Hora de escrever

Quanto custa um trabalho intelectual? Para ser direto, será que escrever um artigo regularmente, até mesmo aqui para o blog não deveria ter algum tipo de retorno? Escrever exige pesquisa, tempo, atenção, disciplina e dedicação, sem esquecer o mais importante, honestidade e transparência.

Escrever é também um trabalho braçal. A sensação de sentar diante de um monitor vazio, com o prazo de entrega estourando e a vaga sensação de que não tem absolutamente nada para dizer é sempre angustiante. Isso sem falar na preocupação com a grafia correta, a acentuação, uso de vírgulas, a fluidez do texto e, é claro, sua inteligibilidade.

Ernest Hemingway dizia que “se um escritor deixa de observar, está liquidado.” Escrever, para mim pelo menos, é ver, processar e informar. Aliás, informação, meus caros, nas mãos erradas, pode ser uma arma muito perigosa. É bom lembrar que quem vence as guerras escreve a sua verdade e não necessáriamente a verdade, não é mesmo? Ou meias verdades, que são piores ainda.

A liberdade de expressão , sobretudo sobre política e questões públicas é o suporte vital de qualquer democracia e acrescento também como vital, o direito à informação. Esconder, mentir ou suprimir informações, ainda mais envolvendo a segurança do cidadão e seu patrimônio, deveria ser um crime hediondo.

Qualquer pessoa sempre tem algo a dizer, mas bem poucos se atrevem a escrever e se expor. Afinal, “escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.”(Clarice Lispector)

*****

Foto: Carlos Emerson Junior

Sirenes são apenas um alerta

sirene-em-nova-friburgo-na

A Voz da Serra

Choveu forte neste final de semana e o Córrego D’Antas mais uma vez foi bem atingido. O rio transbordou, a ponte provisória foi levada pelas águas mas, felizmente, não tivemos nenhuma vítima para prantear.

As sirenes não soaram. Segundo Marilene Ramos, presidente do INEA, “a sirene que está funcionando em Friburgo é para deslizamentos de encostas, e não havia o nível de chuva suficiente. Entretanto, foram dados dois alertas de inundação. O que não aconteceu foi o alerta de transbordamento. Que acontece via SMS. Houve um problema técnico na estação que ainda está passando por fases de ajustes“.

As autoridades estão devendo, desde a tragédia de janeiro, a dragagem do rio e a construção de uma ponte definitiva. Aliás, a ponte provisória que caiu foi reerguida no domingo por voluntários da Cruz Vermelha de Nova Friburgo, em uma demonstração de solidariedade que serve de exemplo diante da omissão do poder público com a segurança e o bem estar dos seus cidadãos.

A instalação das sirenes, cercadas de muita expectativa, foi a única providência tomada para garantir a segurança de Nova Friburgo nesta estação de chuvas. Muito pouco, convenhamos. Sirenes são apenas alarmes, nunca a solução. Além do mais, nosso sistema é precário porque não tem câmeras de monitoramento, depende de sites de terceiros, não dispõe de uma central de operações e muito menos um radar meteorológico.

A Defesa Civil friburguense ainda é uma subsecretaria, não tem autonomia e verbas. Faltam engenheiros, geólogos, equipamentos e, mais uma vez, precisamos contar com a boa vontade e disposição de abnegados que tentam fazer seu serviço, a nossa proteção, da melhor maneira possível.

Estamos cansados de promessas vãs e palavras ao vento. Só teremos paz quando as obras de reconstrução e proteção da cidade forem iniciadas, se é que algum dia o serão. Enquanto isso, a cada chuva seremos obrigados a ficar de olho na barreira do lado e nos níveis dos rios, insones à espera do pior.

Só que paciência tem limites e a população jamais aceitará passar mais um verão correndo para fora de casa toda a vez que as sirenes soarem. Aliás, um ditado popular diz que “um dia a casa cai” e a próxima, senhores, pode não ser a dos moradores e sim as casas legislativa e executiva do município.

As eleições de outubro de 2012 estão aí e vamos dar uma resposta à altura do seu pouco caso e desrespeito com os moradores de Nova Friburgo.

