História do Pingo

Pingopor Fatima Emerson

Vocês não conheceram o Pingo…

Foi o “nosso” primeiro cachorro. Só não sabiamos disso. Eu que sempre fui apavorada com bichos, aprendi a conviver com o Pingo, na portaria do meu prédio.

Quando nos mudamos para Copacabana, havia um cachorro preto, aspecto de vira latas (ou sendo politicamente correta, “sem raça definida”) que, apesar de ter um dono, perambulava pelas ruas do Posto 4 com muita desenvoltura.

A maior parte do tempo ele permanecia na porta do nosso prédio, no seu posto de sentinela na calçada, sentado na área externa da portaria, que naquela época não tinha grades à sua volta como hoje. E as pessoas passavam, cumprimentavam o porteiro, quem mais estivesse na portaria e acrescentavam:

– Olá Pingo!

– Bom dia Pingo!

Era um cão sério, raramente pulava e mantinha um ar de altivez, paz e responsabilidade na guarda da portaria, nem se mexia. À noitinha, retornava ao apartamento do seu dono.

Às vezes, quando caminhávamos na praia, aproveitando o sol da Avenida Atlântica, esbarravamos no amigo canino. E onde passava tinha sempre alguém que o reconhecia:

– Olá Pingo!

– Você por aqui, Pingo?

Um carinho, um agrado… Ele? nunca latia, parava com um, com outro ou mesmo seguia em sua caminhada diária. Naqueles tempos, cães podiam andar livremente na praia e nas areias, sem causarem espanto.

Um dia seguimos o Pingo: ele ia seguro pelas ruas do Posto 5 em Copacabana. Ao chegar numa esquina, esperou pacientemente que se juntassem várias pessoas e se posicionou – só atravessou quando todos foram juntos. Aí aprendemos o seu segredo e porque nunca foi atropelado.

Todos os dias, a mesma coisa. E todos já contavam com aquela rotina silenciosa, seus olhos castanhos, brilhantes e amorosos, como um sinal de que tudo estava em paz.

Mas, com o tempo, Pingo foi ficando malhado, seus pelos embranqueceram e sua altivez se modificou. Passou a caminhar menos e quando o fazia, preferia a companhia do seu dono. Numa das ultimas vezes em que o vi, ia carregado no colo para a praia que tanto amava. E, um dia, silenciosamente, Pingo se foi.

Junto com ele, foi um pouquinho de todos nós, que sentimos a falta da sua companhia, cão de um dono, mas cão de todos nós. E, se há um céu dedicado aos cães, tenho certeza de que o Pingo está por lá, numa praia ensolarada, sem carros, com imensa areia branca fresquinha, ondas baixinhas, verdadeiras marolas como ele gostava, onde hoje ele corre, brinca e se esbalda!

Publicado no Maria Filomena – Uma história de amor, em 17 de julho de 2011.

Foto: Nenhum Animal é Brinquedo

Onde estão as passeatas?

Eva Tudor, Tonia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Benguel abrem uma passeata contra a censura, no longínquo ano de 1968. A foto é do Ziraldo.

Cenas como essa existem aos montes na internet, mostrando comícios, piquetes, brigas com a polícia, enfim, manifestações populares em uma época que era preciso ter muito cuidado e pensar o mais silenciosamente possível.

Hoje, mais de quarenta anos depois, podemos nos reunir à vontade e temos, inclusive, leis garantindo nosso direito de protestar. Ao contrário daqueles anos perdidos, pensar é um bem sagrado.

E no entanto nos calamos, vergonhosamente, diante de todos os desmandos que afligem nosso dia a dia. Um menino é brutalizado nas ruas do Rio e temos que ouvir dois presidentes, o da República e o do STF declarar que o “mal está feito”, “não podemos agir ao calor das emoções”! Uma menina de 13 anos leva uma bala perdida na coluna, que vai lhe deixar sequelas para o resto da vida. Três franceses são torturados e trucidados por orientação de um ex-menor de rua, que foi por eles abrigado por mais de 10 anos.

É a completa banalização da vida humana!

