Arrastão do medo

foto: Carlos Emerson Junior
foto: Carlos Emerson Junior

Rua Barata Ribeiro, Posto 4, Copacabana, Rio. 14 e trinta. Assim que dobrei a esquina com a Dias da Rocha vi o tamanho da confusão: uns trinta garotos, divididos em 3 grupos, nas duas calçadas e no meio da via, bem espalhados, quase que ocupando o todo o quarteirão, caminhavam sem camisas, provocando os pedestres e cercando os carros na rua. Fechando o grupo, uns quatro marmanjos bem fortes, dois de cada lado, como se seguranças fossem…

Imediatamente entrei no primeiro botequim que achei, junto com outros incautos, esperando a horda passar. O sentimento de todos ali, meus caros, era de desalento com o abandono e falta de perspectiva daqueles jovens e revolta com a tal pacificação vendida pelo governo do estado e os jornais cariocas. Os garotos seguiram em direção ao Leme, aparentemente só com intuito de intimidar. Cada um de nós seguiu seu rumo, mas a pergunta que fica no ar, é sempre a mesma:

– E se isso acontece na Copa?

Remédio para o Brasil

O veneno de rato, popularmente conhecido como “chumbinho”, é ilegal e perigoso, já que seu uso está relacionado com assassinatos, suicídios, e mortes por intoxicação acidental. Para piorar, seu uso como raticida é discutível, já que estudos do hábito dos ratos demonstram que comumente é o mais velho o primeiro a se alimentar e, logo que ele morre, os mais novos rejeitam o alimento. Nesse caso, os anticoagulantes são mais eficazes.

No entanto, outros tipos de “ratos”, especialmente aqueles que se alimentam com o dinheiro público, precisam ser eliminados. Que tal criarmos um poderoso veneno para esses roedores? Em 2014 temos eleições: hora de usar o melhor raticida, o nosso voto! E não se esqueça, se um “rato” for visto em ação, denuncie ao Ministério Público. Eles sabem como colocar esses animais atrás das grades.

Uma carioca em Paris

por Regina Saldanha

Adoramos a viagem!!! Paris é linda… Andamos até a exaustão por aquelas ruas largas, rezamos em todas as igrejas que encontramos pelo caminho – e como tem igreja… – subimos até o topo da Torre Eiffell (com uma excursão de estudantes austríacos que precisavam de 2 pessoas para fechar o pacote deles. Eles nos olhavam como se fôssemos 2 ETs!), entendemos a alma do Louvre e conseguimos ver tudo o que queríamos, incluindo a Gioconda que, diante de toda a grandeza das obras expostas, torna-se simples demais.

Sentamos naqueles cafés de mesas ridiculamente pequenas, com garçons nem sempre amigáveis, e tomamos muita cerveja 1664, deliciosa! Comemos mal, porque a comida é muito cara e não vale o que cobram. Passeamos de barco pelo Sena, nos encantamos com as pontes, andamos de metrô, nos perdemos, ficamos admirados com a elegância das francesas – e dos franceses também. Como são cheios de estilo e personalidade para se vestir.

Assistimos até a lavagem dos degraus da igreja de Santa Maria Madalena – a Lavage de la Madeleine –  promovida por brasileiros, completando 10 anos já, imagine! Depois fomos ao Barrio Latino, na Bastilha, comer feijoada e tomar caipirinha… Muitos turistas, muitos brasileiros, e um frio de cortar a alma… Tivemos que comprar cachecol, gorro e luvas de lã. Nas fotos estamos sempre com a mesma roupa. Meus modelitos de verão ficaram na mala. Mas mesmo que ainda seja outono, em Paris só muito agasalhada, com bastante estilo, por favor…

Eu voltei tão afrancesada que agora só ando de trem. Fui hoje à Madureira, de trem da SuperVia, adorei. Me senti na Gare de l’Est, que aliás, é muito suja e cheira a mijo!!! (a Gare de l’Est, por favor). E os franceses não gostam muito de explicar as rotinas deles. Falam muito, rápido e percebem muito bem que você não está entendendo. Coisas pequenas…

As estações do metrô também são desprovidas de qualquer atrativo, os trens são pequenos, quentes, não há qualquer preocupação com a acessibilidade, as pessoas não cedem lugar aos mais velhos (o que já tínhamos observado na Bélgica), e, como por duas vezes pegamos o metrô às 6 da manhã, vimos pessoas dormindo nos bancos das plataformas – tipo população de rua – indiferentes ao movimento dos passageiros, alguns com a indefectível garrafa (aqui seria de pinga) sob o banco.