História do Pingo

Pingopor Fatima Emerson

Vocês não conheceram o Pingo…

Foi o “nosso” primeiro cachorro. Só não sabiamos disso. Eu que sempre fui apavorada com bichos, aprendi a conviver com o Pingo, na portaria do meu prédio.

Quando nos mudamos para Copacabana, havia um cachorro preto, aspecto de vira latas (ou sendo politicamente correta, “sem raça definida”) que, apesar de ter um dono, perambulava pelas ruas do Posto 4 com muita desenvoltura.

A maior parte do tempo ele permanecia na porta do nosso prédio, no seu posto de sentinela na calçada, sentado na área externa da portaria, que naquela época não tinha grades à sua volta como hoje. E as pessoas passavam, cumprimentavam o porteiro, quem mais estivesse na portaria e acrescentavam:

– Olá Pingo!

– Bom dia Pingo!

Era um cão sério, raramente pulava e mantinha um ar de altivez, paz e responsabilidade na guarda da portaria, nem se mexia. À noitinha, retornava ao apartamento do seu dono.

Às vezes, quando caminhávamos na praia, aproveitando o sol da Avenida Atlântica, esbarravamos no amigo canino. E onde passava tinha sempre alguém que o reconhecia:

– Olá Pingo!

– Você por aqui, Pingo?

Um carinho, um agrado… Ele? nunca latia, parava com um, com outro ou mesmo seguia em sua caminhada diária. Naqueles tempos, cães podiam andar livremente na praia e nas areias, sem causarem espanto.

Um dia seguimos o Pingo: ele ia seguro pelas ruas do Posto 5 em Copacabana. Ao chegar numa esquina, esperou pacientemente que se juntassem várias pessoas e se posicionou – só atravessou quando todos foram juntos. Aí aprendemos o seu segredo e porque nunca foi atropelado.

Todos os dias, a mesma coisa. E todos já contavam com aquela rotina silenciosa, seus olhos castanhos, brilhantes e amorosos, como um sinal de que tudo estava em paz.

Mas, com o tempo, Pingo foi ficando malhado, seus pelos embranqueceram e sua altivez se modificou. Passou a caminhar menos e quando o fazia, preferia a companhia do seu dono. Numa das ultimas vezes em que o vi, ia carregado no colo para a praia que tanto amava. E, um dia, silenciosamente, Pingo se foi.

Junto com ele, foi um pouquinho de todos nós, que sentimos a falta da sua companhia, cão de um dono, mas cão de todos nós. E, se há um céu dedicado aos cães, tenho certeza de que o Pingo está por lá, numa praia ensolarada, sem carros, com imensa areia branca fresquinha, ondas baixinhas, verdadeiras marolas como ele gostava, onde hoje ele corre, brinca e se esbalda!

Publicado no Maria Filomena – Uma história de amor, em 17 de julho de 2011.

Foto: Nenhum Animal é Brinquedo

Uma viagem complicada

Só pode ser algum tipo de carma… Viagem marcada de volta para Friburgo pela onipresente 1001, saindo do Castelo às 16:10, linha direta até a nossa Rodoviária Sul. Chego no Menezes Cortes um pouco mais cedo e ouço o que não queria ouvir: o ônibus para Friburgo foi lacrado pelo Detro.

– Como assim? E agora?

Pois é, por irregularidades na documentação o veículo foi impedido de iniciar a viagem. A medida que o horário da partida se aproximava e os passageiros chegavam, a situação ia ficando cada vez mais nebulosa. Fomos exigir um outro veículo em condições de, parece brincadeira, viajar!

– Estamos desviando um carro da Rodoviária para cá. Por favor, aguardem apenas uns vinte minutos.

Tudo bem, mas vocês conhecem o Terminal Menezes Cortes. A parte das lojas é uma beleza mas as plataformas… Envenenamento por CO2 alí perde! Mas divago. Depois de loooongo tempo encosta um G7 novinho em folha, para alegria da patuléia e tristeza dos fiscais do Detro que aí não tinham o que fazer.

