Uma cidade turística

A Voz da Serra

Será que ainda somos uma cidade turística? O aspecto do Centro, no primeiro dia do ano, era desanimador. Afinal, além da chuva que desde outubro encharca a cidade e nos deixa cheios de preocupações, não havia nenhum estabelecimento comercial aberto, sequer um restaurante ou barzinho para beliscar.

A imagem de uma cidade fantasma no dia primeiro não é nenhum exagero. Pessoalmente até gosto, aproveitando para acordar muito tarde e simplesmente não fazer absolutamente nada, tipo desligadão total. Mas como explicar essa situação para um turista, obrigado a permanecer dentro do quarto do seu hotel ou pousada, olhando a chuva cair e jogando paciência, se ainda tiver alguma?

É complicado e sei bem o que é isso, já que antes de morar aqui subi várias vezes como turista para passar o ano. Com o tempo aprendi a correr no dia seguinte para o velho e tradicional Majórica, lá na praça, aproveitar bem o almoço com os bons vinhos da casa e voltar caminhando, é claro, feliz da vida para o hotel.

Mas a churrascaria acabou e, pelo visto, todo mundo resolveu tirar férias, deixando o Primeiro Distrito sem nenhuma atração. E por que não ir para Lumiar ou São Pedro da Serra? Ora, meus caros, como ex-turista posso garantir que jamais, depois de uma farra no réveillon, teria cabeça, com ou sem dor, para um banho de rio gelado, ainda mais com todo esse chuvão.

Mas divago e me afasto da pergunta inicial. Tem quem afirme que não, lembrando que a situação atual é muito complicada: poucas unidades hoteleiras, o desaparecimento das convenções das grandes empresas da capital e falta de eventos importantes. Concordo e complemento, a divulgação da marca Nova Friburgo está muito deficiente e não é de hoje.

Sabemos que nosso município, por suas características geográficas e climáticas, tem todo o potencial para atrair visitantes do mundo inteiro. Turismo, com T maiúsculo, é um assunto muito sério, um ótimo negócio para quem visita e quem recebe, desde quem encarado com profissionalismo, dedicação e inovação.

Campos do Jordão, em São Paulo, por exemplo, tem no turismo sua principal atividade econômica. O assunto é tão levado à sério, que o antigo Grande Hotel virou um hotel-faculdade, para formação de mão de obra especializada. Gramado e Canela, nossa vizinha Petrópolis, São Joaquim e sua neve catarinense e Penedo, a terra dos finlandeses, ali perto de Resende, são alguns bons exemplos.

É claro que Nova Friburgo é uma cidade turística. E quando afirmo isso, estou incluindo Lumiar, São Pedro da Serra, Boa Esperança, Conquista, Três Picos e tantos outros lugares que até mesmo muitos friburguenses nem conhecem. O circulo vicioso – comércio fecha porque não tem turista e turista não vem porque o comércio fecha – tem que ser quebrado.

Vamos pensar no turismo de aventura, ecológico, esportivo, rural, cultural, urbano, radical e até mesmo naquela turma que só viaja para dormir e encher a pança. Todos são turistas, uai! Nova Friburgo tem um patrimônio natural incomparável, sabe receber os visitantes e só precisa reencontrar sua vocação!

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Um dos assuntos recorrentes aqui na cidade, desde o trágico 12 de janeiro, é a suspeita que de que o número de vítimas fatais nas cidades da Região Serrana foi bem maior do que o anunciado, para evitar uma possível intervenção da ONU – Organização das Nações Unidas aqui na região.

Já conversei com amigos, pesquisei e a resposta sempre tem sido a mesma: a ONU não atua em nenhum evento deste tipo, a não ser que sua ajuda seja solicitada pelos governos interessados. A intervenção unilateral em qualquer país só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança, como foi por ocasião da Guerra do Golfo, em 1990 e o apoio militar aos rebeldes que derrubaram o Kadafi, na Líbia, no ano passado.

No Brasil tivemos, em 1967, a tragédia da Serra das Araras, perto de Paracambi, no Estado do Rio, que resultou na morte de 1.700 pessoas, naquele que é considerado o nosso maior acidente natural. Eu mesmo, como um sobrevivente (estava em um ônibus da Cometa, indo para São Paulo), posso garantir que só vi tropas do exército e bombeiros trabalhando no resgate.

