O foro da monarquia

Resquício da monarquia, o foro especial foi irresponsavelmente ampliado pela Constituição de 1988 – aquela que se intitula “cidadã” – passando a abranger cerca de 22 mil “autoridades”, entre elas o presidente e vice-presidente da República, ministros, deputados, senadores, comandantes das Forças Armadas, governadores, prefeitos, magistrados dos tribunais superiores, desembargadores e juízes estaduais e federais, membros do Ministério Público e membros dos Tribunais de Contas.

Uma festa imperial, sem dúvida alguma! Esse é o tamanho atual da “Corte” do Brasil.

Felizmente existem brasileiros que defendem o fim dessa imoralidade. O ministro Luiz Barroso, do STF, afirmou que “o foro por prerrogativa de função frequentemente leva à impunidade, porque ele é demorado e permite a manipulação da jurisdição”. Segundo o juiz Sérgio Moro, “o foro privilegiado fere a ideia básica da democracia de que todos devem ser tratados como iguais”. Para a atual presidente do STF, ministra Carmem Lúcia, “privilégios existem na monarquia e não na República”.

A nomeação do cidadão Wellington Moreira Franco, citado 34 vezes na Operação Lava Jato na delação de Cláudio Melo Filho, ex-vice-presidente Relações Institucionais da Odebrecht empreiteira, o “Angorá”, como seria conhecido, aparece em “negócios” na área dos aeroportos. O delator também citou esquema envolvendo o aeroporto de Goiânia, bem como indícios de que houve corrupção no processo de concessão de aeroportos realizadas em 2011, 2012 e 2013, no governo Dilma.

bons-companheiros-governador-abraca-carlinhos-maracana-sob-vigilancia-dePois é, e para os esquecidos, vale lembrar o final melancólico do seu governo no Estado do Rio (1987/91), recebendo figuras do crime organizado no Palácio Guanabara. Sob qualquer ponto de vista, um nome que já deveria ter sido esquecido mas, como estamos no Brasil e a República ainda é uma ficção, somos obrigados a assistir as cenas indecentes do atual imperador nomeando seu leal, obediente e agradecido vassalo, livrando-o das garras da justiça.

Que vergonha!

Fontes:
http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/politica/noticia/2017/02/o-que-ha-contra-moreira-franco-novo-ministro-de-temer-na-lava-jato-9712505.html
http://www.conjur.com.br/2014-ago-28/privilegios-existem-monarquia-nao-republica-carmen-lucia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Foro_especial_por_prerrogativa_de_fun%C3%A7%C3%A3o
https://www.nexojornal.com.br/expresso/2016/07/19/Quem-tem-foro-privilegiado-no-Brasil.-E-quais-as-propostas-para-mudar-essa-regra
http://www.ebc.com.br/noticias/2016/03/entenda-o-que-e-foro-privilegiado

Mais um ano chegou

“Minha bermuda de ciclista pode ser feia. Mas sua barriga de motorista é muito mais.”; “Existe um tipo raro de carioca que não gosta de carnaval e eu mesmo sou um bom exemplo.”; “A gente luta, protesta, resiste, esperneia e até mesmo grita mas não tem jeito, por bem ou por mal acaba tendo que fazer as compras de Natal”; “Em pouco tempo ele já havia sido mercenário em Angola, baixista de um grupo de rock, astronauta de uma das missões Gemini, piloto de corridas, inventor da máquina de movimento perpétuo, descobridor da cura do câncer, escritor maldito, ator de Hollywood, compositor da MPB, pianista clássico, motorista de caminhão e, principalmente, amante de todas as mulheres do mundo!” “Mas o que podemos fazer para melhorar as condições de acessibilidade em nossas cidades?”; “O fim do mundo existe? Claro que sim, e alguns maldosos juram que fica em Brasília, naquele prédio com duas bacias no teto, uma para cima e outra para baixo.”; “A humanidade evoluiu, foi ao espaço, aumentou seu conhecimento e o medo continua lá, sempre a nossa espera.”; “Como serão nossas cidades no futuro? Quando vamos perceber que o atual modelo urbanístico, estimulando o transporte individual em veículos movidos com combustível fóssil já era?”;

Pois é, a gente passa o ano inteiro (ou uma vida toda) tirando palavras dos pensamentos para escrever uma crônica, um conto, um artigo, uma asneira qualquer e de repente, diante de uma chacina como a do presídio de Manaus ou a que aconteceu em Campinas, em plena festa da virada do ano, não poupando sequer o filho de dez anos do atirador, percebe que não sabe (ou não tem) nada a dizer sobre 2017.