Embarcamos todos rindo e felizes (é claro que estou brincando), apertamos os cintos, o motorista ligou a ignição e o G7 bateu num ônibus da Viação Amparo que saía do terminal. Juro! As reações foram as mais variadas. Eu liguei para a minha mulher às gargalhadas, de puro nervoso, só pode. Uma parte do pessoal saltou de novo para ver o estrago e outros ficaram xingando o motorista, a 1001 e até o prefeito do Rio que, nesse caso, não tinha nada a ver com a história!

Para resumir a aventura: os fiscais das empresas se entenderam, os fiscais do Detro, com pena, liberaram e a viagem finalmente começou. Mas aí já não teve jeito, pegamos engarrafamento na Perimetral, Ponte Rio-Niterói e na famigerada Estrada do Contorno. Cheguei em Nova Friburgo às 20:10, quatro horas depois.

Ufa! Agora, aqui entre nós, que mancada, 1001!

Foto: Anpleco Buss

Os zumbis estão chegando

zumbis-1a413
E depois falam que eu sou maluco, só porque adoro filmes e livros de zumbis, aqueles seres que um dia vão dominar a Terra e comer o cérebro de todos os humanos restantes! Aliás, a maldade é tanta que já chegaram a espalhar por aí que um pedaço da minha cabeça já foi devorado, que horror! A única coisa que perdi de lá até agora foram os cabelos e, meus caros leitores, ao contrário de vocês, estou mais do que preparado para sobreviver num mundo dominado por essas criaturas abjetas, desprovidas de humanidade. Um dia ainda serei o próprio The Omega Man, a última esperança da Terra!!

Mas botando os pés no chão, não é que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) acaba de divulgar instruções de como se preparar para um ataque apocalíptico de zumbis?

O comunicado publicado na página da entidade pretende usar o apelo midiático do tema para ajudar a divulgar formas de se preparar para emergências reais. Ainda assim, o CDC parece ter levado a sério o tema e inclui detalhes bem específicos contextualizando um ataque desta natureza. Os preparativos foram elaborados a partir dos relatos dos mortos-vivos comedores de cérebro que aparecem em filmes e livros – eles seriam criados por um vírus infeccioso e transmitidos por mordidas e fluídos corporais, ou seria fruto de radiação e mutações.

Segundo o CDC, o aumento dos zumbis na cultura pop fez aumentar também a crença de que um ataque realmente poderia acontecer – mas as pessoas saberiam o que fazer nesta eventualidade? “Esperamos responder a essas perguntas para você e, quem sabe, compartilhar algumas dicas de como se preparar para emergências de verdade também”, diz o texto.

O primeiro passo seria montar um kit de emergência que o ajude a chegar até um campo de refugiados não- zumbis. Ele deveria conter água, comida (não perecíveis), remédios; ferramentas (canivete, fita-crepe, rádio com baterias), itens de higiene (desinfetante, sabão, toalhas), roupas de cama, documentos (cópias das carteiras de motorista, passaporte e certificados de nascimento), kit de primeiros socorros (que o CD ressalta ser inútil no caso de uma mordida zumbi…).

Em seguida, é preciso já deixar a sua família avisada: aonde ir e o que fazer se os zumbis aparecerem na porta de casa? Escolham dois locais de encontro: um perto e um longe de casa e faça uma lista de contatos de emergência. Também é importante planejar a sua rota de saída, afinal, diz o CDC, “quando zumbis sentem fome eles não param até obterem comida (cérebro)”.

O órgão afirma ainda que, caos os zumbis atacassem, seriam conduzidas investigações como no caso de qualquer outra pandemia. Testes, análises e controle de pacientes, com isolamento e quarentena ajudariam a determinar a causa da doença, a fonte da infecção, como ela é transmitida, como se espalha, como interromper seu ciclo e como tratar pacientes.

E agora? Eu bem que avisei!

Fonte: Info Online

O fim do mundo vem aí ?

Terremoto no Haiti com mais de 200 mil pessoas mortas. Um outro terremoto de proporções épicas na costa do Chile, que chegou a ser sentido em cidades do Brasil, como São Paulo. Inverno extremamente rigoroso no norte da Europa, com temperaturas atingindo a marca dos 50 graus negativos. Por outro lado, calor extremo no sudeste do Brasil, com sensações térmicas de 50 graus positivos no Rio de Janeiro. Inundações no Peru, Ilha da Madeira, São Paulo (durante mais de 40 dias), Índia e Filipinas e por aí vaí.