Ano passado o Japão perdeu mais de dez mil cidadãos em um terremoto, seguido de uma tsunami e, como desgraça pouca é bobagem, um sem número de contaminados com o vazamento em reatores nucleares. Em nenhum momento o governo japonês sequer falou em socorro da ONU…

Mas, para não dizer que essa história é pura lenda urbana, vejam só o que achei na edição de 15 de janeiro do ano passado, do Estado de SP:

“O serviço humanitário da Organização das Nações Unidas (ONU) ofereceu ajuda ao Brasil e se colocou à disposição para auxiliar no resgate e atendimento à população após um dos maiores desastres naturais da história do País. Mas, apesar de contatos diplomáticos, o governo brasileiro optou por não aceitar a participação da ONU nos trabalhos. Nos últimos anos, aceitar o envolvimento das Nações Unidas se transformou, na visão de vários governos, em certificado de incapacidade desses políticos de lidar com problemas domésticos.”

Acho que isso explica tudo, não é mesmo?

Hora de escrever

Quanto custa um trabalho intelectual? Para ser direto, será que escrever um artigo regularmente, até mesmo aqui para o blog não deveria ter algum tipo de retorno? Escrever exige pesquisa, tempo, atenção, disciplina e dedicação, sem esquecer o mais importante, honestidade e transparência.

Escrever é também um trabalho braçal. A sensação de sentar diante de um monitor vazio, com o prazo de entrega estourando e a vaga sensação de que não tem absolutamente nada para dizer é sempre angustiante. Isso sem falar na preocupação com a grafia correta, a acentuação, uso de vírgulas, a fluidez do texto e, é claro, sua inteligibilidade.

Ernest Hemingway dizia que “se um escritor deixa de observar, está liquidado.” Escrever, para mim pelo menos, é ver, processar e informar. Aliás, informação, meus caros, nas mãos erradas, pode ser uma arma muito perigosa. É bom lembrar que quem vence as guerras escreve a sua verdade e não necessáriamente a verdade, não é mesmo? Ou meias verdades, que são piores ainda.

A liberdade de expressão , sobretudo sobre política e questões públicas é o suporte vital de qualquer democracia e acrescento também como vital, o direito à informação. Esconder, mentir ou suprimir informações, ainda mais envolvendo a segurança do cidadão e seu patrimônio, deveria ser um crime hediondo.

Qualquer pessoa sempre tem algo a dizer, mas bem poucos se atrevem a escrever e se expor. Afinal, “escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.”(Clarice Lispector)

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Foto: Carlos Emerson Junior

ONU em Nova Friburgo

Gostaria muito de saber de onde saiu essa ideia de que se o número de mortos em um desastre natural passar de mil ou cinco mil pessoas, a ONU interviria automaticamente, assumindo o controle da cidade, estado ou país afetado. Ouvi essa afirmação várias vezes ao longo do ano que passou e, inclusive, que o verdadeiro número de mortos em Nova Friburgo teria sido muito maior do que o oficialmente anunciado, exatamente para evitar essa ação.

Já conversei com amigos, pesquisei e a resposta sempre tem sido a mesma: a ONU não atua em nenhum evento deste tipo, com qualquer número de mortos, a não ser que sua ajuda seja solicitada pelos governos interessados. A intervenção unilateral em qualquer país só pode ser decidida pelo Conselho de Segurança, como foi por ocasião da Guerra do Golfo, em 1990 e o apoio militar aos rebeldes que derrubaram o Kadafi, na Líbia, em 2011.

De quebra, aí vão alguns exemplos: o acidente nuclear de Chernobil, na extinta URSS, provocou a evacuação de 200 mil pessoas, a morte estimada de 4 mil e a contaminação de enormes áreas da Ucrânia, Bielorússia e Rússia. O governo soviético escondeu o máximo que pode e só permitiu a entrada da comunidade científica internacional quando perdeu o controle da situação.

No Brasil tivemos, em 1967, a tragédia da Serra das Araras, perto de Paracambi, no Estado do Rio, que resultou na morte de 1.700 pessoas, naquele que é considerado o nosso maior acidente natural. Eu mesmo, como um sobrevivente (estava em um ônibus da Cometa, indo para São Paulo), posso garantir que só vi tropas do exército e bombeiros trabalhando no resgate.

