Cancelando uma assinatura

Foto: Congresso em Foco

Por uma série de motivos que nem preciso explicar, resolvi pedir o cancelamento da assinatura da edição digital do O Globo, um direito meu, uai. Pois muito bem. O primeiro obstáculo foi encontrar no site onde ou como fazer tal solicitação. Procura daqui, assunta dali, revira o Portal do Assinante e nada, nem um telefone sequer. Fui até a seção “ajuda” para ver se havia alguma dica e bingo, descobri um link que levava a um aviso que o pedido só seria possível por telefone, um do Rio de Janeiro e um 0800. Muito aqui entre nós, uma solução antipática, contrariando a orientação do Procon.

Liguei, tive que explicar o porquê da desistência da assinatura, citar uns três ou quatro artigos, colunistas ou editoriais que tinham me incomodado, ouvir detalhes de uma oferta para pagar R$ 1,60 durante três meses, confirmar todos os meus dados pessoais, informar meu telefone celular (eles já tinham o fixo) para só então ter meu pedido aceito e recebido um protocolo. Ah, sim, a mocinha avisou que o processo estava em andamento e em até 20 dias eu receberia uma ligação do jornal confirmando o cancelamento. Caramba, o Procon sabe disso?

Uns quinze dias depois o telefone fixo toca. Era uma funcionária do jornal querendo saber toda a história de novo, porque eu queria cancelar a assinatura, o que eu não gostava, que era um absurdo ficar sem o Globo e disparou um falatório atordoante, de onde, às vezes, ouvia coisas como “temos 97 colunistas”, “somos o melhor jornal do Rio e do Brasil”.

Mandei a moça parar e disse que aquilo que ela estava fazendo era assédio e que se não mudasse sua postura, eu ia gravar o restante da ligação e dar queixa dela e do jornal no órgão de defesa do consumidor mais próximo. Nossa, a jovem ficou furiosa e, para manter minha sanidade, avisei que esperava que aquela fosse a última ligação para mim. E bati o telefone, sem dó!

Ontem o fixo tocou novamente. Era outra pessoa querendo conversar comigo sobre minha assinatura. Respirei fundo pedi desculpas e dispensei, claro, paciência tem limites. Sou de uma geração que cresceu sem a presença do O Globo em casa. Meu pai lia o Correio da Manhã e o Jornal do Brasil. Várias vezes comentava que o jornal do Roberto Marinho não passava de uma Tribuna da Imprensa (que ele odiava) com roupa de noite. Vale registrar que a oferta de jornais nos anos 50 era grande, para todos os gostos, ideologias e até times de futebol.

A linha editorial do jornal mudou radicalmente após a morte do seu fundador, o Roberto Marinho. Nos últimos anos, gente com opiniões estranhas ou desconhecedores da realidade do Rio foram importados de sabe-se lá de onde e com qual critério. O pior mesmo, no entanto, são alguns editoriais, na linha do quanto pior,melhor ou apontando o dedo acusador para o desafeto da vez. Mas isso nem seria um problema. Já questionar meu direito de encerrar minha assinatura, é sim! Enfim, vida que segue, a assinatura está cancelada.

Ou não?

Incêndios serranos

Foto: Nova Friburgo AM 660 kHz

São 20:45 horas da terça-feira, dia 17 de setembro e ainda vejo focos de fogo na encosta do Pico do Caledônia. É o segundo incêndio por lá em três dias, destruindo a flora e a fauna, sujando o ar de Nova Friburgo e o principal, nos deixando cheios de vergonha por mais uma tragédia anunciada todos os invernos.

Enquanto todo mundo condói-se com as queimadas amazônicas, nossa preocupação, além do evidente custo ambiental, é a proximidade dos incêndios com casas, residências e mesmo bairros inteiros. Não quero nem pensar em ver aqui os desastres que acontecem na Califórnia, Espanha e Portugal, entre outros. Acordar no meio da noite com fogo para todos os lados é um pesadelo completo.

