O futuro do livro é agora

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A chegada da Amazon e da Livraria Cultura no mercado brasileiro, com suas lojas online e leitores eletrônicos, agitou e talvez tenha sido a grande novidade deste final de ano. O jornalista Pedro Dória, um dos meus gurus em tecnologia, no entanto alerta:

“Faz meses, já, que o mercado brasileiro vinha sendo aquecido para a chegada dos e-books. E, aí, tanto Livraria Cultura quanto Amazon se lançaram ao jogo no mesmo dia. Alguns dos acordos com editoras foram fechados em cima da hora. E, isso desaponta por certo os consumidores, os preços não são tão mais baixos assim. De cara, parece injusto. Mas é tudo resultado de uma dança complexa.”

É verdade, os preços não são os mesmos da loja americana, pelo contrário. Um acordo com as principais editoras brasileiras impede que os descontos do livro eletrônico ultrapassem 20%, 30% dos seu similar impresso e o Kindle lançado aqui não pode ser considerado uma pechincha.

No entanto, acredito na reversão desse quadro. Na estreia do site, comprei imediatamente três livros, o famoso “1808” do jornalista Laurentino Gomes, “Inferno: o mundo em guerra 1939-1945” de Max Hastings, curiosamente muito bem resenhado e recomendado pela querida Cora Rónai em sua crônica da semana retrasada e “O Vendedor de Passados”, do angolano José Eduardo Agualusa. Nenhum deles custou mais do que 28 reais, bem abaixo dos 40 reais que já tinha encontrado em suas edições impressas na Saraiva e Travessa.

Sou leitor compulsivo de livros e usuário constante de um Kindle Touch, que comprei de uma filha que esteve no exterior. A facilidade de manuseio, o peso levíssimo e a qualidade de sua tela, emulando uma página de livro, tornam a leitura um prazer em qualquer lugar e, não à toa, é o meu fiel companheiro inclusive nas longas viagens para o Rio. Aliás, se deixar levo o tablet para qualquer lugar. Quer programa melhor do que sentar num café para ler um livro?

Pois é, mas o grande benefício da vinda da Amazon ainda não chamou a atenção. De agora em diante, novos escritores poderão publicar seus trabalhos diretamente na loja online, o que deve abrir um enorme espaço para a entrada de bons nomes no mercado.

A verdade, meus caros, é que por mais que quem adore uma capa ou cheiro de papel fique pressuroso com o futuro dos seus amados livros impressos, não há como negar que o livro eletrônico chegou para ficar.

Uma foca na praia

Imagine só: você está tranquilão (ou tranquilona) na praia, resolve dar um mergulho, faz pose para os paparazzi e TCHIBUM!!!, mergulha no mar com a sutileza de um… brasileiro (ou brasileira), vira o corpo, sobe para a superfície, tira a água do rosto e dá de cara com uma foca, paradona, só olhando sua “exibição”.

E agora, o que fazer? O bicho é grande, tem pelo menos 1,70m de comprimento e deve pesar uns 100 quilos. Será que foca morde? Devo falar alguma coisa com voz de criança, fazer cafuné ou nadar o mais rápido possível na direção oposta? Para sua sorte, humanos não estão na cadeia alimentar das focas e aí basta se afastar tranquilamente.

A cena é insólita mas aconteceu mesmo com minha filha que está morando em Vancouver, no Canadá. A diferença é que ela mergulhou de um barco e nem raciocinou quando deu de cara com o focídeo: saltou de volta para dentro da embarcação! Ah sim, para piorar, o mar estava quase congelado e o bicho nem te ligo, continuou seu caminho, possivelmente achando que os humanos são muito estranhos…

Fim de semana no Rio

A Voz da Serra

A movimentação começou no sábado, bem cedinho: caminhões estacionando, o pessoal do trânsito fechando uma parte da via, tendas montadas na calçada, holofotes, rebatedores de luz e equipamentos de som para todos os lados, um gerador enorme alimentando toda essa parafernália. Apesar da chuva fina que caia desde a véspera, a equipe de filmagem de “Mato sem cachorro” montou o seu set bem na nossa rua e sem mais delongas, iniciou os trabalhos. Afinal, tempo é dinheiro, não é mesmo?