Políticos mensaleiros, sanguessugas, indiciados pela justiça, corruptos e canalhas de todos os matizes que não tem pudor de subir à tribuna daquela que deveria ser a Casa do Povo, para nos envergonhar com a sua impunidade. Fico espantado, poruqe era jovem em 1968 e acreditava que aquelas mobilizações, algumas ingênuas até, poderiam nos conduzir a um futuro melhor.

Que engano… Conseguimos a liberdade e não nos mobilizamos mais, não reclamamos, não nos indignamos. Aceitamos passivamente todo o tipo de barbaridades e nos conformamos em ser meros espectadores, cúmplices de facínoras assassinos e corruptos contumazes. E o mais triste, esperando a nossa vez de ir para o abatedouro…

Não precisamos nem queremos mais líderes ou políticos pra nos conduzir, isso é bobagem, já bastam os que estão no Congresso. Enquanto ficarmos quietos, esses bandidos continuarão com suas quadrilhas e muitos satisfeitos com o povo brasileiro. Para iniciar uma manifestação, basta uma fila inicial de 4 ou 5 pessoas com os braços dados e não ter medo de gritar nossa revolta.

Afinal, por para ter esse Brasil que tanta gente deu a vida?

*****

Esta crônica foi publicada no meu antigo Blog do Cejunior, no começo do ano de 2007. Estou trazendo para cá porque, guardadas as proporções, o friburguense continua anestesiado com a tragédia ambiental que destruiu nossa cidade e não tem mostrado nenhuma reação ao pouco caso com que a cidade está sendo tratada.

Cinco meses já se passaram e nada foi feito, a não ser muito blá-blá-blá, visitas de autoridades prá cá e prá lá, discursos e reuniões inócuas. Enquanto isso, assistimos o loteamento político da cidade e torcemos para que as chuvas do verão de 2012 não sejam tão fortes.

Lamentável.

Uma viagem complicada

Só pode ser algum tipo de carma… Viagem marcada de volta para Friburgo pela onipresente 1001, saindo do Castelo às 16:10, linha direta até a nossa Rodoviária Sul. Chego no Menezes Cortes um pouco mais cedo e ouço o que não queria ouvir: o ônibus para Friburgo foi lacrado pelo Detro.

– Como assim? E agora?

Pois é, por irregularidades na documentação o veículo foi impedido de iniciar a viagem. A medida que o horário da partida se aproximava e os passageiros chegavam, a situação ia ficando cada vez mais nebulosa. Fomos exigir um outro veículo em condições de, parece brincadeira, viajar!

– Estamos desviando um carro da Rodoviária para cá. Por favor, aguardem apenas uns vinte minutos.

Tudo bem, mas vocês conhecem o Terminal Menezes Cortes. A parte das lojas é uma beleza mas as plataformas… Envenenamento por CO2 alí perde! Mas divago. Depois de loooongo tempo encosta um G7 novinho em folha, para alegria da patuléia e tristeza dos fiscais do Detro que aí não tinham o que fazer.

Embarcamos todos rindo e felizes (é claro que estou brincando), apertamos os cintos, o motorista ligou a ignição e o G7 bateu num ônibus da Viação Amparo que saía do terminal. Juro! As reações foram as mais variadas. Eu liguei para a minha mulher às gargalhadas, de puro nervoso, só pode. Uma parte do pessoal saltou de novo para ver o estrago e outros ficaram xingando o motorista, a 1001 e até o prefeito do Rio que, nesse caso, não tinha nada a ver com a história!

Para resumir a aventura: os fiscais das empresas se entenderam, os fiscais do Detro, com pena, liberaram e a viagem finalmente começou. Mas aí já não teve jeito, pegamos engarrafamento na Perimetral, Ponte Rio-Niterói e na famigerada Estrada do Contorno. Cheguei em Nova Friburgo às 20:10, quatro horas depois.

Ufa! Agora, aqui entre nós, que mancada, 1001!

Foto: Anpleco Buss

Os zumbis estão chegando

zumbis-1a413
E depois falam que eu sou maluco, só porque adoro filmes e livros de zumbis, aqueles seres que um dia vão dominar a Terra e comer o cérebro de todos os humanos restantes! Aliás, a maldade é tanta que já chegaram a espalhar por aí que um pedaço da minha cabeça já foi devorado, que horror! A única coisa que perdi de lá até agora foram os cabelos e, meus caros leitores, ao contrário de vocês, estou mais do que preparado para sobreviver num mundo dominado por essas criaturas abjetas, desprovidas de humanidade. Um dia ainda serei o próprio The Omega Man, a última esperança da Terra!!