Segundo o jornal A Voz da Serra, de hoje, “em 2019, de janeiro até agosto foram registrados 530 focos de incêndio. É o maior registro da história, desde que a região passou a ser monitorada em 2014”. E tem mais sobre o final de semana: “as chamas eram vistas de diferentes pontos da cidade. O cheiro de fumaça esteve presente durante boa parte do sábado e domingo. Muitas casas ficaram sujas por conta das cinzas levadas pelo vento. O céu azul ficou enevoado por conta da fumaça. Ao todo, o fogo destruiu 200 mil metros quadrados de vegetação”.

As causas todos nós estamos carecas de saber: falta de chuvas, baixa umidade do ar, calor e, principalmente, irresponsáveis ou criminosos sem a menor empatia com a cidade, seus moradores, suas florestas, seus animais, seus rios, nascentes e lagos. O que ameniza um pouco o sofrimento é que os bombeiros estão melhor aparelhados e o número de voluntários cresceu, além de um providencial helicóptero de plantão.

Que maneira de começar a primavera!

Morar na Serra

Foto: Carlos Emerson Jr.

Foram necessários vinte anos para descobrir que ter uma casa na serra e morar na serra são coisas completamente distintas. Vou explicar: no final dos anos 90, com as filhas na faixa dos 14 e 15 anos, achamos que seria uma boa ideia comprar um apartamento (ou chalé, como se dizia por aqui na época) em um condomínio fechado, num bairro de bom nível, sossegado, seguro e pertinho do centro de Nova Friburgo, com tudo o que tem direito como piscina, sauna, quadras polivalentes, salão de festas, bosque, água de nascente, o que você imaginar (parece anúncio de corretora…). Para melhorar era (e ainda é) cercado de florestas por três lados, um luxo adicional.

Pois bem, na reta final a construtora pifou, a entrega do imóvel atrasou, tivemos que gastar além do previsto mas, como devia estar escrito nas escrituras, tudo terminou bem e começamos a subir regularmente quase todos os finais de semana para curtir o ar gostoso e limpo da serra fluminense. Infelizmente adolescentes são volúveis e crescem. Com o passar do tempo, as meninas descobriram outros interesses e as idas para Friburgo começaram a rarear. No entanto, eu e minha mulher insistimos e sempre que possível e apesar do frio, batíamos o ponto regularmente na serra. No inverno era uma festa, muito frio, lareira, fondue e vinho eram nossos parceiros constantes.

Vinte anos é muito tempo e após uma temporada em Friburgo de uns quatro anos, quando até tive uma coluna no jornal local e fiz um bocado de amigos, a vida nos levou de volta ao berço, ou melhor, ao Rio de Janeiro. As filhas tomaram seu rumo e ficamos, minha mulher e eu, sozinhos numa cidade com dez milhões de habitantes, cara, violenta, desorganizada e poluída. Sem perceber, o bichinho do interior já havia nos mordido. Um belo dia, olhamos um para outro e nos indagamos:

– Porque não estamos morando em Nova Friburgo?

Pois é, sem nenhuma resposta racional que justificasse nossa permanência na ex-cidade maravilhosa, fechamos o barraco carioca e no dia 15 de novembro de 2017 tomamos posse da nossa casa na serra, desta vez, se Deus quiser, para sempre.

Depois desse textão todo, posso responder que morar em uma cidade pequena, a meio caminho das Minas Gerais, a mais de duzentos quilômetros da capital, traz a tranquilidade de saber que você pode andar tranquilo nas ruas, conhecer todo mundo, ter a facilidade de pegar o telefone e fazer a compra do mês no seu mercado favorito. Respirar ar puro. Tomar banho de rio cristalino. Ter Lumiar e São Pedro da Serra a apenas alguns quilômetros de casa.