Ano passado o Japão perdeu mais de dez mil cidadãos em um terremoto, seguido de uma tsunami e, como desgraça pouca é bobagem, um sem número de contaminados com o vazamento em reatores nucleares. Em nenhum momento o governo japonês sequer falou em socorro da ONU…

Enfim, continuo com a dúvida. Se existe mesmo essa regra, por que não foi aplicada no Sudão, país africano onde já foram massacradas mais de dois milhões de pessoas por razões puramente étnicas? E onde estão os capacetes azuis para impedir mais mortes na Síria, por exemplo, onde já perderam a vida mais de cinco mil pessoas?

Sei não, será que essa história não é mais uma lenda urbana? Cartas para o Blog!

Sirenes são apenas um alerta

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A Voz da Serra

Choveu forte neste final de semana e o Córrego D’Antas mais uma vez foi bem atingido. O rio transbordou, a ponte provisória foi levada pelas águas mas, felizmente, não tivemos nenhuma vítima para prantear.

As sirenes não soaram. Segundo Marilene Ramos, presidente do INEA, “a sirene que está funcionando em Friburgo é para deslizamentos de encostas, e não havia o nível de chuva suficiente. Entretanto, foram dados dois alertas de inundação. O que não aconteceu foi o alerta de transbordamento. Que acontece via SMS. Houve um problema técnico na estação que ainda está passando por fases de ajustes“.

As autoridades estão devendo, desde a tragédia de janeiro, a dragagem do rio e a construção de uma ponte definitiva. Aliás, a ponte provisória que caiu foi reerguida no domingo por voluntários da Cruz Vermelha de Nova Friburgo, em uma demonstração de solidariedade que serve de exemplo diante da omissão do poder público com a segurança e o bem estar dos seus cidadãos.

A instalação das sirenes, cercadas de muita expectativa, foi a única providência tomada para garantir a segurança de Nova Friburgo nesta estação de chuvas. Muito pouco, convenhamos. Sirenes são apenas alarmes, nunca a solução. Além do mais, nosso sistema é precário porque não tem câmeras de monitoramento, depende de sites de terceiros, não dispõe de uma central de operações e muito menos um radar meteorológico.

A Defesa Civil friburguense ainda é uma subsecretaria, não tem autonomia e verbas. Faltam engenheiros, geólogos, equipamentos e, mais uma vez, precisamos contar com a boa vontade e disposição de abnegados que tentam fazer seu serviço, a nossa proteção, da melhor maneira possível.

Estamos cansados de promessas vãs e palavras ao vento. Só teremos paz quando as obras de reconstrução e proteção da cidade forem iniciadas, se é que algum dia o serão. Enquanto isso, a cada chuva seremos obrigados a ficar de olho na barreira do lado e nos níveis dos rios, insones à espera do pior.

Só que paciência tem limites e a população jamais aceitará passar mais um verão correndo para fora de casa toda a vez que as sirenes soarem. Aliás, um ditado popular diz que “um dia a casa cai” e a próxima, senhores, pode não ser a dos moradores e sim as casas legislativa e executiva do município.

As eleições de outubro de 2012 estão aí e vamos dar uma resposta à altura do seu pouco caso e desrespeito com os moradores de Nova Friburgo.

O causo do Padre Rômulo

Folclore gaúcho

Não é que havia um padre lá no Alegrete chamado Rômulo, cheio de virtudes, bom sujeito mas tinha uma coisa, não gostava de castelhanos. Não gostava não, tinha pavor! Para ele, filho de índio rústico com tradições guerreiras contra os países do Prata, tudo que era de ruim vinha lá do outro lado da fronteira.

Tanto andou, criou e mexeu, que um dia o Arcebispo perdeu a paciência e mandou chamar o homem:

— Padre Rômulo, agora chega! O senhor tem que acabar com essa mania de botar defeito em castelhano.

— Senhor Arcebispo, eu não preciso botar defeito nos castelhanos, eles já tem todos

— Não vou repreendê-lo, padre, mas o senhor vai ser o vigário de Uruguaiana, para aprender que castelhano também é filho de Deus e em consequência, seu irmão.

— Filho de Deus…. só que seja filho da…

— Padre Rômulo!!!!!

