Sem saída

Foto: Carlos Emerson Junior

O Rio de Janeiro não é uma cidade maravilhosa, é uma paisagem maravilhosa para uma cidade” (Elizabeth Bishop)

Até quando vamos nos iludir? Quantas vidas mais a cidade levará para alimentar suas mazelas, sua malandragem, sua incivilidade? Que me perdoem os cariocas – meus conterrâneos – mas grupo de extermínio agindo em pleno centro,nas barbas das tropas do Exército, é o fim do mundo. Aliás, o fim de uma cidade que um dia foi cantada como a maravilhosa. Perdeu a graça, o viço, o senso e o amor de seus filhos. Sinceramente? Não acredito mais em alguma saída.

Que pelo menos identifiquem, prendam e punam os responsáveis pelo bárbaro assassinato no Estácio, sejam eles quem forem, estejam onde estiverem, tenham o nome que for. Já toleramos facções do tráfico, milícias, corruptos, assaltantes, pivetes e canalhas de todos os estirpes, engravatados ou não. Permitir a ação impune de grupos de extermínios é acabar com o pouco de ar que ainda se respira no Rio, concordar com o assassinato de qualquer um que incomode os donos do poder. É deletar a democracia. É voltar para o tempo dos coronéis.

Meus pêsames e desculpas aos amigos e familiares de Marielle Franco. Meus pêsames à população carioca.

A matança dos macacos

Foto: Carlos Emerson Junior

Deu no O Globo: “chega a 131 o número de primatas mortos desde o início do ano – média de 5,24 animais por dia. Desses, 32 apenas na cidade do Rio”. O que assusta é que 69% (90 macacos) morreram espancados ou envenenados, uma matança absurda, provocada por uma população ignorante que acredita que os macacos são os responsáveis pela proliferação da febre amarela.

Segundo os veterinários do Instituto Jorge Vaistman, “há casos de espancamento com múltiplas fraturas, de animais com vísceras estouradas por conta de chutes, casos de envenenamento causados pela ingestão de chumbinho disfarçado em bananas… Entre as vítimas há três exemplares de mico-leão-dourado, espécie que corre risco de extinção” (El País).

Caramba, o transmissor da febre amarela é o mosquito! Os macacos são vítimas que nem nós e ainda tem mais, servem como um alerta da doença. Matar, trucidar, exterminar esses animais só vai nos prejudicar. Cadê a fiscalização? Cadê a consciência cívica? Matar um macaco pode dar um ano de cadeia, seus infelizes! Ibama nessa gente.

Agora, se vocês fazem mesmo questão de punir alguém, porque não vão atrás dos canalhas que, por omissão, má-fé, desonestidade e corrupção permitiram o ressurgimento de uma doença erradicada há mais de cem anos? Ah, mas é claro, ninguém se preocupa com saneamento básico, saúde para todos, higiene, educação, qualidade de vida. Viajar de avião, ter televisão, automóvel, isso pode, não é mesmo? Agora, água e esgoto tratado, morar decentemente, deixa prá lá…

Uma vergonha!

Carta aberta à Faol

Um dos muitos motivos da compra do meu apartamento no Sans Souci, no final da década de 90, era a linha que a Faol operava, ligando as Braunes à antiga Rodoviária de Integração, a cada 40 minutos. Os ônibus meio antigos, geralmente mal conservados, cumpriam o horário britanicamente, sem o menor atraso.

E não ficava só nisso: uma vez pela manhã e outra no final do dia, o ônibus subia o Alto do Sans Souci. Além disso, quando a Estácio de Sá trouxe sua Universidade para cá, criaram uma linha direta com uma ou duas viagens à noitinha, para atender alunos, funcionários e professores. Resumindo, você não precisava usar o carro para ir ao centro, evitando estacionamentos, engarrafamentos e, é claro, diminuindo a poluição atmosférica. A linha 101 estava ali para isso mesmo e funcionava bem.

O tempo passou, a Faol, uma empresa friburguense foi vendida para uma famosa empresa carioca, parece que não deu certo e passou para as mãos de um consórcio de empresas da Baixada Fluminense e do Rio. Chegou cheia de moral, colocou nas ruas 30 ônibus novos, todos climatizados mas, infelizmente, acabou com a linha das Braunes. Aliás, vamos ser justos, de uma só tacada prejudicaram também os moradores do Tingly.

Voltei a morar em Friburgo no dia 16 de novembro do ano passado. Quando fui descer para o centro, levei um susto! O pessoal do condomínio me avisou que o horário dos ônibus havia mudado e o intervalo agora era de inacreditáveis 70 minutos, uma hora e dez minutos, um verdadeiro absurdo, com danosas consequências para a população residente e trabalhadora!

Como se programar diante de uma espera de uma hora e dez minutos? Como ficam os passageiros que vem de outros bairros e precisam trocar de linha, fazer baldeação? Com certeza vão pagar duas passagens. Muita gente tem descido e subido a pé, uma maldade já que as ruas das Braunes são, basicamente, ladeiras íngremes. E nos dias de chuva, como fica? Chama um táxi? Tira o carro da garagem? Então para que servem os ônibus?