Vou parar por aqui, amigos. Já está entardecendo e daqui a pouco é hora de sentar na varanda e assistir ao sol se pondo atrás da mata que abraça o condomínio. Curtir o calor que, depois de tantos dias gelados, voltou a dar o ar de sua graça. Trocar um dedo de prosa com os vizinhos. Abrir um vinho tinto para comemorar uma conquista muito importante, ainda mais na nossa idade: qualidade de vida. Enfim, morar na serra? Recomendo de olhos fechados!

Agosto, o fim de um deus

Nagasaki, 1945

Foi no dia 15 de agosto de 1945, ao meio-dia, que Deus falou para o povo no rádio, pela primeira vez. O Imperador Hiroito, considerado uma divindade no Japão, anunciou que a guerra havia terminado e todos tinham que se preparar para suportar o intolerável. As imagens e o terror provocado pela destruição das cidades de Hiroshima e Nagasaki (duas cidades católicas, por sinal) tinham sido suficientes. Em 1º de janeiro de 1946, o imperador fez sua segunda transmissão radiofônica afirmando que sua família não tinha nenhuma ligação divina, seu sangue era igual aos dos japoneses e ele decididamente não era um deus. Por iniciativa das tropas de ocupação aliadas, preocupadas com notícias de suicídios em massa, tumultos e vandalismos, o Imperador Hiroito continuou no poder até morrer, em 1989. Com o passar dos anos, todos se esqueceram que um dia ele foi Deus.

Para quem se interessar, segue o link com a tradução livre com a transmissão histórica do dia 15: Gyokuon-hōsō.

Cerejeiras de Nova Friburgo

Foto: Carlos Emerson Jr.

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!
(Ôshima Ryôta—1716/1787)

Vocês já repararam como nossa cidade está bonita? Pois é, as cerejeiras floriram floraram e durante duas semanas, devidamente acompanhadas por um sol digno de serra, enfeitam ruas, parques, jardins, campos, sítios e fazendas de Nova Friburgo. Os “culpados” são os japoneses, é claro, que em 1927, quando saíram do Japão para morar nas terras altas do Estado do Rio, trouxeram uma de suas tradições mais bonitas e delicadas, o Hanami, contemplação da beleza das flores, “sakura” ou cerejeira. Pena que sua floração só dure duas semanas.

As fotos foram feitas nas Braunes, bairro onde moro, acolhedor o suficiente para abrigar tantas árvores tão belas. A propósito e como era de se esperar, anualmente acontece a Festa da Cerejeira de Nova Friburgo, na zona rural, num local lindo apropriadamente batizado de Florlandia da Serra. Organizada pela colônia japonesa, a festa é um espetáculo de simpatia, gastronomia, tradições orientais e um túnel de cerejeiras de tirar o fôlego.

ありがとう、日本の隣人
Arigatō, Nihon no rinjin

Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.

Fala mais alto!

Você está ouvindo pouco? Seu sono é agitado? Anda irritado com as pessoas, o cachorro e a patroa? Não quer saber de sexo? As palavras que você mais usa são “fala mais alto”, “heim?” e “não entendi nada, repete”? Está se sentido deprimido, cansado, com dores de cabeça, zumbido nos ouvidos. sem apetite? Nem tudo está perdido, meu amigo, acho que tenho uma boa notícia para você.

Seu problema é provocado pela poluição sonora urbana, aqueles barulhos cotidianos irritantes como serra elétrica em obras, aceleradas de motocicletas, automóveis com descarga aberta e som mais potente que baile funk nas comunidades, carga e descarga de caçambas de entulhos a qualquer hora do dia (e da noite), montagem de feiras livres de madrugada, torcidas organizadas, aos berros, assistindo jogos de futebol nos bares com tv (todos, né?), pessoas conversando aos berros no celular, som alto na casa do vizinho e, para quem morou na Urca, aproximação de aviões para aterrissar no porta-aviões Santos Dumont, digo, aeroporto dos anos 30, voando baixo, com as turbinas rugindo com força para tudo o que é lado e você rezando para o bicho não cair dentro de sua sala.