E assim, o padre Rômulo foi servir em Uruguaiana, que à época vivia cheia de castelhanos, tudo fazendo compras. No primeiro sermão que proferiu, com a igreja cheia de argentinos e uruguaios, o padre já começou com chute de matar pato:

— Caríssimos irmãos. O sermão de hoje é sobre uma correntina safada chamada Maria Madalena, filha de soldado, que andou passando na cara tudo que era centurião romano.

No outro domingo iniciou o sermão:

— Conta a Bíblia que um castelhano chamado Caim certa feita, por qualquer bobagem, deu uma pedrada na cabeça do pobrezinho do seu irmão Abel….

E tome paulada em cima. Para o padre, os filisteus eram todos correntinos da pior espécie e os fariseus hipócritas era os castelhanos da época. Cristo, certa feita, passara o laço nos castelhanos lasqueados que andaram bolichando no templo.

Até que um dia o Delegado mandou chamar o padre Rômulo à delegacia de polícia:

— Olha, Padre Rômulo, não aguento mais tanta queixa sobre o senhor. Os argentinos e uruguaios querem que eu lhe prenda. Os comerciantes, que estão perdendo os clientes, já me procuraram.

— Me procuraram também, mas eu mandei que eles fossem se queixar para o Bispo.

— Pois é, mas eu sou filho de um argentino e de uma brasileira e também perdi a paciência com o senhor.

— Delegado, o senhor manda na delegacia e eu mando na minha Igreja.

— Pois bem, se no domingo que vem, o senhor disser que fulano ou sicrano era correntino ou castelhano, o senhor sai preso do púlpito. E vou estar no primeiro banco.

Padre Rômulo deu as costas furioso e foi embora, batendo as portas. No domingo, pela manhã, dito e feito: lá estava o Delegado, sério e brabo, com o volume do revólver e das algemas aparecendo por baixo do casaco. Sentou na primeira fila, olhou o padre e deu umas palmadinhas significativas na cintura.

O Padre entendeu direitinho a ameaça, pigarreou e atacou o sermão, em pleno Domingo de Páscoa:

— Caríssimos Irmãos. Sentindo chegar a hora, Cristo reuniu os Apóstolos para uma última ceia. Lá pelas tantas disse: um de vocês vai me trair.

O Delegado deu um pulo no banco. Abriu o casaco e olhou feio para o Padre, que viu bem tudo mas continuou fingindo que não tinha visto nada.

— Pedro então disse: serei eu, Senhor ? Cristo balançou a cabeça. Thiago então perguntou: serei eu, Senhor ? E Cristo balançou a cabeça outra vez.   E Judas então perguntou: Señor, ¿acaso seré yo?

 

Para quem preferir ouvir a narrativa, contada pelos Os Fagundes, gauchada legítima e de ótimo humor, basta clicar no player logo abaixo. Ah sim, correntinos e correntinas são cidadãos de Corrientes, cidade argentina da fronteira.

História do Pingo

Pingopor Fatima Emerson

Vocês não conheceram o Pingo…

Foi o “nosso” primeiro cachorro. Só não sabiamos disso. Eu que sempre fui apavorada com bichos, aprendi a conviver com o Pingo, na portaria do meu prédio.

Quando nos mudamos para Copacabana, havia um cachorro preto, aspecto de vira latas (ou sendo politicamente correta, “sem raça definida”) que, apesar de ter um dono, perambulava pelas ruas do Posto 4 com muita desenvoltura.

A maior parte do tempo ele permanecia na porta do nosso prédio, no seu posto de sentinela na calçada, sentado na área externa da portaria, que naquela época não tinha grades à sua volta como hoje. E as pessoas passavam, cumprimentavam o porteiro, quem mais estivesse na portaria e acrescentavam:

– Olá Pingo!

– Bom dia Pingo!

Era um cão sério, raramente pulava e mantinha um ar de altivez, paz e responsabilidade na guarda da portaria, nem se mexia. À noitinha, retornava ao apartamento do seu dono.

Às vezes, quando caminhávamos na praia, aproveitando o sol da Avenida Atlântica, esbarravamos no amigo canino. E onde passava tinha sempre alguém que o reconhecia:

– Olá Pingo!

– Você por aqui, Pingo?

Um carinho, um agrado… Ele? nunca latia, parava com um, com outro ou mesmo seguia em sua caminhada diária. Naqueles tempos, cães podiam andar livremente na praia e nas areias, sem causarem espanto.