Aconteceu tanto desastre natural neste início de ano que não tinha como deixar de me perguntar: será que o mundo vai acaba mesmo no dia 21 de dezembro de 2012 como previram os Maias e o Roland Emmerich em seu apocalíptico filme ?

Pois é… o nosso evento final já tem data e se bobear, até hora marcada!

Fui achar a resposta num velho post do meu antigo blog Focus Mode. Trata-se de uma revelação do calendário astronômico do povo Maia, prevendo uma tempestade solar de alta intensidade afetando os campos magnéticos da Terra, causando o colapso de todos equipamentos eletrônicos, principalmente os satélites de comunicação. Ficaríamos meses na escuridão e no caos.

Alguns acreditam no aparecimento de um “buraco negro” que inverteria o eixo terrestre, provocando destruição em massa.

Outros discordam e apostam em vulcões, terremotos, tsunamis, furacões e ciclones, além de defenderem a tese de que a intensidade desses fenômenos naturais irá aumentando gradativamente até a data marcada, se encerrando em 2013.

Ainda não há um consenso sobre o alcance dessa tragédia e muito menos, ao que eu saiba, nenhum governo do mundo admite tal hipótese, até mesmo para não causar pânico!

Não vou entrar no mérito da questão e deixo o assunto aqui para sua reflexão. Se você quiser, já pode começar a estocar água, alimentos e construir um “bunker” para tentar escapar da destruição Maia (nada a ver com o ex-prefeito do Rio…).

No entanto, já vou avisando que há uma outra profecia para 2014, indicando a queda de um asteróide quase igual ao que extinguiu os dinossauros. Ou seja, se você escapar de 2012, continue no “bunker” por mais dois anos!

E também não se esqueça que no Brasil, nesse fatídico ano, teremos uma nova eleição do Lula, a Copa do Mundo, uma montanha de obras superfaturadas…. pensando bem, só saia do abrigou em 2020. E olhe lá!

Leia mais sobre o fim do mundo Maia:
Ciência Hoje
Sem Demora
Hypescience
Wikipédia
A terceira profecia Maia

Rio-Friburgo

Todo mundo conhece a história do bode na sala, não é mesmo ? Pois é… no caso da RJ-116 foi a mesma coisa.

Conheço Nova Friburgo desde a década de 70, quando subia de vez em quando para cá pela antiga Rio-N.Friburgo, uma combinação da BR-116 com a RJ-122 e a RJ-116 (ou via Parada Modelo). Mais tarde, com o advento da ponte Rio-Niterói, passei a usar apenas a RJ-116, que diminui a distância.

A RJ-116 era o bode. Uma estrada horrível, mal-traçada, pessimamente conservada, sem nenhuma sinalização. O trecho da serra dava medo e só o pessoal mais corajoso se aventurava a viajar por ali à noite.

Buracos para todo lado, falta de muretas de proteção, o mato invadindo os acostamentos e a pista de rodagem, curvas descompensadas, tudo isso agravado pelos nevoeiros densos que se formam o ano todo e as chuvas torrenciais que caem no verão, trazendo consigo toneladas de terra.

Uma aventura mesmo!

A conservação e operação da estrada era de responsabilidade do DER (Departamento de Estradas de Rodagem) que, solenemente, fazia que nem era com ele….

Até que em 16 de março de 2001 foi assinado o contrato de concessão por 25 anos de 169 km da RJ-116, com a Concessionária Rota 116 S.A., formada pelos sócios Delta Construções S.A. e Oriente Construção Civil Ltda., para operar a rodovia, que vai de Itaboraí até Macuco e tem 4 postos de pedágio: Itaboraí, Cachoeiras de Macacu, Nova Friburgo e Cordeiro.

A tarifa básica, em cada posto de pedágio é de R$ 2,70.