Senhores responsáveis pela Faol, fica o apelo para o modelo atual seja revisto e alterado. Agradeço antecipadamente a atenção.

Foto: Thiago Silva

Feliz 2018

Foto: Carlos Emerson Junior

O ano que termina logo mais, definitivamente foi um desastre, principalmente para quem mora no Rio. De uma forma ou outra, o bando de corruptos, incompetentes e canalhas que tomou conta do Estado nos últimos, sei lá, vinte, trinta anos, conseguiu o que parecia impossível, acabar com todos os recursos e reduzir a dignidade dos cidadãos cariocas e fluminenses a um mero nada.

No entanto, não posso reclamar. Afinal, no meio dessa crise de caráter, falta de segurança generalizada e vergonha na cara, ter conseguido me mudar definitivamente para Nova Friburgo foi um alento, um recomeço, um sonho antigo finalmente realizado. Virar o ano aqui na Serra junto com quem mais amo, não tem preço! Dois mil e dezessete, pelo menos para mim, para mim, termina muito bem.

Fica a esperança que 2018 traga novos ventos de esperança, alento, paz e serenidade a todos os brasileiros, cidadãos cansados de tantas emoções e sentimentos negativos em suas vidas. Obrigado pela companhia e vamos em frente em busca de nosso destino.

Feliz 2018!

Árvore de Natal

“Dela só nos lembramos uma vez por ano, quando nos reunimos, uns poucos, em torno da árvore para acender velinhas, distribuir presentinhos, bebericar champanha. E escutar ao rádio o sr. presidente da República discursar para pedir ao povo brasileiro que tenha paciência e esperança.

Deus nos acuda!”

Pois é, assim terminava a crônica “Árvore de Natal”, escrita pelo jornalista Vivaldo Coaracy, publicada na edição do dia 29 de dezembro de 1960, no extinto jornal carioca “Correio da Manhã”. Cinquenta e sete anos são passados e árvore de natal só a da Lagoa que, com a crise, nem foi montada. Presentinhos viraram listas intermináveis do trabalho, parentes, amigos, funcionários e assemelhados. Champanha hoje em dia se diz champanhe, mas seu lugar ao lado da árvore foi trocado pela cerveja ou o chope, bebidos em escala industrial. Finalmente, presidente que se preza não faz mais discurso no rádio e sim na televisão, em cadeia nacional, pedindo ao povo brasileiro que tenha paciência e esperança.

Isso aí, meus caros, não muda nunca…

Socorro!

Deu na Folha de SP: “Lula culpa Lava Jato por mazelas no Estado”. E disse mais, “a Lava Jato não pode fazer o que está fazendo com o Rio”, “não pode, por causa de meia dúzia que eles dizem que roubou, mas ainda não provaram, causar esse prejuízo”. Sérgio Cabral, Pezão, Eduardo Paes, Sérgio Cortes, Hudson Braga, Eduardo Cunha, Garotinho, Rosinha, Jorge Picciani, Paulo Melo, entre muitos outros, agradecem de pé! Já a população fluminense, pede encarecidamente que o ex-presidente vá vomitar sua ignorância na, ah, deixa prá lá.

oOo

Deu no Leonardo Sakamoto: “Ver um capturado Rogério 157 aparecer como ‘troféu’ de policiais em êxtase envolvidos na operação remete às lembranças de transformação de seres humanos em souvenirs de caça ou objetos de diversão. Mas olhe novamente a foto. Perceba que há dois ‘troféus’ nela. Pois os policiais tornaram eles próprios, com seu ato, um troféu de Rogério 157, glamourizado pela selfie, transformado por eles em celebridade. O que apenas reforça o poder do traficante junto a seus subordinados ou à população. Quando policiais e bandidos tornam-se troféus uns dos outros, um Estado precisa de uma DR, depois zerar e começar de novo. Porque algo deu muito, mas muito errado.”

oOo

Deu no Estadão: “Homem é preso por ejacular em passageira em voo de Belém a Brasília”. Um absurdo, como se não bastasse a epidemia de corruptos, agora temos uma infestação de tarados.

oOo

Deu no O Globo: “Ataque a caminhão com seis toneladas de pernil provoca o temor de aumento de casos até o Natal”. Pois é, não está fácil para ninguém e dezembro mal começou…

oOo

Deu no El País: “É sabido que um em cada quatro brasileiros não sabe ler e escrever ou não compreende textos simples. Além disso, o Brasil ocupa o 65º lugar entre 70 países avaliados pelo PISA, programa internacional que analisa o desempenho de alunos de 15 anos dos sistemas público e privado de ensino. A falta de escolaridade é um impedimento não só para o crescimento individual – mas também para o desenvolvimento coletivo.”

oOo

Salve-se quem puder!