O que parecia ser um transtorno acabou virando diversão pura e o relacionamento com os moradores foi tão bom que ficamos com pena quando as filmagens terminaram no domingo. O trânsito não foi afetado e o único pedido dos produtores foi para que o público fizesse silêncio quando as cenas eram gravadas. Os três principais protagonistas, Leandra Leal, Bruno Gagliasso e um cachorro da raça Border Collier são muito simpáticos, apesar do último não ter entendido o meu pedido de autógrafo!

Para quem ama o cinema, foi uma festa. Gostei e fico pensando que o Rio, uma cidade tão fotogênica e receptiva, bem que podia ser mais usada para essas atividades tal como Nova York, que se orgulha de receber a produção de quase todos os filmes e séries em suas ruas e praças. E olha que o novaiorquino é muito mais fechado que do que nós!

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Você já se sentiu um turista na cidade onde nasceu, cresceu e morou a vida inteira? Pois é, foi exatamente essa a sensação que tive neste final de semana chuvoso e solar, na Cidade Maravilhosa. Uma coisa eu garanto, faz tempo que via tantos “gringos” por metro quadrado como em Copacabana. A cidade, ou melhor, o bairro está bem policiado e, finalmente de forma discreta, sem aqueles fuzis apavorantes pendurados nas janelas das patrulhas. A sensação de segurança melhorou e quando o sol saiu, todo mundo foi para as ruas, no caso, a praia.

No entanto, colocando-me no lugar de um turista (o que de certa forma não é mentira, já que moro aqui em Nova Friburgo), senti falta de placas indicativas em inglês. Aliás, chega a ser preocupante o desconhecimento da língua inglesa pela população carioca. Pouquíssimos motoristas de táxi dominam o idioma e, inexplicavelmente, as informações dos novos pontos de ônibus e das estações do metrô são apenas em português. Se o Rio quer fazer bonito nos Jogos Olímpicos de 2016, tem que começar a mudar esse quadro agora.

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O uso das bicicletas no Rio cresceu exponencialmente. Mesmo que a maioria ainda as use para o lazer, é indiscutível que as novas ciclovias e ciclofaixas são úteis e o serviço de aluguel é um sucesso. O sistema é barato e a liberação é feita através de qualquer celular, de forma prática e segura. Não por acaso, a empresa já fala em ampliação e, graças ao uso intenso, os casos de furto e vandalismo diminuíram drasticamente.

Numa boa, torço para que os cariocas percebam que as bikes são a saída mais simples para evitar a que o trânsito do Rio fique igual ao de São Paulo. O mesmo vale para a minha querida Nova Friburgo.

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Incompreensível mesmo é ver o comércio de rua fechar as portas a partir de uma hora da tarde dos sábados e não abrir nos domingos. Já ouvi falar que isso se deve à concorrência dos shoppings mas, será mesmo? Quem garante que pessoas vão aos, está bom, centros de consumo exatamente porque as lojas do bairro não estão abertas? Os moradores do Rio adoram as ruas e, a não ser no alto verão, quando o calor fica insuportável, não vejo nenhum motivo para pegar uma condução e bater perna dentro de um edifício sem uma vista sequer.

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Fiquei com pena, mas não deu para conferir a mostra “Impressionismo: Paris e a modernidade”, que está levando uma multidão ao Centro Cultural Banco do Brasil, no centro da cidade, para apreciar algumas obras de gênios como Monet, Renoir, Cézanne e Van Gogh. Mas tudo bem, tenho até 13 de janeiro do ano que vem para repetir um final de semana como turista no Rio.

Aliás, um programão, palavra de carioca.

Foto: Carlos Emerson Junior

Retrato de Copacabana

Posto 6, Copacabana

por Carlos Emerson
Correio Popular, 1961

Copacabana é um pedaço da Guanabara que não se aperta de jeito nenhum. Talvez devido o fato de sua população viver comprimida numa estreita faixa de terra e entocada em apartamentos, a solução é sempre uma: desapertar.

O carioca de Copacabana tem fama de rico. Entretanto, o grosso de Copacabana é a classe média. Barnabés & Cia. Gente de orçamento limitado que luta para se manter no limite de suas posses.