O que aconteceu ? Tiraram o bode da sala, ou melhor, tiraram o DER da estrada. A nova concessionária recapeou o asfalto, pintou faixas de trânsito, colocou placas de sinalização, construiu novas muretas de proteção, instalou guard-rails, colocou tachões fluorescentes no trecho da serra, comprou reboques e ambulâncias, reformou cabines policiais, construiu sistemas de drenagem em trechos mais críticos e por aí vai.

No entanto….

Na minha opinião, fez pouco. A desculpa da concessionária e da Agetransp, agência reguladora desse tipo de serviço aqui no estado, é que com os deslizamentos constantes de barreiras provocados pelas chuvas anuais, o investimento da concessionária vem sendo aplicado em obras de contenção de encostas e recuperação da estrada.

Perfeito. A concessionária e o governo do estado não sabiam que chovia tanto aqui em Nova Friburgo. Aí fica tudo explicado. Se não chover no verão por uns dez anos, vamos ter uma estrada completamente nova!

Para mim, usuário quase diário dessa estrada, ano após ano, foi a própria história do bode. Não dá nem para comparar com as estradas privatizadas de São Paulo, que têm uma ótima infra-estrutura. Aliás, só para ficar no Estado do Rio, não dá nem para encarar a Rio-Teresópolis ou a Rio-Juiz de Fora, que dirá a Rio-São Paulo.

A rodovia continuou tão perigosa quanto antes com uma desvantagem: como o asfalto está melhor, alguns idiotas correm como loucos, provocando um grande número de acidentes. Passei a usar ônibus para chegar em Nova Friburgo com segurança e descansado.

A RJ-116, para mim, apresenta os seguintes problemas:

 

  • Pista de mão e contra-mão muito estreita em vários trechos;
  • Falta da mureta divisória, principalmente entre Itaboraí e Cachoeiras de Macacu;
  • Falta acostamento no trecho Theodoro-Ypú;
  • Falta a terceira pista na subida da serra (pelo amor de Deus, chamar aquela obra “meia-boca” que transformou um mero acostamento em “terceira faixa” é insultar o usuário da estrada. Todos os motoristas de ônibus e caminhões que entrevistei foram unânimes em afirmar que alí não cabe um veículo de médio porte. Uma solução porca e inexplicavelmente aceita sem questionamentos pela Agetransp.)
  • O asfalto do trecho da serra está ruim. A concessionária se limita a repor uma camada de asfalto, quando o correto seria proceder como as demais concessionárias que frisam o piso e aí sim, colocam o asfalto.
  • Faltam tachões fluorescentes no trecho da serra. A culpa é da pista estreita, que obriga ônibus e caminhões trafegarem em cima das faixas central e laterais.
  • A concessionária tem reboques e ambulâncias mas a estrada não tem telefones de emergência nem cobertura de celular em grande parte de sua extensão. Resultado: em caso de pane ou acidente, é preciso contar com a ajuda de outros motoristas para pedir socorro;
  • Não tem estrutura para avisar aos motoristas em caso de acidente ou desabamento da estrada na serra. Por diversas vezes, em dias de grandes temporais, indaguei no pedágio de Cachoeiras de Macacu sobre as condições da estrada. Ninguém sabia de nada… e numa das vezes a rodovia tinha sido interditada em Mury….
  • E o mais espantoso: o trecho entre as cidades de Bom Jardim e Macuco, cerca de 40 kms, não tem acostamento! Pois é… mas a praça de pedágio está lá, bem na entrada de Cordeiro.

A responsabilidade da concessionária é evidente, além do governo do estado ter abandonado a rodovia anos a fio.

E aí vem minha outra queixa: apenas no trecho Itaboraí-Nova Friburgo, cerca de 80 km, o DER-RJ instalou inacreditáveis DEZ radares e pardais, o que dá uma média de um em cada 10 km.

Quanta preocupação com a arrecada.., digo, segurança! São 6 no município de Cachoeiras de Macacu, 3 em Nova Friburgo e 1 em Itaboraí. Depois reclamam que os turistas não aparecem.

Enfim, como a concessão é longa, 25 anos prorrogáveis por mais 25, ainda tenho esperança de estar vivo quando a RJ-116 se parecer, um pouquinho só, com uma das rodovias estaduais paulistas.

Afinal, o valor do pedágio que pagamos é de primeiro mundo!