Ninguém merece, não é mesmo? Infelizmente, tenho também uma má notícia: a cura dessa doença social é complicada, talvez impossível, principalmente se você mora numa cidade entregue às baratas com quase dez milhões de vizinhos. Mas tem remédio, claro. Primeiro, saiba escolher bem o seu prefeito. Eu sei, é difícil, tem uma turma de incompetentes ou coisa pior agarrada ao poder de pai para filho desde que Cabral (o português) chegou a essas terras. Cobrar, reclamar, chamar a polícia, acionar o Bope e dar queixa ao Papa ajuda muito. O problema é que… Bom, como todo mundo no Rio acredita piamente que tem todos os direitos e nenhum dever, uns dois dias depois a zona volta a se restabelecer.

Um belo dia juntei as poluições sonora e ambiental com a óbvia insegurança, decadência econômica, favelização descontrolada, falência da administração pública e resolvi ir embora da cidade onde nasci, cresci e morei exatos 68 anos. Estava me sentindo infeliz, surdo, estressado, sem perspectiva alguma, com medo de levar um tiro e, para piorar, numa cidade muito cara. Juntei meu povo e fomos embora para a serra, continuar nossa jornada numa cidade com menos de 2% da população do Rio, ainda segura, ainda calma, ainda ordenada, onde você conhece seus vizinhos, não tem medo da polícia, de ser “premiado” com uma bala perdida e pode dormir à noite toda, tranquilo como um bebê.

Enfim, esse texto todo é para defender que o melhor remédio contra a poluição sonora urbana (e outras mazelas) é morar no interior. Sério! Não dá nem para explicar, só o fato de perceber que você não tem dez milhões de vizinhos já é um alívio enorme. Não seja preconceituoso, meu caro leitor, experimente. Vai que você gosta?

O soldado de Berlim

Autor desconhecido

Berlim, 1932. O exército alemão começa a se reorganizar e reequipar. As tropas voltam aos treinamentos, enquanto políticos decidem o futuro do país. Mal sabem que no ano seguinte, a ascensão de um cabo austríaco ao poder vai se transformar em uma tragédia. Enquanto isso, em alguma rua da capital, um fotógrafo anônimo flagra um soldado em seu descanso consultando suas mensagens no seu celular….

Pera aí, em 1932 não existiam smartphones! Sequer celulares. Os telefones eram de magneto e poucos tinham acesso aos seus serviços. Tem alguma coisa fora de lugar nessa foto e eu é que não sou! Seria o soldado um viajante do tempo? Alguém que saiu do século 21 para assistir ou até mesmo tentar impedir a ascensão do nazismo? Se foi isso, não deu certo…

Por outro lado, quem garante que o militar não era um alienígena recebendo instruções de sua nave espacial, devidamente camuflada para não espalhar o pânico? Hum, sei não, o sujeito tem cara de alemão de cinema mudo mesmo! Talvez o celular fosse apenas apenas um espelho e o jovem estava dando uma de Narciso. Também não parece possível, com certeza o resto da tropa estaria em volta às gargalhadas.

A foto provocou discussões, mas a explicação mais viável é que alguém passou por um set de filmagem, percebeu o ator fardado com o smartphone nas mãos, fez um pequeno retoque para dar um ar de anos trinta no ambiente e pronto, nasceu uma foto no mínimo curiosa, que serviu até de inspiração para o post de hoje. De qualquer maneira, se você tiver uma explicação melhor, pode mandar para o blog. Teorias & Conspirações são comigo mesmo!

Ressacas

Acervo O Globo

Pois é… Recebo notícias da ressaca que bateu nas praias do Rio de Janeiro, vejo algumas fotos nos jornais cariocas e fico com pena de não ter descido nenhuma vez para curtir o fenômeno, comum nos meses de inverno. Mas não tem importância, eu vi, acreditem ou não, a grande ressaca de 1963, que invadiu a pista (ainda única) da Avenida Atlântica, tomou conta das ruas transversais e chegou na Avenida Copacabana. Aliás, diz a lenda que a Confeitaria Colombo, na esquina da Rua Barão de Ipanema com a Avenida Copacabana, ficou cheia de água do mar! Não vi, mas não duvido nada.