Um dia seguimos o Pingo: ele ia seguro pelas ruas do Posto 5 em Copacabana. Ao chegar numa esquina, esperou pacientemente que se juntassem várias pessoas e se posicionou – só atravessou quando todos foram juntos. Aí aprendemos o seu segredo e porque nunca foi atropelado.

Todos os dias, a mesma coisa. E todos já contavam com aquela rotina silenciosa, seus olhos castanhos, brilhantes e amorosos, como um sinal de que tudo estava em paz.

Mas, com o tempo, Pingo foi ficando malhado, seus pelos embranqueceram e sua altivez se modificou. Passou a caminhar menos e quando o fazia, preferia a companhia do seu dono. Numa das ultimas vezes em que o vi, ia carregado no colo para a praia que tanto amava. E, um dia, silenciosamente, Pingo se foi.

Junto com ele, foi um pouquinho de todos nós, que sentimos a falta da sua companhia, cão de um dono, mas cão de todos nós. E, se há um céu dedicado aos cães, tenho certeza de que o Pingo está por lá, numa praia ensolarada, sem carros, com imensa areia branca fresquinha, ondas baixinhas, verdadeiras marolas como ele gostava, onde hoje ele corre, brinca e se esbalda!

Publicado no Maria Filomena – Uma história de amor, em 17 de julho de 2011.

Foto: Nenhum Animal é Brinquedo

Onde estão as passeatas?

Eva Tudor, Tonia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Benguel abrem uma passeata contra a censura, no longínquo ano de 1968. A foto é do Ziraldo.

Cenas como essa existem aos montes na internet, mostrando comícios, piquetes, brigas com a polícia, enfim, manifestações populares em uma época que era preciso ter muito cuidado e pensar o mais silenciosamente possível.

Hoje, mais de quarenta anos depois, podemos nos reunir à vontade e temos, inclusive, leis garantindo nosso direito de protestar. Ao contrário daqueles anos perdidos, pensar é um bem sagrado.

E no entanto nos calamos, vergonhosamente, diante de todos os desmandos que afligem nosso dia a dia. Um menino é brutalizado nas ruas do Rio e temos que ouvir dois presidentes, o da República e o do STF declarar que o “mal está feito”, “não podemos agir ao calor das emoções”! Uma menina de 13 anos leva uma bala perdida na coluna, que vai lhe deixar sequelas para o resto da vida. Três franceses são torturados e trucidados por orientação de um ex-menor de rua, que foi por eles abrigado por mais de 10 anos.

É a completa banalização da vida humana!

Políticos mensaleiros, sanguessugas, indiciados pela justiça, corruptos e canalhas de todos os matizes que não tem pudor de subir à tribuna daquela que deveria ser a Casa do Povo, para nos envergonhar com a sua impunidade. Fico espantado, poruqe era jovem em 1968 e acreditava que aquelas mobilizações, algumas ingênuas até, poderiam nos conduzir a um futuro melhor.

Que engano… Conseguimos a liberdade e não nos mobilizamos mais, não reclamamos, não nos indignamos. Aceitamos passivamente todo o tipo de barbaridades e nos conformamos em ser meros espectadores, cúmplices de facínoras assassinos e corruptos contumazes. E o mais triste, esperando a nossa vez de ir para o abatedouro…

Não precisamos nem queremos mais líderes ou políticos pra nos conduzir, isso é bobagem, já bastam os que estão no Congresso. Enquanto ficarmos quietos, esses bandidos continuarão com suas quadrilhas e muitos satisfeitos com o povo brasileiro. Para iniciar uma manifestação, basta uma fila inicial de 4 ou 5 pessoas com os braços dados e não ter medo de gritar nossa revolta.

Afinal, por para ter esse Brasil que tanta gente deu a vida?

*****

Esta crônica foi publicada no meu antigo Blog do Cejunior, no começo do ano de 2007. Estou trazendo para cá porque, guardadas as proporções, o friburguense continua anestesiado com a tragédia ambiental que destruiu nossa cidade e não tem mostrado nenhuma reação ao pouco caso com que a cidade está sendo tratada.

Cinco meses já se passaram e nada foi feito, a não ser muito blá-blá-blá, visitas de autoridades prá cá e prá lá, discursos e reuniões inócuas. Enquanto isso, assistimos o loteamento político da cidade e torcemos para que as chuvas do verão de 2012 não sejam tão fortes.