Concordo com o antropólogo Roberto da Mata quando afirma que “preocupados com o futuro, que encolhe a cada dia, esquecemo-nos do presente. Pensamos em ir para Marte sem termos nos resolvido aqui na Terra”. (A primeira crônica do ano, O Globo). Talvez seja a hora de, literalmente, colocarmos os pés no chão. Os anos sempre (e apenas) refletem a nossa ação. Ou a falta dela.

O caminho das montanhas

Foto: Carlos Emerson Junior

No perfume das flores de ameixa,
o sol de súbito surge.
Ah, o caminho da montanha!

(Matsuo Basho, 1644/1694)

oOo

Vendo tantas reclamações sobre o ano que se vai e as nuvens da incerteza que acompanham o ano que chega, lembro que tenho um refúgio nas montanhas que protegem Nova Friburgo, nas ruas de paralelepípedos do Sans Souci, nos jardins do Parque São Clemente, nos riachos e cachoeiras de São Pedro da Serra, nas cerejeiras que florescem gloriosas em julho. Basta pegar o caminho da montanha. É, eu sei, é um pensamento mágico, mas cheio de esperanças.

Feliz 2017, queridos amigos. Que as montanhas, onde quer que estejam, de que tamanho forem, nos acolham e consolem, nos deem forças para seguir em frente e nos tragam um mundo de felicidades. Obrigado pela amizade de todos vocês.

Caminho do peregrino

“O caminho do peregrino é uma coisa muito boa, mas é estreito. Porque a estrada que nos leva à vida é estreita; por outro lado, a estrada que leva à morte é larga e espaçosa. O caminho do peregrino é para aqueles que são bons. (…) Leva à contemplação, torna modesto o arrogante, eleva os humildes, ama a pobreza. Odeia a repreensão dos que se movem por ganância. Recompensa aqueles que vivem na simplicidade e fazem boas ações.”

Texto extraido do Codex Calixtinus, manuscrito iluminado, datado de 1150, relíquia da Catedral de Compostela, Espanha.

A outra tragédia do Brasil

Enquanto o Brasil dormia ainda chocado com o acidente aéreo que acabou com o time da Chapecoense e dizimou redações, o Congresso Nacional, sempre ele, madrugada adentro desfigurou completamente o pacote com as Dez Medidas Contra a Corrupção, com a cumplicidade do Rodrigo Maia, presidente da casa. Na edição do informativo Meio de hoje, o jornalista Pedro Dória resume o butim:

Facilitaram a punição de juízes e promotores que venham a processá-los.

A tipificação do crime de enriquecimento ilícito de funcionário público foi derrubada.

A facilitação de retirada dos bens adquiridos com corrupção foi derrubada.

A maior dificuldade para prescrição dos crimes, derrubada.

A figura do delator do bem, que recebe prêmio por denunciar crimes dos quais não participa, derrubada.

Ficou a criminalização do Caixa Dois. Nessa, como prometido por Maia, Renan e Temer domingo, não mexeram. Atacou-se o resto.

Ao final, cantaram parabéns para você em homenagem aos deputados que faziam aniversário. (Meio)

Fica a pergunta: para que serve esse congresso? E esses deputados, o que fazer com essa gente? 2018 está aí, vamos aproveitar a eleição e mandar toda essa gente para a rua? Sem vergonhas, um acinte, um deboche com a população. Decididamente, não é só o Cunha que merece uma cadeia. Se o Brasil não mudar prá valer seu sistema político, será o caos.

#congressonacionaldemerda

FLINF

Programão para a semana que vem, a Festa Literária de Nova Friburgo, nos dias 14, 15 e 16 de outubro, além das palestras interessantíssimas, oportunidade de conhecer novos autores e acompanhar os últimos lançamentos, é também uma oportunidade de rever antigas e novas amizades e, no nosso caso, curtir o friozinho da serra em casa.

Ô coisa boa!