Também, com aquele frio…

Mas o sistema de metrô deles é fantástico, é de matar de inveja e os acessos nas calçadas muito discretos, em Art Noveau, sempre com um mega mapa da região, com o indefectível “Você está aqui” é tudo de bom para turista perdido à noite, morrendo de frio. Tenho horror às nossas estações faraônicas e medonhas, tipo Cantagalo e General Osório. Essa última, então, me faz prantear convulsivamente toda vez que a vejo. (olha o estilo rebuscado outra vez. Eu quase pranteei no trem para Madureira hoje e ainda fiz uma amiga, santista, que sentou ao meu lado, me pediu para não esquecer o nome e, quando eu for a Santos, procurá-la para tomarmos um café juntas. Gente, isso é Madureira, não é Paris…) Aliás, ela disse que só no Rio se faz amigos assim tão rapidamente.

Aliás, outra vez, quando saímos do avião aqui, vimos que o tênis da senhora que ia na nossa frente estava desamarrado. Não só avisamos como seguramos o casaco e apoiamos a bolsa dela para que ela pudesse se abaixar e amarrar o sapato. Ela agradeceu e disse “a gente sabe que está no Rio de Janeiro porque só aqui alguém se preocupa com o nosso sapato desamarrado…” Pois não é que logo em seguida um saco plástico veio não sei de onde e se enrolou no mesmo pé dela? Lá fomos nós segurá-la e desenrolar o saco. Acho que alguém devia estar fazendo uma reza forte para ela não entrar na cidade. Alguma nora, talvez… Cruz!!! Mas ela não precisa saber que os cariocas também pensam essas coisas…

Chega, já ocupei demais os olhos e os cérebros de vocês! Vamos combinar alguma coisa, antes da viagem da Mari. Um beijinho, e podem ter certeza que em todas as igrejas rezamos muito pela felicidade de todos.

Colégio Anchieta

Ícone de Nova Friburgo, o Colégio Anchieta foi fundado por padres e irmãos jesuítas vindos da Itália, no dia 12 de abril de 1886, funcionando inicialmente na casa-grande de uma antiga fazenda do Morro Queimado, chamada de “Château” pelos colonos suíços. Em 1908 inaugurou o prédio em estilo neoclássico, que ocupa até hoje. Sua conservação serve de exemplo para outros imóveis históricos de nossa cidade. Sem dúvida, vale uma visita e um passeio pelos seus jardins.

Fotos: Carlos Emerson Junior

E que venha mais um ano!

Ano-Novo-2013

De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos
ser interrompidos antes de terminar

Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir!

Fernando Sabino (O Encontro Marcado, Editora Record)

*****

E que venha mais um ano, meus queridos amigos! Afinal, quem vai fazer 2013 somos nós mesmos. Felicidades, muita saúde e vamos em frente!

Uma tarde nas compras

A gente luta, protesta, resiste, esperneia e até mesmo grita mas não tem jeito, por bem ou por mal acaba tendo que fazer as compras de Natal! No meu caso, nem deu para argumentar, a Vivo deletou minha conta de telefone de Friburgo e a única maneira de abrir uma nova é nas lojas oficiais das operadoras que, por uma estranha coincidência, funcionam nos melhores e piores shopping centers do Rio.

Encarar a loja da Claro até foi moleza, surpreendentemente vazia. Chip novo comprado, ativado e instalado, lá fomos nós para a segunda e mais importante tarefa do dia, segundo a ala feminina da família, atacar a lista de presentes. Haja pé para andar, sacolas para carregar e dinheiro para gastar. Santa Claus, me ajude!

Mas nem tudo é tão ruim assim, juro! Foi sair da loja da operadora para o celular com a linha de Nova Friburgo tocar:

– Oi Fred, você já está na Prefeitura?
– Não meu amigo, eu sou o Carlos e estou no Rio Sul.
– ??????
– Pois é… e não precisa me dar os pêsames.
– Hahahaha, desculpe Carlos e boas compras.
– Isso é ironia, né?