Lamentável.

Uma viagem complicada

Só pode ser algum tipo de carma… Viagem marcada de volta para Friburgo pela onipresente 1001, saindo do Castelo às 16:10, linha direta até a nossa Rodoviária Sul. Chego no Menezes Cortes um pouco mais cedo e ouço o que não queria ouvir: o ônibus para Friburgo foi lacrado pelo Detro.

– Como assim? E agora?

Pois é, por irregularidades na documentação o veículo foi impedido de iniciar a viagem. A medida que o horário da partida se aproximava e os passageiros chegavam, a situação ia ficando cada vez mais nebulosa. Fomos exigir um outro veículo em condições de, parece brincadeira, viajar!

– Estamos desviando um carro da Rodoviária para cá. Por favor, aguardem apenas uns vinte minutos.

Tudo bem, mas vocês conhecem o Terminal Menezes Cortes. A parte das lojas é uma beleza mas as plataformas… Envenenamento por CO2 alí perde! Mas divago. Depois de loooongo tempo encosta um G7 novinho em folha, para alegria da patuléia e tristeza dos fiscais do Detro que aí não tinham o que fazer.

Embarcamos todos rindo e felizes (é claro que estou brincando), apertamos os cintos, o motorista ligou a ignição e o G7 bateu num ônibus da Viação Amparo que saía do terminal. Juro! As reações foram as mais variadas. Eu liguei para a minha mulher às gargalhadas, de puro nervoso, só pode. Uma parte do pessoal saltou de novo para ver o estrago e outros ficaram xingando o motorista, a 1001 e até o prefeito do Rio que, nesse caso, não tinha nada a ver com a história!

Para resumir a aventura: os fiscais das empresas se entenderam, os fiscais do Detro, com pena, liberaram e a viagem finalmente começou. Mas aí já não teve jeito, pegamos engarrafamento na Perimetral, Ponte Rio-Niterói e na famigerada Estrada do Contorno. Cheguei em Nova Friburgo às 20:10, quatro horas depois.

Ufa! Agora, aqui entre nós, que mancada, 1001!

Foto: Anpleco Buss

Os zumbis estão chegando

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E depois falam que eu sou maluco, só porque adoro filmes e livros de zumbis, aqueles seres que um dia vão dominar a Terra e comer o cérebro de todos os humanos restantes! Aliás, a maldade é tanta que já chegaram a espalhar por aí que um pedaço da minha cabeça já foi devorado, que horror! A única coisa que perdi de lá até agora foram os cabelos e, meus caros leitores, ao contrário de vocês, estou mais do que preparado para sobreviver num mundo dominado por essas criaturas abjetas, desprovidas de humanidade. Um dia ainda serei o próprio The Omega Man, a última esperança da Terra!!

Mas botando os pés no chão, não é que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) acaba de divulgar instruções de como se preparar para um ataque apocalíptico de zumbis?

O comunicado publicado na página da entidade pretende usar o apelo midiático do tema para ajudar a divulgar formas de se preparar para emergências reais. Ainda assim, o CDC parece ter levado a sério o tema e inclui detalhes bem específicos contextualizando um ataque desta natureza. Os preparativos foram elaborados a partir dos relatos dos mortos-vivos comedores de cérebro que aparecem em filmes e livros – eles seriam criados por um vírus infeccioso e transmitidos por mordidas e fluídos corporais, ou seria fruto de radiação e mutações.

Segundo o CDC, o aumento dos zumbis na cultura pop fez aumentar também a crença de que um ataque realmente poderia acontecer – mas as pessoas saberiam o que fazer nesta eventualidade? “Esperamos responder a essas perguntas para você e, quem sabe, compartilhar algumas dicas de como se preparar para emergências de verdade também”, diz o texto.

O primeiro passo seria montar um kit de emergência que o ajude a chegar até um campo de refugiados não- zumbis. Ele deveria conter água, comida (não perecíveis), remédios; ferramentas (canivete, fita-crepe, rádio com baterias), itens de higiene (desinfetante, sabão, toalhas), roupas de cama, documentos (cópias das carteiras de motorista, passaporte e certificados de nascimento), kit de primeiros socorros (que o CD ressalta ser inútil no caso de uma mordida zumbi…).