Gostou? Então vale a pena conferir a programação aqui.

Folhas de inverno

Foto: Carlos Emerson Jr.

As folhas caem das amendoeiras. Muitas, muitas folhas. Amarelas, marrons, vermelhas, esverdeadas. O outono passou, elas não notaram e permaneceram vistosas até meados de julho, quando os ventos mudaram trazendo o frio do mar. Os garis, coitados, não dão vazão. As calçadas também não e acabamos nos atrapalhando para circular. Mas tudo tem um lado bom, é hora de se renovar. No verão, as amendoeiras e suas enormes sombras, vão nos proteger do sol que castiga o Rio naquela estação.

Parasitas do Brasil

 

“As parasitas são plantas que se instalam em uma outra árvore e se alimentam de sua seiva. Como não conseguem nutrição suficiente por meio da própria fotossíntese, elas encravam suas raízes, conhecidas como haustórios, no caule ou no tronco de seu hospedeiro, atingindo o sistema vascular e retirando a seiva de que precisa para nutrir-se.”

Pois é, não tive como não pensar no Brasil quando vi essa amendoeira na Otavio Correa, aqui na Urca. Tomada por parasitas, sequer deu para perceber suas folhas e frutos originais. O Brasil está assim, loteado entre gente que pensa apenas em seu projeto político, sua independência financeira, sua ascensão social. Gente perigosa, agressiva, disposta a tudo para manter o status quo.

Parasitas tomaram conta do nosso país. Estamos sufocados, vendo o Brasil morrer um pouco a cada dia. Mas ainda há tempo. É hora de arregaçar as mangas. É hora de mudar. É hora de podar a erva daninha.

Foto: Carlos Emerson Junior

Atestado de incompetência

“A única maneira de combater o zika, até agora, é atacar o mosquito. Há décadas, os governos e a sociedade falham nessa missão. Esse enfrentamento nunca foi levado a sério no Brasil. A ameaça de proporções inéditas que o país enfrenta hoje é consequência de três décadas de descaso. Combater o Aedes aegypti é responsabilidade de cada cidadão e também das prefeituras. Às secretarias estaduais de saúde e ao governo federal cabe definir as estratégias e coordenar os esforços. Mas, neste ano, os casos de dengue na Paraíba cresceram 266% em relação a 2014. O combate ao mosquito é fragmentado e insuficiente – um conto de verão, sempre esquecido já no outono.” (Época, O Avanço Assustador do Zika Vírus)

Pois é, meus caros amigos, esse é o preço que pagamos quando elegemos um governo incompetente, ignorante e pior, irresponsável, principalmente quando coloca gente completamente despreparada no lugar de cientistas, técnicos, especialistas de real saber na área da saúde. Mas não, o interesse partidário é maior, o projeto de poder embriaga e quem paga a conta somos nós, reles cidadãos, meros mortais.

Meus pêsames!

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PS: o ministro da saúde, com minúsculas, anunciou que vai distribuir repelentes do Exército para as gestantes do Brasil. E não é boato de rede social não… (Estadão, Ministério decide distribuir repelente para gestantes)

Ruínas

Fiquei em dúvida sobre qual a imagem mais apropriada para ilustrar esse comentário. As do desastre ambiental de Mariana seriam a escolha óbvia mas, em respeito às vítimas e enojado com a “passividade” quase criminosa de autoridades e empresas envolvidas, escolhi uma foto do meu arquivo pessoal, mostrando que atrás de prédios -ou instituições e pessoas – podem se esconder enormes ruinas (no caso, o prédio do antigo Cassino da Urca, aqui no Rio).

Em seu contundente artigo “O terremoto de todos os dias“, publicado no jornal El País, o jornalista e escritor Juan Árias, comentando a prisão de um senador da república (com minúsculas mesmo) e um “poderoso” banqueiro, deixa para nossa reflexão o seguinte:

“O Brasil está vivendo, de fato, um momento crítico e grave, difícil de definir e de contar dentro e fora do país. É uma mistura de terremoto político, cujo epicentro se encontra nos próprios fundamentos da República, e de esquizofrenia que impede a sociedade de entender se está vivendo na realidade ou no imaginário.

