abnegados que tentam fazer seu serviço, a nossa proteção, da melhor maneira possível.

Estamos cansados de promessas vãs e palavras ao vento. Só teremos paz quando as obras de reconstrução e proteção da cidade forem iniciadas, se é que algum dia o serão. Enquanto isso, a cada chuva seremos obrigados a ficar de olho na barreira do lado e nos níveis dos rios, insones à espera do pior.

Só que paciência tem limites e a população jamais aceitará passar mais um verão correndo para fora de casa toda a vez que as sirenes soarem. Aliás, um ditado popular diz que “um dia a casa cai” e a próxima, senhores, pode não ser a dos moradores e sim as casas legislativa e executiva do município.

As eleições de outubro de 2012 estão aí e vamos dar uma resposta à altura do seu pouco caso e desrespeito com os moradores de Nova Friburgo.

O causo do Padre Rômulo

Folclore gaúcho

Não é que havia um padre lá no Alegrete chamado Rômulo, cheio de virtudes, bom sujeito mas tinha uma coisa, não gostava de castelhanos. Não gostava não, tinha pavor! Para ele, filho de índio rústico com tradições guerreiras contra os países do Prata, tudo que era de ruim vinha lá do outro lado da fronteira.

Tanto andou, criou e mexeu, que um dia o Arcebispo perdeu a paciência e mandou chamar o homem:

— Padre Rômulo, agora chega! O senhor tem que acabar com essa mania de botar defeito em castelhano.

— Senhor Arcebispo, eu não preciso botar defeito nos castelhanos, eles já tem todos

— Não vou repreendê-lo, padre, mas o senhor vai ser o vigário de Uruguaiana, para aprender que castelhano também é filho de Deus e em consequência, seu irmão.

— Filho de Deus…. só que seja filho da…

— Padre Rômulo!!!!!

E assim, o padre Rômulo foi servir em Uruguaiana, que à época vivia cheia de castelhanos, tudo fazendo compras. No primeiro sermão que proferiu, com a igreja cheia de argentinos e uruguaios, o padre já começou com chute de matar pato:

— Caríssimos irmãos. O sermão de hoje é sobre uma correntina safada chamada Maria Madalena, filha de soldado, que andou passando na cara tudo que era centurião romano.

No outro domingo iniciou o sermão:

— Conta a Bíblia que um castelhano chamado Caim certa feita, por qualquer bobagem, deu uma pedrada na cabeça do pobrezinho do seu irmão Abel….

E tome paulada em cima. Para o padre, os filisteus eram todos correntinos da pior espécie e os fariseus hipócritas era os castelhanos da época. Cristo, certa feita, passara o laço nos castelhanos lasqueados que andaram bolichando no templo.

Até que um dia o Delegado mandou chamar o padre Rômulo à delegacia de polícia:

— Olha, Padre Rômulo, não aguento mais tanta queixa sobre o senhor. Os argentinos e uruguaios querem que eu lhe prenda. Os comerciantes, que estão perdendo os clientes, já me procuraram.

— Me procuraram também, mas eu mandei que eles fossem se queixar para o Bispo.

— Pois é, mas eu sou filho de um argentino e de uma brasileira e também perdi a paciência com o senhor.

— Delegado, o senhor manda na delegacia e eu mando na minha Igreja.

— Pois bem, se no domingo que vem, o senhor disser que fulano ou sicrano era correntino ou castelhano, o senhor sai preso do púlpito. E vou estar no primeiro banco.

Padre Rômulo deu as costas furioso e foi embora, batendo as portas. No domingo, pela manhã, dito e feito: lá estava o Delegado, sério e brabo, com o volume do revólver e das algemas aparecendo por baixo do casaco. Sentou na primeira fila, olhou o padre e deu umas palmadinhas significativas na cintura.

O Padre entendeu direitinho a ameaça, pigarreou e atacou o sermão, em pleno Domingo de Páscoa:

— Caríssimos Irmãos. Sentindo chegar a hora, Cristo reuniu os Apóstolos para uma última ceia. Lá pelas tantas disse: um de vocês vai me trair.

O Delegado deu um pulo no banco. Abriu o casaco e olhou feio para o Padre, que viu bem tudo mas continuou fingindo que não tinha visto nada.

— Pedro então disse: serei eu, Senhor ? Cristo balançou a cabeça. Thiago então perguntou: serei eu, Senhor ? E Cristo balançou a cabeça outra vez.   E Judas então perguntou: Señor, ¿acaso seré yo?

 

Para quem preferir ouvir a narrativa, contada pelos Os Fagundes, gauchada legítima e de ótimo humor, basta clicar no player logo abaixo. Ah sim, correntinos e correntinas são cidadãos de Corrientes, cidade argentina da fronteira.

História do Pingo

Pingopor Fatima Emerson

Vocês não conheceram o Pingo…

Foi o “nosso” primeiro cachorro. Só não sabiamos disso. Eu que sempre fui apavorada com bichos, aprendi a conviver com o Pingo, na portaria do meu prédio.

Quando nos mudamos para Copacabana, havia um cachorro preto, aspecto de vira latas (ou sendo politicamente correta, “sem raça definida”) que, apesar de ter um dono, perambulava pelas ruas do Posto 4 com muita desenvoltura.

A maior parte do tempo ele permanecia na porta do nosso prédio, no seu posto de sentinela na calçada, sentado na área externa da portaria, que naquela época não tinha grades à sua volta como hoje. E as pessoas passavam, cumprimentavam o porteiro, quem mais estivesse na portaria e acrescentavam:

– Olá Pingo!

– Bom dia Pingo!

Era um cão sério, raramente pulava e mantinha um ar de altivez, paz e responsabilidade na guarda da portaria, nem se mexia. À noitinha, retornava ao apartamento do seu dono.

Às vezes, quando caminhávamos na praia, aproveitando o sol da Avenida Atlântica, esbarravamos no amigo canino. E onde passava tinha sempre alguém que o reconhecia:

– Olá Pingo!

– Você por aqui, Pingo?

Um carinho, um agrado… Ele? nunca latia, parava com um, com outro ou mesmo seguia em sua caminhada diária. Naqueles tempos, cães podiam andar livremente na praia e nas areias, sem causarem espanto.

Um dia seguimos o Pingo: ele ia seguro pelas ruas do Posto 5 em Copacabana. Ao chegar numa esquina, esperou pacientemente que se juntassem várias pessoas e se posicionou – só atravessou quando todos foram juntos. Aí aprendemos o seu segredo e porque nunca foi atropelado.

Todos os dias, a mesma coisa. E todos já contavam com aquela rotina silenciosa, seus olhos castanhos, brilhantes e amorosos, como um sinal de que tudo estava em paz.

Mas, com o tempo, Pingo foi ficando malhado, seus pelos embranqueceram e sua altivez se modificou. Passou a caminhar menos e quando o fazia, preferia a companhia do seu dono. Numa das ultimas vezes em que o vi, ia carregado no colo para a praia que tanto amava. E, um dia, silenciosamente, Pingo se foi.

Junto com ele, foi um pouquinho de todos nós, que sentimos a falta da sua companhia, cão de um dono, mas cão de todos nós. E, se há um céu dedicado aos cães, tenho certeza de que o Pingo está por lá, numa praia ensolarada, sem carros, com imensa areia branca fresquinha, ondas baixinhas, verdadeiras marolas como ele gostava, onde hoje ele corre, brinca e se esbalda!

Publicado no Maria Filomena – Uma história de amor, em 17 de julho de 2011.

Foto: Nenhum Animal é Brinquedo