Mas o habitante de Copacabana, habituado a viver espremido entre o mar e as montanhas sabe resolver os seus problemas sem se incomodar com a opinião dos outros

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Uma das coisas típicas de Copacabana são as festas carnavalescas. São organizadas em determinadas ruas para a criançada se divertir. Algumas dessas festas contam com meia dúzia de músicos barulhentos e outras festas com possantes “Hi-Fi”.

Disso resulta que não há preocupação para os pais que não podem comparecer aos bailes infantis das sociedades. A rua está transformada num clube ao ar livre, muito mais saudável que um recinto fechado. A rua está ornamentada e o local onde as crianças se divertem, dançam, pulam e cantam está isolado por madeiras. Há ordem e disciplina. E os adultos zelam para que os garotos tenham o seu carnaval.

Esse tipo de carnaval de rua para crianças foi iniciado pela “turma” de rapazes da rua Miguel Lemos, a qual era encabeçada pelo saudoso vereador Cristiano Lacorte.

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No interior, as festas juninas tem grande animação dado o fato de todas as casas terem quintal ou jardim onde podem armar fogueiras, queimarem fogos dos mais variados e, para alegria da garotada, fazerem subir os balões.

Mas a turma de Copacabana, nesse ponto, resolve também o seu problema. Na véspera de São João ou na noite de São Pedro, é grande o número de pessoas que vai para a praia carregando caixotes, caixas, sarrafos, madeiras, paus, jornais velhos e enfim tudo de velho e imprestável que tiver em casa e que sirva para fazer fogueira.

Pouco importa ao morador de Copacabana que o vejam carregando tudo isso nos ombros ou na cabeça. Ele vai se divertir com a família. E a criançada entra no regime da algazarra porque sabe que sua fogueira está garantida.

Vê-se então, surgindo ao longo da praia de Copacabana, fogueiras grandes e pequenas, onde são queimados fogos e soltos balões a despeito de toda a proibição policial.

Posso garantir que esses são os dias do ano em que eu e meus filhos mais nos divertimos.

Não resta dúvida que a praia toma mesmo um aspecto pitoresco. Deve, mesmo, apresentar o quadro assustador de uma série de incêndios para os passageiros dos navios que nesse momento venham entrando no Rio de Janeiro.

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Os balões juninos trazem-me a recordação de caso acontecido numa companhia seguradora européia, onde trabalhei durante muito tempo. Havia caído um balão numa fábrica segurada nessa companhia. Houve incêndio e prejuízo grande. No ano seguinte, por excesso de azar cai outro balão com incêndio e prejuízo. Recebemos então uma carta enérgica da Europa, onde perguntava aos funcionários do Brasil o que estavam fazendo que permitiam cair balões incendiários nas firmas seguradas.

Publicado no jornal Correio Popular, Campinas, SP, edição de 15 de agosto de 1961

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Carlos EmersonCarlos Emerson foi meu pai. Começou como ajudante nas redações dos jornais de Campinas e logo estava escrevendo. Gostava de lembrar que como jornalista cobria qualquer área. Trabalhou nos jornais “Diário do Povo”, onde aprendeu tudo o que sabia sobre jornalismo e contabilidade, “Gazeta de Campinas” e “Correio Popular”, todos de Campinas. Foi correspondente dos jornais “O Imparcial” e “O Paiz” e colaborador do “Correio da Manhã”, no Rio de Janeiro. Escreveu para as revista “Palmeiras” e “Mensagem de Campinas”, bem como para o “Jornal de Campinas”. Apesar de ter se afastado da imprensa para atuar na área contábil, continuou escrevendo e publicando suas crônicas até falecer.

Foto: Carlos Emerson Junior

 

O casarão da Vila Amélia

Já vi esse filme antes e não gostei: o imóvel é utilizado por um órgão público, não é devidamente conservado e, um belo dia, é devolvido aos antigos donos em estado tão deplorável, que torna proibitiva a sua manutenção. É o que está acontecendo com a casa que abrigou durante não sei quantos anos a delegacia de polícia de Nova Friburgo e acabou sendo interditada pela Defesa Civil, dada a precariedade de suas instalações.

O governo do estado não tinha a obrigação, como qualquer inquilino, de devolver o imóvel em boas condições? E agora, vão esperar a casa cair de podre ou ser consumida em um incêndio qualquer?

Pois é!