Em seguida, é preciso já deixar a sua família avisada: aonde ir e o que fazer se os zumbis aparecerem na porta de casa? Escolham dois locais de encontro: um perto e um longe de casa e faça uma lista de contatos de emergência. Também é importante planejar a sua rota de saída, afinal, diz o CDC, “quando zumbis sentem fome eles não param até obterem comida (cérebro)”.

O órgão afirma ainda que, caos os zumbis atacassem, seriam conduzidas investigações como no caso de qualquer outra pandemia. Testes, análises e controle de pacientes, com isolamento e quarentena ajudariam a determinar a causa da doença, a fonte da infecção, como ela é transmitida, como se espalha, como interromper seu ciclo e como tratar pacientes.

E agora? Eu bem que avisei!

Fonte: Info Online

Alérgicos e cães vivendo juntos

Carlos Emerson Jr.
Filo

Você é asmático ou alérgico (ou pior, as duas coisas juntas) e tem cachorro? Então não deixe de ler o artigo a seguir que eu trouxe lá do Blog da Alergia, com boas novas para quem ama os peludos!

“Há muita controvérsia neste tema e não é nossa intenção ditar regras. Nem toda pessoa que tem asma ou rinite tem também alergia aos cães. Cada caso é um caso e cada pessoa é única, sendo impossível emitir um parecer que sirva igualmente para todos.

Este tema surgiu a partir de um estudo publicado na Revista de Pediatria em Outubro de 2010, mostrando que ter um cão em casa diminui o risco de as crianças com antecedentes familiares de alergias desenvolverem eczema. O mesmo não se verifica se o animal de estimação for um gato. Neste caso, os riscos aumentam significativamente. O estudo foi realizado na Universidade de Cincinnati e publicado no Journal of Pediatrics.

A polêmica já havia se instalado a partir da teoria da higiene, que teve seu auge na década passada, defendendo a tese de que o aumento da prevalência da alergia nos últimos anos pode ser atribuído ao excesso de higiene no mundo moderno, incluindo o menor contato de crianças e adultos com animais e com a natureza.

Então, vamos aos fatos:

1) Pontos a favor para a presença de um cão em sua casa

– Algumas raças de cães são excelentes companhias para crianças e adultos (em especial idosos).
– Cães necessitam sair pelo menos duas vezes ao dia, estimulando assim a vida ao ar livre e as caminhadas.
– Donos de cães tendem a interagir, ou seja, a presença do cão pode contribuir para combater a timidez e melhorar o contato social.
– Cães têm a capacidade de amar, o que pode ser uma grande aquisição tanto para crianças como para adultos.

2) Desvantagens de ter um cão:

– Cerca de 30% de portadores de asma e rinite alérgica podem ter crises desencadeadas pelo contato com cães.
– A presença do animal de estimação pode contribuir para aumento de ácaros na residência, já que seu alimento preferido é a descamação da pele, além das partículas que podem se tornar alergênicas (ou seja, provocadoras de alergia).
– Algumas pessoas são alérgicas ao pelo dos cães e pioram sua alergia ao contato com o animal.

3) E o que fazer se você já tem um cão?

– Se você mora em uma casa, acostume seu cão a ficar fora de casa. Num apartamento, é possível treinar o animal para que circule preferentemente fora da área social. Uma opção é colocar uma porta (vendida em lojas pet) para limitar seu acesso.
– Não deixe que o cão suba em estofados e camas. Escolha uma cadeira que seja liberada para o cão e ensine a ele
– Não permita que o cão suba e durma em sua cama.
– Arejar a casa e intensificar os cuidados com a limpeza da casa: limpe diariamente com pano úmido, evitando vassouras e espanadores.
– Retire tapetes, carpetes, objetos que acumulem pó para facilitar a limpeza.
– Escove o animal periodicamente, mas tenha o cuidado de fazê-lo fora de casa. O cão deve ser banhado semanalmente.”

A autora deste texte é asmática e alérgica (que azar) e, seguindo as regrinhas aí de cima, convive muitíssimo bem com a nossa querida Maria Filomena, vulgo Filó, para os mais íntimos.

Um bom domingo para todos!

Texto: Blog da Alergia
Foto: Carlos Emerson Junior
Modelo: Maria Filomena (Filó)