O extinto jornal carioca “Correio da Manhã”, na época assim registrou:

“Sábado, cêrca de 20 horas, o mar começou a agigantar-se de maneira impressionante. A ação da lua cheia avolumando a maré, coincidindo com os ventos fortes nesta época do ano, provocou o fenômeno. Pela madrugada de domingo, a fúria das ondas se intensificou e as águas invadiam os porões e garagens dos edifícios, destruindo tapêtes, quebrando vidraças e alagando tudo. Do Leme até o Pôsto 3, a ressaca teve maior gravidade e as ondas chegavam a atravessar a Avenida Atlântica indo estourar na porta dos edifícios. Em conseqüência, ocorreram vários acidentes de automóveis, pois muitas ruas transversais à orla da Praia de Copacabana também foram invadidas pelas águas. O ruído do mar chegou a causar pânico naqueles que acreditam na proximidade do fim do mundo.”

Pena que nos anos 60 crianças não tinham máquinas fotográficas mas, com a ajuda do acervo do O Globo, aí vão algumas boas imagens. E é isso, meus caros amigos. Ressacas, marítimas ou etílicas, sempre acontecem e é bom lembrar que prevenir os seus efeitos colaterais é responsabilidade exclusivamente nossa.

A imersão do Zé

Telefonou para o amigo, lá no Rio:

— Oi, Lisete, o Zé pode atender?

— Seu Carlos, o Dr. Zé está em São Paulo, fazendo imersão.

— Fazendo o quê, Lisete?

— Ele está em São Paulo fazendo imersão.

— Como assim, imersão? Um curso de mergulho submarino?

— Não sei não senhor, seu Carlos.

— Ele só pode ter se metido com um curso de mergulho submarino. Mas logo em São Paulo, aqui pertinho, em Macaé, está cheio de boas escolas… sei não Lisete, a mulher dele foi junto?

— Foi, seu Carlos, os dois viajaram ontem e voltam no domingo.

— Mas que raio de curso de mergulho é esse que só dura dois dias?

— Ah, sei não. O senhor quer deixar algum recado?

— Não, pode deixar, na segunda ligo de novo. Obrigado, Lisete!

— Tchau.

Coçou a cabeça foi comentar essa história esquisita com a mulher.

— Mas você está velho mesmo, meu Deus! Imersão é o nome que dão a um tipo de curso onde você fica isolado um fim de semana todo só pensando naquilo, quer dizer, no tema do curso, é claro!

— Pô, isso é uma imersão? No meu tempo chamava-se intensivão ou coisa que o valha. O que essa gente do marketing não inventa! Imersão! Cada vez mais tenho a certeza de que morro e ainda não vi tudo! Mas vem cá, fazer uma imersão de um curso de mergulho submarino na idade dele… não é uma ideia meio maluca?

— E quem falou em mergulho submarino, você bebeu? O curso é de alergia alimentar, vê lá se o Zé vai mergulhar. Acorda!!!

Achou melhor pegar o jornal e ler a seção política para relaxar. Em meia hora esgotara todo o estoque de asneiras do mês!

(2010)

Humanos

Desenho: Eduardo Cambuí Junior

José Saramago, o grande escritor português, uma vez afirmou que “nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”. Que ela não é fácil isso não se discute, mas a maneira como a vivemos, as expectativas que criamos, decepções com sonhos não realizados, amores não correspondidos e a inexorável jornada para a morte são mais do que suficientes para gerar frustrações e ressentimentos.

Durante nossa breve existência temos que conviver com a disputa pelo poder, o consumismo desenfreado, preconceitos, ódio e o mais importante, nossa própria ignorância! É claro que somos recompensados com amores, amizades, esperança e curiosidade, mas a grande dificuldade sempre foi e será o que fazer com a vida que recebemos. Somos racionais, mas movidos por emoções. E, é claro, humanos, simplesmente humanos.

Arte