Pois é, o camarada liga errado e ainda tira sarro! Eu mereço, até mesmo porque a partir daí começou a chover na cidade e todo mundo que estava na rua (e até mesmo em casa, carioca tem umas manias estranhas) resolveu vir para o shopping. E tome fila nas escadas rolantes, nos banheiros, nas lojas mais populares, nos restaurantes e lanchonetes. Caminhar carregando umas dez sacolas em cada uma das mãos passou a ficar muito complicado.

De qualquer maneira, que remédio, a gente acaba se divertindo. Afinal é dezembro, o Natal vem aí mas depois dessa data o mercado só vai exigir nosso sacrifício aos deuses do consumo no mês de maio do ano que vem, no Dia das Mães. Até lá, dá para recuperar o prejuízo (e o juízo).

Boas compras!

O futuro do livro é agora

1822

A chegada da Amazon e da Livraria Cultura no mercado brasileiro, com suas lojas online e leitores eletrônicos, agitou e talvez tenha sido a grande novidade deste final de ano. O jornalista Pedro Dória, um dos meus gurus em tecnologia, no entanto alerta:

“Faz meses, já, que o mercado brasileiro vinha sendo aquecido para a chegada dos e-books. E, aí, tanto Livraria Cultura quanto Amazon se lançaram ao jogo no mesmo dia. Alguns dos acordos com editoras foram fechados em cima da hora. E, isso desaponta por certo os consumidores, os preços não são tão mais baixos assim. De cara, parece injusto. Mas é tudo resultado de uma dança complexa.”

É verdade, os preços não são os mesmos da loja americana, pelo contrário. Um acordo com as principais editoras brasileiras impede que os descontos do livro eletrônico ultrapassem 20%, 30% dos seu similar impresso e o Kindle lançado aqui não pode ser considerado uma pechincha.

No entanto, acredito na reversão desse quadro. Na estreia do site, comprei imediatamente três livros, o famoso “1808” do jornalista Laurentino Gomes, “Inferno: o mundo em guerra 1939-1945” de Max Hastings, curiosamente muito bem resenhado e recomendado pela querida Cora Rónai em sua crônica da semana retrasada e “O Vendedor de Passados”, do angolano José Eduardo Agualusa. Nenhum deles custou mais do que 28 reais, bem abaixo dos 40 reais que já tinha encontrado em suas edições impressas na Saraiva e Travessa.

Sou leitor compulsivo de livros e usuário constante de um Kindle Touch, que comprei de uma filha que esteve no exterior. A facilidade de manuseio, o peso levíssimo e a qualidade de sua tela, emulando uma página de livro, tornam a leitura um prazer em qualquer lugar e, não à toa, é o meu fiel companheiro inclusive nas longas viagens para o Rio. Aliás, se deixar levo o tablet para qualquer lugar. Quer programa melhor do que sentar num café para ler um livro?

Pois é, mas o grande benefício da vinda da Amazon ainda não chamou a atenção. De agora em diante, novos escritores poderão publicar seus trabalhos diretamente na loja online, o que deve abrir um enorme espaço para a entrada de bons nomes no mercado.

A verdade, meus caros, é que por mais que quem adore uma capa ou cheiro de papel fique pressuroso com o futuro dos seus amados livros impressos, não há como negar que o livro eletrônico chegou para ficar.

Uma foca na praia

Imagine só: você está tranquilão (ou tranquilona) na praia, resolve dar um mergulho, faz pose para os paparazzi e TCHIBUM!!!, mergulha no mar com a sutileza de um… brasileiro (ou brasileira), vira o corpo, sobe para a superfície, tira a água do rosto e dá de cara com uma foca, paradona, só olhando sua “exibição”.

E agora, o que fazer? O bicho é grande, tem pelo menos 1,70m de comprimento e deve pesar uns 100 quilos. Será que foca morde? Devo falar alguma coisa com voz de criança, fazer cafuné ou nadar o mais rápido possível na direção oposta? Para sua sorte, humanos não estão na cadeia alimentar das focas e aí basta se afastar tranquilamente.