Um país que festejava há apenas dois ou três anos uma ascensão econômica e social inédita, inveja até de países desenvolvidos, que chegou a sonhar em sentar-se à mesa dos que dirigem os destinos do mundo, vive hoje uma espécie de miragem.

É como se, de repente, tivesse acordado de um sonho para tocar com a mão que a realidade crua e nua é muito diferente. O Brasil está gravemente doente politicamente.

E como no simbolismo da esquizofrenia, a sociedade se pergunta se a classe política vive na realidade, ou se se perdeu no marasmo de suas próprias alucinações e ilegalidades.”

Fico aqui cismado, tentando lembrar quantas crises políticas, morais e econômicas já devastaram o Brasil, acabando com os nossos sonhos de um futuro próspero. Desta vez a justiça está fazendo sua parte, colocando os canalhas na cadeia e provocando a indignação geral.

Meu maior medo, entretanto, é que o dano ao país e à nossa auto-estima tenha sido irreparável. Tomara que não.

Foto: Carlos Emerson Junior

 

Medo

Quando o escritor moçambicano Mia Couto, um dos mais importantes nomes da moderna literatura na língua portuguesa, leu seu texto “Murar o Medo”, nas Conferências do Estoril, realizadas em Portugal em 2011, tocou na maior ferida da humanidade. Temos medo desde as nossas origens, quando sem luz procuramos abrigo dentro de cavernas contra inimigos reais e imaginários.

A humanidade evoluiu, foi ao espaço, aumentou seu conhecimento e o medo continua lá, sempre a nossa espera. O poder está sempre com quem tem a capacidade de provocar o medo, seja ele físico, moral, espiritual ou psicológico. O medo vence porque ele não tem medo. O medo se basta, é intangível e presumo, infinito. Talvez seja essa a nossa sina, para viver, precisamos temer.

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Existe uma saída contra o medo? Segundo José Saramago, outro grande escritor português, vencedor do prêmio Nobel de Literatura de 1998, em um artigo publicado na Folha de São Paulo, em 1991, é possível, mas só depende de nós mesmos: basta dizer não!

“A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efetivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende
sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não – ou a nossa própria fatalidade – é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.”

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Texto extraído da crônica publicada no jornal A Voz da Serra, edição de 7 de dezembro de 2012.

Uma queda olímpica

A crônica é antiga, foi publicada no jornal A Voz da Serra, de Nova Friburgo, exatamente no dia 7 de setembro de 2012, mas não fala do nosso ‘Independence Day’ e sim de tombos, quedas, tropeções, escorregadas e tudo o que nos joga no chão, no sentido literal da expressão e sem direito a nenhuma medalha.

Muito pelo contrário…(Carlos Emerson Jr.)

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Uma queda olímpica

Meu sogro, talvez influenciado pelos recém-encerrados Jogos Olímpicos de Londres, esqueceu que está com 80 e muitos anos e resolveu saltar sobre um balde de água que a faxineira esqueceu na porta da cozinha do seu apartamento. O resultado da proeza foi um tornozelo fraturado, quinze dias de molho com um trambolho na perna jocosamente apelidado de robocop e, é claro, sem direito a uma medalha qualquer.

Um grande amigo nosso, médico e professor de primeira linha, gostava de alertar, com a voz grave e a expressão bem séria que, o que mata velho mesmo é um bom tombo. Um belo dia ele mesmo, também idoso, escorregou na escada de casa, quebrou uma clavícula e lá se foi para o hospital. Não é que ele sabia o que estava falando?

Minha mãe, já com quase noventa anos, saiu do boxe após o banho, ignorou o piso molhado e se esborrachou no chão! Para sua sorte, minha irmã estava por lá e correu para ajudar. Incrivelmente ela não fraturou um ossinho sequer e as sequelas foram alguns hematomas e a dignidade profundamente ferida. Imagina se a velha senhora ia aceitar que tinha caído porque não usou o tapete de borracha do banheiro?

Eu também não posso falar nada: após terminar um trabalho no notebook de uma de minhas filhas, resolvi guardar o aparelho. Como a cachorra da casa estava dormindo no corredor, fui tateando no escuro para não acorda-la. A idiotice não deu em outra: pisei em um dos brinquedos da peluda, perdi o equilíbrio e cai de cara no chão. Não me machuquei e nem quebrei o computador, mas tive que aturar dores no corpo e gozações por alguns dias. E olha que eu ainda nem era oficialmente um idoso!