Velhos jornais

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Uma coisa eu tenho certeza, aprendi a ler através dos jornais. Meu pai, antigo jornalista de Campinas, em São Paulo, não perdia os velhos diários cariocas um dia sequer e assim cresci tendo como companhia o Correio da Manhã, Diário de Notícias, O Globo, Jornal do Brasil, a Tribuna da Imprensa, Jornal do Commércio, Ultima Hora, Jornal dos Sports, O Fluminense e tantos outros que apareciam lá em casa.

O mais triste é que dos jornais citados, apenas o Globo continua na ativa. O Rio de Janeiro, que era a vitrine do jornalismo brasileiro, hoje é representado por apenas um jornal de nível nacional, nem sempre traduzindo o gosto ou a opinião dos cidadãos cariocas e fluminenses. É sempre bom lembrar que a imprensa é essencial para qualquer regime que se considere democrático.

O que é indiscutível é que a decadência dos jornais do Rio acompanhou a da cidade, que não soube se reinventar quando deixou de ser a capital do país. Hoje, com o advento da internet, a grande questão é saber se o atual formato impresso sobreviverá ou se leremos nossas notícias de todos os dias em notebook ou desktop qualquer.

Querem saber? Tomara que não. Afinal, “filar” as notícias do dia em uma banca de jornal, é um dos meus esportes favoritos!

Foto: Carlos Emerson Junior

Bicicletas também pegam ônibus

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As fotos são da Denise Emerson, nossa correspondente internacional no Canadá, que aproveita e deixa a dica: em Vancouver, os ônibus tem capacidade para levar até duas bicicletas e o ciclista só paga a sua passagem.

Para quem, como eu, mora em em cima de um morro aqui em Nova Friburgo, seria uma mão na roda. Bastaria pegar o ônibus, descer para o centro, ir para as ciclovias e voltar para casa da mesma forma. É por isso que defendo a implantação das ciclovias e ciclofaixas junto com uma mudança radical no nosso transporte público. A adoção de ônibus do tipo BRT, por exemplo, ou até mesmo um VLT (como o de Macaé), tiraria uma quantidade enorme de carros da cidade e reduziria o custo de locomoção dos moradores.

Um dia a gente chega lá.

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Crack


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por Carlos Emerson Jr.

Antigamente, mas bem antigamente mesmo, a palavra “crack” servia para designar um atleta fora de série, geralmente um grande jogador de futebol do tipo do Heleno de Freitas, Garrincha, Zizinho, Pelé e tantos outros. Meu pai chegava até a usa-la em seus artigos para os jornais lá de Campinas. Bons tempos…

Hoje crack e cracolândia estão em qualquer dicionário e com um significado sombrio e mortal. O crack finalmente se espalhou pelo Brasil e volta e meia somos surpreendidos com cenas deprimentes mostrando uma multidão de viciados, crianças, adultos e velhos aglomerados em um ponto abandonado qualquer, tal qual zumbis de filmes de terror, completamente à mercê de seu vício.

Assaltos, prostituição, furtos e demais atos violentos são cometidos por pessoas destruídas pela droga, sem se importar com as consequências de seus atos. Uma tristeza só.

Mas o que é exatamente o crack e quais os seus efeitos ?

A droga é uma mistura de cocaína em pó, bicarbonato de sódio ou amónia e água destilada, que resulta em pequeninos grãos, fumados em cachimbos. Estimulante seis vezes mais potente que a cocaína, o crack provoca dependência física e leva à morte por sua ação fulminante sobre o sistema nervoso central e cardíaco.

O crack leva 15 segundos para chegar ao cérebro e já começa a produzir seus efeitos: forte aceleração dos batimentos cardíacos, aumento da pressão arterial, dilatação das pupilas, suor intenso, tremor muscular e excitação acentuada, sensações de aparente bem-estar, aumento da capacidade física e mental, indiferença à dor e ao cansaço.

E mais: o crack eleva a temperatura corporal, podendo levar o usuário a ter um acidente vascular cerebral. A droga também causa destruição de neurônios e provoca no dependente a degeneração dos músculos do corpo, o que dá aquela aparência esquelética ao indivíduo: ossos da face salientes, braços e pernas ficam finos e costelas aparentes. Normalmente um usuário de crack, após algum tempo de uso utiliza a droga apenas para fugir da sensação de desconforto causado pela abstinência e outros desconfortos comuns à outras drogas estimulantes: depressão, ansiedade e agressividade.

