Oração

Que eu me torne em todos os momentos, agora e para sempre,
um protetor para os sem proteção,
um guia para aqueles que perderam o seu caminho,
um navio para os que têm oceanos a cruzar,
uma ponte para aqueles com rios para atravessar,
um santuário para aqueles em perigo,
uma lâmpada para aqueles sem luz,
um lugar de refúgio para aqueles que não têm abrigo,
e um servo para todos que precisam.

(Shantideva)

Um lugar

Foto: Carlos Emerson Junior

Quando você andar por uma rua qualquer das Braunes (ou outro bairro qualquer), em Nova Friburgo, não se esqueça de olhar para o céu e as montanhas. Ouça o silêncio, respire o ar puro, valorize a tranquilidade. Pois é, meu caro amigo, eu sei que nem tudo o que reluz é ouro e perfeição é, quase sempre, um conceito inatingível, mas se não lutarmos pelos nossos sonhos, o que nos restará? Olhem o Rio…

Um ótimo fim de semana!

A realidade

“Não quero esconder a realidade, porque eu estou vendo que o Rio de Janeiro está morrendo aos poucos. O nível de violência atual não permite mais a vida social, dificulta muito o turismo, o comércio, a vida cultural… Vejo áreas da cidade que estão morrendo, às 19h30 não tem ninguém na rua, as pessoas estão trancadas em casa. Eu estou fazendo um chamamento à reação da cidade. (César Benjamin, Secretario Municipal de Educação do Rio de Janeiro)

No meio da escuridão que tomou conta do Rio de Janeiro, César Benjamin talvez seja um dos poucos pontos de luz (e lucidez) que tenta encontrar um norte, uma saída que seja da colossal crise moral, financeira, administrativa, política e social que empurra a cidade (e o estado) para o fundo de um poço sem fim. Corrupção, desemprego, violência, mais corrupção, impostos, fraudes e politicagens em doses cavalares provocam náuseas e depressão em qualquer um.

Vale a pena ler sua entrevista ao jornal espanhol El País, aqui e refletir quando ele afirma que “há um processo de dissolução da sociedade, que nos coloca muito próximos de uma situação de anomalia, de ausência de regras, de ausência de referências, uma perda de valores essenciais do processo civilizatório. É essa crise que me preocupa mais.”

Não desvie o olhar

Foto: Carlos Emerson Junior

Está lá, escrito no poste em letras enormes: não desvie o olhar. Correto. Preste atenção, fique desperto, mantenha o foco. A dispersão leva ao caos e é isso o que essa gente quer. Você se distrai um pouquinho e zap! – te arrancam o celular das mãos. É ruim, mas os outros são piores. Superfaturam obras. Fraudam eleições. Roubam dinheiro público. Formam quadrilhas. Compram juízes. Ameaçam. Matam. Não, meu amigo, não desvie o olhar. Não sejamos cúmplices de toda essa bandalheira.

E agora, Brasil?

E agora, Brasil? Em bem mais de meio século muito bem vivido, jamais passei por uma crise política, moral e econômica tão devastadora como a atual. E piora muito para quem mora no Estado do Rio de Janeiro, falido, sem governo, sem segurança e a taxa mais alta de desemprego do país.

E agora, Brasil? Trocar o presidente outra vez? Fechar o Congresso? Convocar uma Constituinte? Acabar com a República? Partir para uma ditadura? Restaurar a Monarquia? Acabar com a federação? Proclamar a independência dos estados do sul? Vender o que sobrou do Estado do Rio de Janeiro?

E agora, Brasil? O que será de sua gente, suas crianças, seus velhos? O futuro do país do futuro acabou antes de chegar? E a saída, onde está a saída? Se as eleições são manipuladas, o debate no Congresso, comprado, a justiça lenta e ultrapassada e o executivo se vende para quem dá mais, o que nós, reles cidadãos, podemos esperar dessa ignóbil democracia?

E agora?

Portas abertas, portas fechadas

Foto: Carlos Emerson Junior

Um dia o cientista Alexander Graham Bell, um dos pais do telefone, disse que “quando uma porta se fecha, outra se abre. Mas muitas vezes ficamos olhando tanto tempo, tristes, para a porta fechada que nem notamos aquela que se abriu.” Pois é, estava certíssimo.

Não sei e nem consegui descobrir a origem das portas. Sabe-se que é muito antiga e foi inventada, digamos assim, para nos proteger dos nossos inimigos, animais predadores e o frio. Engraçado que, até onde me lembro, as ocas dos índios são abertas, sem portas, o que me leva a crer que só gente civilizada as utiliza…

De qualquer maneira, portas fecham, protegem e aquecem mas também nos isolam. Saber abrir portas requer sensibilidade, esperança e confiança. Uma porta aberta pode ser simplesmente a saída de casa. Mas também, se você ousar sonhar, levar a mundos distantes, caminhos desconhecidos, sonhos esquecidos.

Abrir ou fechar portas, de repente, é uma arte.

Realidade virtual

Realidade virtual

Você resolve assistir “As pontes de Toko-Ri”, um clássico de guerra de 1954. A ação se passa em um porta-aviões e seus caças a jato F9F2 Phanter, com a luxuosa participação de Willian Holden e Grace Kelly que, no ano seguinte viraria Grace de Mônaco.

Em determinado momento do filme, os jatos são liberados e, em formação, vão atacar a Coreia do Norte. Nesse momento, o aeroporto Santos Dumont, na verdade praticamente um porta aviões em terra firme, libera seus aviões pela Rota 2, aquela mesma que passa em cima dos bairros do Cosme Velho, Botafogo, Urca, Santa Tereza, Laranjeiras, Flamengo, Catete e Glória, para desespero dos moradores que não conseguem sequer ouvir seus pensamentos.

Mas ontem não, a sensação foi quase mágica. Para cada caça que decolava, tinha um Boeing ou Airbus passando em cima do telhado aqui de casa, com direito até a janelas vibrando. Um barato! Parecia que a guerra era aqui. Realidade virtual é isso e pela primeira vez não reclamei do barulho insuportável que aliás, coincidência ou não, voltou com toda a força enquanto escrevo essas linhas. Pois, é, a rota 2 ataca outra vez.

Ah sim, o filme é muito bom, ganhou um Oscar e vale conferir no site do Telecine Play.