Pois é, casos como esses se sucedem em todos os lugares e todo mundo tem uma ou várias histórias para contar, uma grande parte com um final bem mais triste.

Segundo o Sistema Único de Saúde – SUS, 75% dos acidentes sofridos por pessoas com mais de 65 anos acontecem dentro de casa, sendo as quedas as mais comuns. De fato, 30% dos idosos caem pelo menos uma vez por ano e 75% dentro de sua própria casa. Infelizmente, as quedas também são as maiores causadoras de óbitos, chegando a 70% na faixa etária acima de 70 anos. É importante frisar que 46% das fraturas provocadas por esse tombos acontecem durante a noite, no trajeto quarto-banheiro.

As causas dessas quedas são inúmeras, já que à medida que a idade avança, perdemos nossos reflexos e agilidade, mas em alguns casos, a imprudência também faz suas vítimas. Meu sogrão, logo depois de seu tombo olímpico, cismou que a poltrona do seu computador era mais adequada que a cadeira de rodas recomendada, se empolgou e… caiu novamente, felizmente, desta vez, sem mais nenhum dano físico!

O renomado Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia – INTO publicou o artigo “Queda de Idosos”, (que pode ser lido na internet, no endereço http://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/184queda_idosos.html), abordando o assunto de forma didática e deixando uma série de sugestões e cuidados para minimizar ou até mesmo evitar os tombos.

Confira algumas:

No quarto:

  • Coloque uma lâmpada, um telefone e uma lanterna perto de sua cama;
  • Durma em uma cama na qual você consiga subir e descer facilmente (cerca de 55 a 65 cm);
  • Os armários devem ter portas leves e maçanetas grandes para facilitar a abertura, assim como iluminação interna para facilitar a localização dos pertences;
  • Dentro do seu armário, arrume as roupas em lugares de fácil acesso, de preferência evitando os locais mais altos;
  • Instale algum tipo de iluminação ao longo do caminho da sua cama ao banheiro;
  • Não deixe o chão do seu quarto bagunçado.

Na sala e corredor:

  • Organize os móveis de maneira que você tenha um caminho livre para passar sem ter que ficar desviando muito;
  • Mantenha as mesas de centro, porta revistas, descansos de pé e plantas fora da zona de tráfego;
  • Instale interruptores de luz na entrada das dependências de maneira que você não tenha que andar no escuro até que consiga ligar a luz. Interruptores que brilham no escuro podem servir de auxílio;
  • Ande somente em corredores, escadas e salas bem iluminadas;
  • Mantenha fios de telefone, elétricos e de ampliação fora das áreas de trânsito, mas nunca debaixo de tapetes;
  • Coloque nas áreas livres tapetes com as duas faces adesivas ou com a parte de baixo não deslizante;·.

Na cozinha:

  • Limpe imediatamente qualquer líquido, gordura ou comida que tenham sido derrubados no chão;
  • Armazene a comida, a louça e demais acessórios culinários em locais de fácil alcance;
  • As estantes devem estar bem presas à parede e ao chão para permitir o apoio do idoso quando necessário;
  • Não suba em cadeiras ou caixas para alcançar os armários que estão no alto;
  • A bancada da pia deve ter de 80 a 90 cm do chão para permitir uma posição mais confortável ao se trabalhar.

Na escada:

  • Não deixe malas, caixas ou qualquer tipo de bagunça nos degraus;
  • Interruptores de luz devem estar instalados tanto na parte inferior quanto na parte superior da escada. Outra opção é instalar detectores de movimento que fornecerão iluminação automaticamente;
  • A iluminação deverá permitir a visualização desde o princípio da escada até o seu fim, assim como as áreas de desembarque;
  • Remova os tapetes que estejam no início ou fim da escada;
  • Coloque tiras adesivas antiderrapantes em cada borda dos degraus;
  • Instale corrimãos por toda a extensão da escada e em ambos os lados. Eles devem estar em uma altura de 76 cm acima da escada.