A cena é insólita mas aconteceu mesmo com minha filha que está morando em Vancouver, no Canadá. A diferença é que ela mergulhou de um barco e nem raciocinou quando deu de cara com o focídeo: saltou de volta para dentro da embarcação! Ah sim, para piorar, o mar estava quase congelado e o bicho nem te ligo, continuou seu caminho, possivelmente achando que os humanos são muito estranhos…

Fim de semana no Rio

A Voz da Serra

A movimentação começou no sábado, bem cedinho: caminhões estacionando, o pessoal do trânsito fechando uma parte da via, tendas montadas na calçada, holofotes, rebatedores de luz e equipamentos de som para todos os lados, um gerador enorme alimentando toda essa parafernália. Apesar da chuva fina que caia desde a véspera, a equipe de filmagem de “Mato sem cachorro” montou o seu set bem na nossa rua e sem mais delongas, iniciou os trabalhos. Afinal, tempo é dinheiro, não é mesmo?

O que parecia ser um transtorno acabou virando diversão pura e o relacionamento com os moradores foi tão bom que ficamos com pena quando as filmagens terminaram no domingo. O trânsito não foi afetado e o único pedido dos produtores foi para que o público fizesse silêncio quando as cenas eram gravadas. Os três principais protagonistas, Leandra Leal, Bruno Gagliasso e um cachorro da raça Border Collier são muito simpáticos, apesar do último não ter entendido o meu pedido de autógrafo!

Para quem ama o cinema, foi uma festa. Gostei e fico pensando que o Rio, uma cidade tão fotogênica e receptiva, bem que podia ser mais usada para essas atividades tal como Nova York, que se orgulha de receber a produção de quase todos os filmes e séries em suas ruas e praças. E olha que o novaiorquino é muito mais fechado que do que nós!

*****

Você já se sentiu um turista na cidade onde nasceu, cresceu e morou a vida inteira? Pois é, foi exatamente essa a sensação que tive neste final de semana chuvoso e solar, na Cidade Maravilhosa. Uma coisa eu garanto, faz tempo que via tantos “gringos” por metro quadrado como em Copacabana. A cidade, ou melhor, o bairro está bem policiado e, finalmente de forma discreta, sem aqueles fuzis apavorantes pendurados nas janelas das patrulhas. A sensação de segurança melhorou e quando o sol saiu, todo mundo foi para as ruas, no caso, a praia.

No entanto, colocando-me no lugar de um turista (o que de certa forma não é mentira, já que moro aqui em Nova Friburgo), senti falta de placas indicativas em inglês. Aliás, chega a ser preocupante o desconhecimento da língua inglesa pela população carioca. Pouquíssimos motoristas de táxi dominam o idioma e, inexplicavelmente, as informações dos novos pontos de ônibus e das estações do metrô são apenas em português. Se o Rio quer fazer bonito nos Jogos Olímpicos de 2016, tem que começar a mudar esse quadro agora.

*****

O uso das bicicletas no Rio cresceu exponencialmente. Mesmo que a maioria ainda as use para o lazer, é indiscutível que as novas ciclovias e ciclofaixas são úteis e o serviço de aluguel é um sucesso. O sistema é barato e a liberação é feita através de qualquer celular, de forma prática e segura. Não por acaso, a empresa já fala em ampliação e, graças ao uso intenso, os casos de furto e vandalismo diminuíram drasticamente.

Numa boa, torço para que os cariocas percebam que as bikes são a saída mais simples para evitar a que o trânsito do Rio fique igual ao de São Paulo. O mesmo vale para a minha querida Nova Friburgo.

*****

Incompreensível mesmo é ver o comércio de rua fechar as portas a partir de uma hora da tarde dos sábados e não abrir nos domingos. Já ouvi falar que isso se deve à concorrência dos shoppings mas, será mesmo? Quem garante que pessoas vão aos, está bom, centros de consumo exatamente porque as lojas do bairro não estão abertas? Os moradores do Rio adoram as ruas e, a não ser no alto verão, quando o calor fica insuportável, não vejo nenhum motivo para pegar uma condução e bater perna dentro de um edifício sem uma vista sequer.

*****

Fiquei com pena, mas não deu para conferir a mostra “Impressionismo: Paris e a modernidade”, que está levando uma multidão ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade, para apreciar algumas obras de gênios como Monet, Renoir, Cézanne e Van Gogh. Mas tudo bem, tenho até 13 de janeiro do ano que vem para repetir um final de semana como turista no Rio.

Aliás, um programão, palavra de carioca.