Mas, se os prazeres físicos e psíquicos chegam rápido com uma pedra de crack, os sintomas da síndrome de abstinência também não demoram a se fazer notar. Em apenas 15 minutos, surge de novo a necessidade de inalar a fumaça de outra pedra, caso contrário surgirão inevitavelmente o desgaste físico, a prostração e a depressão profunda.

Os danos à saúde são tão grandes que o farmacologista Dr. F. Varella de Carvalho assegura que “todo usuário de crack é um candidato à morte”, porque ele pode provocar lesões cerebrais irreversíveis por causa de sua concentração no sistema nervoso central.

É um problema sério. Segundo a própria Agência Brasil, o uso do crack é considerado com uma espécie de fim de linha no trajeto da dependência química, o que reforça o preconceito contra quem consome essa droga, por muito tempo associada à população de rua. Pesquisadores, usuários e traficantes ressaltam este aspecto do vício, que pode se configurar como um agravante para a recuperação.

Os traficantes do Rio, durante muito tempo, resistiram a comercializar o crack por acharem que ele destruía rapidamente a saúde e, também, pela imagem dos usuários. O dependente de crack é considerado uma pessoa sem valores, no qual não se pode confiar, ele é o ponto mais baixo em uma escala de degradação humana.

Meus caros amigos, a hora da sociedade encarar essa tragédia é agora, sem hipocrisia, politicagem ou preconceito. Esse artigo foi escrito em 2010 e, de lá para cá, o consumo dessa droga se expandiu, enquanto ficamos todos nós metidos em um inútil e interminável blá-blá-blá. O problema é mundial e requer uma abordagem séria e audaciosa. Mas antes de mais nada, precisamos olhar para dentro de nós mesmos, sem hipocrisia e assumir uma posição.

Ficar simplesmente de braços cruzados é falta de humanidade.

Fontes:
Antidrogas.com 
Oficina Ciência Viva 
Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD
Foto: Agência Estado

Home Office

A Voz da Serra

Você trabalha em casa? Se a sua resposta for um não, é bom ficar preparado, porque algum dia você vai embarcar nessa, engrossando o time dos mais de 30 milhões de brasileiros que, segundo o Censo 2010, realizado pelo IBGE, possuem um pequeno escritório em casa para efetuar total ou parcialmente suas tarefas do trabalho, simples assim!

Essa modalidade de atuação profissional é uma tendência irreversível que já vinha sendo praticada por muitos profissionais liberais. A novidade, pelo menos aqui no Brasil, ficou por conta da aprovação da Lei 12.551, que modificou o artigo 6º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), determinando que não há “distinção entre o trabalho realizado no estabelecimento do empregador, o executado no domicílio do empregado e o realizado à distância, desde que estejam caracterizados os pressupostos da relação de trabalho.”

Em seu único parágrafo, informa ainda que os “meios telemáticos e informatizados de comando, controle e supervisão se equiparam, para fins de subordinação jurídica, aos meios pessoais e diretos de comando, controle e supervisão do trabalho alheio”. A nova legislação era necessária, afinal pesquisas mostram que 31,2% das empresas brasileiras já adotam o Home Office.

Grande parte de meu trabalho, como administrador e escritor, é feito em casa. Com o aumento da oferta dos serviços telefônicos e banda larga, ficou bem mais fácil você permanecer diretamente conectado ao escritório central da empresa onde trabalha. O uso de smartphones e tablets garante a sua mobilidade. Para quem precisa de um certo isolamento para escrever, como eu, é uma mão na roda.

Um dos nossos quartos foi transformado em escritório, com uma grande bancada, estantes, armários e gaveteiros, tudo muito bem planejado para que documentos, livros, contas e demais informações fiquem bem à mão. Tenho uma boa iluminação natural, as essenciais poltronas confortáveis e, no meu caso, um indispensável monitor de TV, além de dois notebooks, no-break, impressora multifuncional com escâner e fax, telefone sem fio e demais acessórios.

Um bom Home Office, antes de mais nada, deve atender às suas necessidades e completamente adaptado ao seu tipo de trabalho. No entanto, nada disso terá muita utilidade se não houver disciplina, concentração e organização. Ninguém está pedindo para você colocar terno e gravata ou um terninho para trabalhar em casa mas sem esses pré-requisitos, nada feito.