No banheiro:

  • Coloque um tapete antiderrapante ao lado da banheira ou do box para sua segurança na entrada e saída;
  • Instale na parede da banheira ou do box um suporte para sabonete líquido;
  • Instale barras de apoio nas paredes do seu banheiro;
  • Mantenha algum tipo de iluminação durante as noites;
  • Use dentro da banheira ou no chão do box tiras antiderrapantes;
  • Ao tomar banho, utilize uma cadeira de plástico firme com cerca de 40 cm, caso não consiga se abaixar até o chão ou se sinta instável.

*****

Já estava colocando o ponto final na crônica quando minha irmã telefonou para contar que a mãe de uma amiga, uma senhorinha simpática e independente, foi atender o interfone do apartamento, se enroscou com o cachorrinho de estimação e caiu no chão, fraturando o fêmur. Como diziam antigamente nos filmes de suspense, o perigo está sempre à espreita e vem de onde menos se espera.

Como prevenção não custa nada, que tal dar uma checada na sua casa? A turma da terceira idade agradece.

A Voz da Serra (7/9/2012)
Fotografia: Eddie Keogh/Reuters

Nossas tragédias

Ao alvorecer do dia 18 de janeiro de 2000, um duto da Petrobrás rompeu-se, provocando um vazamento de 1,3 milhões de litros de óleo combustível e uma mancha que se espalhou por 40 km² na Baia da Guanabara, aqui no Rio de Janeiro. Milhares de pessoas foram afetadas e a Petrobrás acabou pagando uma multa de 35 milhões de reais ao IBAMA, além de destinar 15 milhões de reais para a revitalização da baía.

O mais inacreditável veio no final: segundo o jornal O Globo, em uma matéria especial na edição do dia 30 de janeiro de 2010, ninguém foi punido e o processo devidamente arquivado (veja a reportagem na íntegra aqui):

“O juízo da 5ª Vara Federal Criminal de São João de Meriti absolveu os acusados pelo vazamento, alegando, entre outras coisas, falhas na denúncia feita pelos procuradores do Ministério Público federal (MPF), considerada genérica.

A procuradoria, que contestou as acusações, não entrou com recurso contra a decisão por avaliar que os crimes, com penas máximas baixas, estariam prescritos no momento do julgamento em segunda instância. Assim, o processo criminal de uma das maiores tragédias ambientais da história do estado foi definitivamente arquivado sem punidos.”

Pois é, agora estamos diante de outra tragédia, desta vez no interior de Minas Gerais, onde vidas foram perdidas, a flora e a fauna estão sendo exterminadas e os danos ao meio ambiente vão permanecer por muito tempo. E o que ouvimos (ou melhor, não ouvimos)? Nada, é claro. Sabemos que as barragens estavam irregulares, não eram fiscalizadas, não havia plano de segurança e nem sei o que mais.

A lama avança em direção ao mar, atravessando dois estados e suas cidades, poluindo os rios, provocando a falta de água potável, trazendo o medo e a incerteza. O prejuizo, a essa altura, é tão imensurável quanto o silêncio assustador das “autoridades competentes”.

A verdadeira tragédia do Brasil são eles. Que pelo menos desta vez, seja feita Justiça!

 

Futuro?

Um imenso deserto, árido, tomado pelo lixo. Num barraco, onde tremula uma bandeira do Brasil, em frangalhos, duas figuras miseráveis aparentam uma normalidade absolutamente resignada e sem qualquer esperança. Pudera, o nosso país, finalmente, virou um imenso lixão.

A foto 201511041742196612do lixão da Estrutural, em Brasília, distante apenas 15 quilometros do Palácio do Planalto, de autoria do fotógrafo e jornalista André Coelho, da Agência Globo, ajuda imaginarmos esse pesadelo. Mas, infelizmente, a realidade é sempre muito mais chocante e a realidade, o aqui e agora, não precisa de nenhuma imagem para ilustrá-lo, basta citar os nomes de nossas principais “lideranças”, verdadeiras bestas do apocalipse!

Faço minhas as palavras do jornalista Fernando Gabeira, em seu artigo “Cedo demais para esquecer”, publicado ontem, dia 8, no seu blog:

“Saquearam o país, arruinaram a Petrobras, vendem medidas provisórias no Planalto, vendem-se jabutis para medidas provisórias na Câmara, venderão, se puderem, a última árvore de nossa floresta, a última gota de nossas nascentes.