Foto: Carlos Emerson Junior

Retrato de Copacabana

Posto 6, Copacabana

por Carlos Emerson
Correio Popular, 1961

Copacabana é um pedaço da Guanabara que não se aperta de jeito nenhum. Talvez devido o fato de sua população viver comprimida numa estreita faixa de terra e entocada em apartamentos, a solução é sempre uma: desapertar.

O carioca de Copacabana tem fama de rico. Entretanto, o grosso de Copacabana é a classe média. Barnabés & Cia. Gente de orçamento limitado que luta para se manter no limite de suas posses.

Mas o habitante de Copacabana, habituado a viver espremido entre o mar e as montanhas sabe resolver os seus problemas sem se incomodar com a opinião dos outros

*****

Uma das coisas típicas de Copacabana são as festas carnavalescas. São organizadas em determinadas ruas para a criançada se divertir. Algumas dessas festas contam com meia dúzia de músicos barulhentos e outras festas com possantes “Hi-Fi”.

Disso resulta que não há preocupação para os pais que não podem comparecer aos bailes infantis das sociedades. A rua está transformada num clube ao ar livre, muito mais saudável que um recinto fechado. A rua está ornamentada e o local onde as crianças se divertem, dançam, pulam e cantam está isolado por madeiras. Há ordem e disciplina. E os adultos zelam para que os garotos tenham o seu carnaval.

Esse tipo de carnaval de rua para crianças foi iniciado pela “turma” de rapazes da rua Miguel Lemos, a qual era encabeçada pelo saudoso vereador Cristiano Lacorte.

*****

No interior, as festas juninas tem grande animação dado o fato de todas as casas terem quintal ou jardim onde podem armar fogueiras, queimarem fogos dos mais variados e, para alegria da garotada, fazerem subir os balões.

Mas a turma de Copacabana, nesse ponto, resolve também o seu problema. Na véspera de São João ou na noite de São Pedro, é grande o número de pessoas que vai para a praia carregando caixotes, caixas, sarrafos, madeiras, paus, jornais velhos e enfim tudo de velho e imprestável que tiver em casa e que sirva para fazer fogueira.

Pouco importa ao morador de Copacabana que o vejam carregando tudo isso nos ombros ou na cabeça. Ele vai se divertir com a família. E a criançada entra no regime da algazarra porque sabe que sua fogueira está garantida.

Vê-se então, surgindo ao longo da praia de Copacabana, fogueiras grandes e pequenas, onde são queimados fogos e soltos balões a despeito de toda a proibição policial.

Posso garantir que esses são os dias do ano em que eu e meus filhos mais nos divertimos.

Não resta dúvida que a praia toma mesmo um aspecto pitoresco. Deve, mesmo, apresentar o quadro assustador de uma série de incêndios para os passageiros dos navios que nesse momento venham entrando no Rio de Janeiro.

*****

Os balões juninos trazem-me a recordação de caso acontecido numa companhia seguradora européia, onde trabalhei durante muito tempo. Havia caído um balão numa fábrica segurada nessa companhia. Houve incêndio e prejuízo grande. No ano seguinte, por excesso de azar cai outro balão com incêndio e prejuízo. Recebemos então uma carta enérgica da Europa, onde perguntava aos funcionários do Brasil o que estavam fazendo que permitiam cair balões incendiários nas firmas seguradas.

Publicado no jornal Correio Popular, Campinas, SP, edição de 15 de agosto de 1961

*****

Carlos EmersonCarlos Emerson foi meu pai. Começou como ajudante nas redações dos jornais de Campinas e logo estava escrevendo. Gostava de lembrar que como jornalista cobria qualquer área. Trabalhou nos jornais “Diário do Povo”, onde aprendeu tudo o que sabia sobre jornalismo e contabilidade, “Gazeta de Campinas” e “Correio Popular”, todos de Campinas. Foi correspondente dos jornais “O Imparcial” e “O Paiz” e colaborador do “Correio da Manhã”, no Rio de Janeiro. Escreveu para as revista “Palmeiras” e “Mensagem de Campinas”, bem como para o “Jornal de Campinas”. Apesar de ter se afastado da imprensa para atuar na área contábil, continuou escrevendo e publicando suas crônicas até falecer.

Foto: Carlos Emerson Junior