Não existe uma bula mas, por experiência própria, sei que quem trabalha com palavras, por exemplo, precisa de isolamento e silêncio. Não tem nada mais desesperador do que você estar fechando um artigo em cima do prazo e a cachorrada da casa iniciar uma disputa para ver quem late mais alto no seu ouvido! Ou a filharada aumentar o som a níveis estratosféricos, tremendo todas as paredes!

Em Nova Friburgo, até já comentei isso em outro artigo, temos problemas constantes com o fornecimento de luz, telefone e banda larga, em parte agravados pelas redes aéreas que cortam todo o município. Apesar da boa vontade das concessionárias, volta e meia nos vemos irremediavelmente desconectados ou no escuro. Foi por essa deficiência que passei a usar notebooks, que me garantem algumas horas de funcionamento quando a luz acaba, além de um modem 3G para acessar a internet nessas emergências.

Algumas dicas de publicações especializadas no assunto, como a Você S/A e a Catho Online, são simples e valiosas, vejam só:

Defina um horário

O maior problema relacionado ao Home Office é o que envolve a disciplina. Em casa existem muitas tentações para ameaçar a produtividade, mas nada disso deve interferir na concentração. É preciso criar um horário como se estivesse no escritório.

Discipline a família

Estando perto, os familiares provavelmente vão achar que o profissional “está em casa”. Dentro do seu espaço profissional e de seu horário no Home Office, esposa ou marido, filhos e demais parentes, terão de fazer de conta que a pessoa está ausente. Comunicar a nova rotina é fundamental.

Crie uma rotina

A flexibilidade de horário é uma faca de dois gumes. A vantagem é conciliar sua atividade profissional com a vida pessoal. A grande desvantagem é começar a trabalhar às 7h e ir até as 22h, sem fazer pausas nem para as refeições. A solução é estipular uma rotina diária, com horário para começar e encerrar o expediente

Evite o isolamento

Dificilmente os clientes irão visitar o empregado, a menos que trabalhe com atendimento à pessoa física. Assim, o único perigo é ficar durante muito tempo sem contato com pessoas e empresas. O programa semana de visitas a clientes em perspectivas é uma boa solução para evitar esse isolamento.

Fuja do estresse

Já que você não terá de se deslocar até o escritório, aproveite o tempo extra para fazer exercícios, ler jornal ou conversar com a família. Tome um bom café da manhã, antes de inciar os serviços, saia de vez em quando para um restaurante ou um shopping, vá arejar a cabeça e dar um descanso para as pessoas da casa.

Transporte alternativo

Se você, como eu, mora perto do centro, planeje seu horário e não tire o carro da garagem, caminhe ou melhor ainda, pegue a bicicleta, um meio rápido, barato, prático e saudável de visitar seus clientes e fornecedores. Uma pena que Nova Friburgo ainda não tenha sua rede de ciclovias.

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Pois é, meus queridos leitores, garanto para vocês que nada disso é simples e eu mesmo levei algum tempo errando aqui e acertando ali, até chegar a um ponto de equilíbrio, ou pelo menos reconhecer sua necessidade. Claro que às vezes esqueço a hora de almoçar ou vou até de madrugada em cima de um texto, o que talvez não acontecesse se estivesse em um escritório de verdade. No entanto, a economia, agilidade e qualidade de vida falam por si e não é à toa que o futuro do trabalho está sendo redesenhado.

Para terminar, é sempre bom lembrar que mais pessoas exercendo suas funções produtivas em casa significa uma considerável redução de carros e ônibus nas ruas e avenidas, com a consequente diminuição do consumo de combustível e das emissões de gases poluentes na atmosfera, responsáveis pelo aquecimento global. Ou seja, o Home Office também é uma atitude ecológica e sustentável.

Os tapetes de Corpus Christi de Nova Friburgo

Mantendo uma tradição de mais de cem anos, quando os padres do Colégio Anchieta passaram a confeccionar tapetes no campo de futebol do colégio, Nova Friburgo, a primeira cidade no Estado do Rio de Janeiro a comemorar o Corpus Christi desta forma, mais uma vez parou para apreciar os belíssimos trabalhos feitos com sal em toda a extensão da Avenida Alberto Braune e acompanhar a procissão.

– Fotos: Carlos Emerson Jr.