Não importa para eles que o país entre em parafuso. Muitos têm contas na Suíça, outros, como um deputado do PT, ganham apartamentos em Miami.

Para as grandes fortunas, esse vendaval é apenas uma brisa. No entanto, é devastador para os todos que vivem, modestamente, de seu trabalho.

Como deixar Dilma de lado, depois de utilizar o dinheiro público como quis, pedalando em nome dos pobres e canalizando o dinheiro para as grandes empresas? Como esquecer o maior escândalo da História e não relacioná-lo à milionária campanha do PT? Como acordar todas as manhãs sabendo que a Câmara é uma piscina cheia de ratos, cujo presidente é um gângster com contas na Suíça?”

E aí eu olho a foto de novo e fico me perguntando que tipo de futuro o Brasil merece…

Obsceno poder

Dias difíceis para os brasileiros.

Corrupção, inflação, descrédito, desgoverno, desesperança. O mais preocupante, entretanto, é não ver luz alguma no fim do túnel, assistir um espetáculo de horrores, a prisão em série de políticos, empresários e funcionários públicos com as mãos (bolsos?) cheios de bilhões de reais, dinheiro público, o nosso dinheiro. Ter a desagradável sensação que ainda vem mais sujeira por aí…

Passar por cidades prematuramente fantasmas, onde esqueletos de faraônicos projetos inacabados são as nossas ruínas romanas. Ouvir desculpas esfarrapadas, ideias sem sentido, testemunhar a incompetência arrogante de quem se considera acima do bem e do mal. Dói mais ainda quando percebemos que as novas cortes e seus acólitos terminarão, de uma forma ou de outra, impunes. Na pior das hipóteses, esquecidos.

Obsceno, entre outras coisas, é aquilo (ou aquele) que afeta a moral comum de uma sociedade. E isso só não vê quem não quer. Ou não pode. Ou não consegue. O escritor Carlos Heitor Cony sintetizou muito bem o momento brasileiro, em sua coluna de hoje, na Folha de SP, de onde destaco o seguinte trecho, sobre a imoral negociação envolvendo os ministérios do governo federal:

“Ficou escancarado o recurso obsceno usado pela presidente que enfrenta a possibilidade de um impeachment. Ela teve tempo para testar os ministros que nomeara ao tomar posse numa data anterior.

Para contentar os congressistas que poderiam cassá-la das funções presidenciais, ela organizou um grupo de auxiliares comprometidos com os partidos que a defenderão em plenário. Não foi uma medida tomada por um chefe de Estado e sim de uma oportunista que se agarra ao poder sem nenhum escrúpulo moral.

Pessoalmente, não vejo necessidade de um impeachment. Mas Dona Dilma de tal maneira se avacalhou, que não mais merece a função de presidir um país bichado pela obscenidade de um governo em falência.”

A propósito e talvez não por acaso o novo titular do Ministério da Ciência e Tecnologia, além de não ter nenhuma formação científica, é dono de um restaurante na Baixada Fluminense chamado “Barganha”, ironicamente um local muito apropriado para essa gente comemorar suas obscenidades.

oOo

Leia também “Vazio Poder“.

Vazio poder

O Secretário de Segurança pode achar normal, o Governador fazer de conta que não é com ele, a imprensa registrar burocratica e casualmente e a delegacia da área informar que já está atrás de câmeras para investigar a ocorrência. Na verdade, é isso mesmo que sempre acontece depois de um crime bárbaro e sem sentido.

Mas tenho certeza que se fosse em um país educado, evoluido, onde o cidadão tivesse noção que quem tem que servir à população são as chamadas “autoridades constituídas”, o fuzilamento sumário de inocentes, como o que ocorreu no último final de semana em uma favela de Niterói, teria provocado a queda de cabeças coroadas, até mesmo no sentido literal.

É o terceiro caso conhecido na região esse ano (veja aqui, aqui e aqui): a pessoa se perde, entra em uma comunidade qualquer e é atacada com fuzis de assalto, sem a menor chance de defesa. Além das mortes absurdas, fico pasmo assistindo estado falar em pacificação e perder território dia após dia, em franca e vergonhosa retirada.