Foto: Rogério Santana

O futuro das favelas

Sou carioca, nascido em Copacabana na década de 50 do século passado e já convivia com favelas desde aquela época. Perto de casa tinha a da ladeira Saint Roman e a do Pavão-Pavãozinho que eram separadas, se não me falha a memória.

Na Lagoa Rodrigo de Freitas pontificavam duas enormes aglomerações: Praia do Pinto, que virou o conjunto de edifícios populares da Cruzada São Sebastião e a Catacumba, removida depois de um incêndio.

Em cima do Túnel do Pasmado havia outra, também removida e a da Ladeira dos Tabajaras era tão pequena e integrada, que costumávamos passear de carro cortando o caminho até a Lagoa por uma série de ruas que subiam o morro e nos davam de presente uma vista de tirar o fôlego.

Estava pensando nisso ao ver a recente onda de violência que varreu parte de Copacabana, Lagoa, Humaita e Botafogo, provocada pela tentativa de invasão da favela da Ladeira dos Tabajaras por traficantes da Rocinha.

Claro que os tempos não são mais os mesmos. Em 1955 ou 56, sei lá, Juscelino Kubistchek pessoalmente veio inaugurar o túnel que liga a ruas Barata Ribeiro e Raul Pompéia e o palanque foi montado bem embaixo da comunidade da Rua Saint Roman.

Imaginem se hoje uma coisa dessas seria possível!

Mas o tempo passou e a sociedade carioca simplesmente fechou os olhos para o problema. Alguns ainda chegaram a louvar a convivência pacífica entre miseráveis, pobres e a classe média.

Durante muito tempo era prático e útil você ter seus empregados estavam ali pertinho, não interessando em que condições de vida. Havia até uma lenda de que os moradores do asfalto perto de uma favela estariam protegidos por uma espécie de lei não escrita que impediria assaltos em seu entorno…. quanta ingenuidade!

As comunidades acabaram explodindo com as migrações internas dos anos 80 e 90 e quando políticos e até gente bem intencionada descobriram que manter o status quo rendia votos e, principalmente, verbas de todos os tipos.

O que aconteceu em Copacabana nesse começo de semana era mais do que previsível. Vejam só até onde deixaram chegar as coisas:

– a favela da Rocinha, uma das maiores do Rio possui, segundo o IBGE, 75 mil habitantes, 29.915 domicílios, 6.317 estabelecimentos comerciais, 3 agências bancárias, uma dos correios, uma prestadora de TV a cabo oficial, inúmeras rádios comunitárias e por aí vai.

Seu crescimento urbano é completamente desordenado, poucos pagam impostos e até mesmo luz. O acesso é complicado, pela disposição irregular das casas e o tráfico encontra aí, nesse emaranhado todo, condições perfeitas para se estabelecer.

Devastaram e ainda devastam uma área enorme de mata com nascentes, um desastre ambiental. E boa parte de seus moradores convivem com sujeira, doenças e violência. E ainda querem que essa gente saia à noitinha para cantar samba!

O que foi feito nesses 60 anos para, pelo menos, ordenar o crescimento da Rocinha ? Absolutamente nada. Os governantes, sejam eles quais forem, mandam no asfalto e fingem que o poder do estado chega nos morros.

Tudo é permitido e vemos espantados medidas eleitoreiras como instalação de wi-fi no morro Dona Marta, pintura das fachadas de casas no Livramento e construção de quadras de esportes a granel ao invés de uma política séria e consistente de efetiva urbanização de toda a favela ou até mesmo, porque não, a remoção para locais mais seguros e civilizados.

Meus caros, o século XXI acabou com a idéia absurdamente romântica e elitista do morro convivêndo em paz com o asfalto. Essa mistura é explosiva, como óleo e fogo. As próximas confusões serão todas em ruas da classe média, até porque afasta os agentes repressores dos morros onde tocam seus negócios.

O Rio de Janeiro caminha rápidamente para se tornar, ao contrário dos anos 50, uma grande favela cercando alguns bairros de classe média. E seus moradores tendo que pedir licença para ir de um ponto ao outro.

Tomara que eu esteja enganado…