Para que serve um governo que não tem sequer competência para garantir a segurança de seus cidadãos? Que rouba, mente e se agarra a um poder vazio, por vaidade, arrogância e ganância? Quem manda no Brasil, afinal? Onde foram parar as pessoas que julgavamos de bem, em quem confiamos o nosso futuro? Não sei, mas uma coisa eu tenho certeza, encheu, passou da conta, já está na hora de mudar tudo.

Basta!

Por que os kamikazes usavam capacetes?

1) porque eram militares e o capacete faz parte do uniforme ;
2) para proteger a cabeça de pancadas e do frio;
3) e o mais importante, o sistema de comunicações entre a base e os outros aviões era feito através de fones e microfones, dentro do capacete.

Kamikaze, que pode ser traduzida como “Vento Divino”é uma palavra japonesa — comum por ter se tornado o nome de um tufão que dizem ter salvo o Japão em 1281 de ser invadido por uma frota líderada por Kublai Khan, conquistador do Império Mongol. Os Kamikaze Tokubetsu Kōgekitai foram unidades de ataque suicida por aviadores militares do Império Japonês contra navios aliados nos momentos finais da campanha do Pacífico na Segunda Guerra Mundial.

Cerca de 2.525 pilotos morreram em ataques Kamikaze, causando a morte de 4.900 soldados aliados e deixando mais de 4 mil feridos. O número de navios afundados é controverso. A propaganda japonesa da época divulgava que os ataques conseguiram afundar 81 navios e danificar outros 195. A Força Aérea Americana alega que 34 barcos afundaram e 368 ficaram danificados.

O Vice-Almirante Takijiro Onishi, vice-chefe do Estado Maior Geral da Marinha e criador das operações Kamikaze, cometeu seppuku nos seus aposentos em Tóquio em 16 de Agosto de 1945, um dia após o anúncio da rendição incondicional do Japão. Conformemente, Onishi não utilizou um kaishakunin – assistente encarregado de decepar a cabeça do suicida logo após ele rasgar o estômago com um punhal – em seu ritual de suicídio, e morreu do ferimento 15 horas após o ato.

Em sua carta de despedida, pedia desculpas aos pilotos que ele tinha enviado para a morte, e incitava todos os jovens civis que tinham sobrevivido à guerra para trabalharem de modo a reconstruir o Japão e defender a paz entre as nações. Deixou também, como manda a tradição, o seguinte poema:

“Hoje em plena floração,
amanhã dispersa pelo chão.
A vida é uma flor delicada.
Como esperar que a sua fragrância dure eternamente?”

Primavera

São 15:56 horas e o termômetro aqui de casa, cuidadosamente instalado e protegido no quintal marca 28.5º, como vocês podem conferir na foto abaixo. Venta muito, tipo rajadas, o ar está mais seco mas duvido muito que a temperatura aqui na Urca tenha passado muito dos 30º. Para quem acordou ouvindo toda a mídia trombetear que a cidade ia arder sob um sol inclemente, podendo chegar aos 42º, ficou de bom tamanho.

Não sei como está o tempo na zona oeste, onde a temperatura costuma, literalmente, explodir. Imagino que esteja muito quente e fico pensando na turma que já está curtindo, in loco, o Rock in Rio. Faz parte. Já aqui em casa, hoje pela manhã fomos à feira tomar caldo de cana, caminhada tranquila pela sombra das árvores que protegem da inclemência do sol. Na praça, flores roxas pareciam nos dar boas vindas.

Não resisti, parei de escrever e saí para fotografar o entardecer. O mar encrespado, empurrado pelo vento, flores brotando em simples jardins de ruas, a tarde tépida e preguiçosa chegando ao fim, mureta já cheia de gente antecipando o final da semana. Decididamente a primavera chegou. Pena que trouxe o verão…

Fotos: Carlos Emerson Jr.

Retas cortadas

 

Nas aulas de geometria aprendemos que as paralelas só se encontram no infinito e tem até que prove isso com equações matemáticas. Aí, um belo dia, adulto já, dou de cara com essas retas cortadas e, pior, desalinhadas. Coitadas, essa aí nunca alcançarão o seu infinito, seja lá onde ele estiver. Ou será aí mesmo, na Avenida Niemeyer, em São Conrado, numa obra de uma ciclovia carioca?

Sei não, o mundo anda muito estranho…