Mas botando os pés no chão, não é que o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) acaba de divulgar instruções de como se preparar para um ataque apocalíptico de zumbis?

O comunicado publicado na página da entidade pretende usar o apelo midiático do tema para ajudar a divulgar formas de se preparar para emergências reais. Ainda assim, o CDC parece ter levado a sério o tema e inclui detalhes bem específicos contextualizando um ataque desta natureza. Os preparativos foram elaborados a partir dos relatos dos mortos-vivos comedores de cérebro que aparecem em filmes e livros – eles seriam criados por um vírus infeccioso e transmitidos por mordidas e fluídos corporais, ou seria fruto de radiação e mutações.

Segundo o CDC, o aumento dos zumbis na cultura pop fez aumentar também a crença de que um ataque realmente poderia acontecer – mas as pessoas saberiam o que fazer nesta eventualidade? “Esperamos responder a essas perguntas para você e, quem sabe, compartilhar algumas dicas de como se preparar para emergências de verdade também”, diz o texto.

O primeiro passo seria montar um kit de emergência que o ajude a chegar até um campo de refugiados não- zumbis. Ele deveria conter água, comida (não perecíveis), remédios; ferramentas (canivete, fita-crepe, rádio com baterias), itens de higiene (desinfetante, sabão, toalhas), roupas de cama, documentos (cópias das carteiras de motorista, passaporte e certificados de nascimento), kit de primeiros socorros (que o CD ressalta ser inútil no caso de uma mordida zumbi…).

Em seguida, é preciso já deixar a sua família avisada: aonde ir e o que fazer se os zumbis aparecerem na porta de casa? Escolham dois locais de encontro: um perto e um longe de casa e faça uma lista de contatos de emergência. Também é importante planejar a sua rota de saída, afinal, diz o CDC, “quando zumbis sentem fome eles não param até obterem comida (cérebro)”.

O órgão afirma ainda que, caos os zumbis atacassem, seriam conduzidas investigações como no caso de qualquer outra pandemia. Testes, análises e controle de pacientes, com isolamento e quarentena ajudariam a determinar a causa da doença, a fonte da infecção, como ela é transmitida, como se espalha, como interromper seu ciclo e como tratar pacientes.

E agora? Eu bem que avisei!

Fonte: Info Online

Alérgicos e cães vivendo juntos

Carlos Emerson Jr.
Filo

Você é asmático ou alérgico (ou pior, as duas coisas juntas) e tem cachorro? Então não deixe de ler o artigo a seguir que eu trouxe lá do Blog da Alergia, com boas novas para quem ama os peludos!

“Há muita controvérsia neste tema e não é nossa intenção ditar regras. Nem toda pessoa que tem asma ou rinite tem também alergia aos cães. Cada caso é um caso e cada pessoa é única, sendo impossível emitir um parecer que sirva igualmente para todos.

Este tema surgiu a partir de um estudo publicado na Revista de Pediatria em Outubro de 2010, mostrando que ter um cão em casa diminui o risco de as crianças com antecedentes familiares de alergias desenvolverem eczema. O mesmo não se verifica se o animal de estimação for um gato. Neste caso, os riscos aumentam significativamente. O estudo foi realizado na Universidade de Cincinnati e publicado no Journal of Pediatrics.

A polêmica já havia se instalado a partir da teoria da higiene, que teve seu auge na década passada, defendendo a tese de que o aumento da prevalência da alergia nos últimos anos pode ser atribuído ao excesso de higiene no mundo moderno, incluindo o menor contato de crianças e adultos com animais e com a natureza.

Então, vamos aos fatos:

1) Pontos a favor para a presença de um cão em sua casa

– Algumas raças de cães são excelentes companhias para crianças e adultos (em especial idosos).
– Cães necessitam sair pelo menos duas vezes ao dia, estimulando assim a vida ao ar livre e as caminhadas.
– Donos de cães tendem a interagir, ou seja, a presença do cão pode contribuir para combater a timidez e melhorar o contato social.
– Cães têm a capacidade de amar, o que pode ser uma grande aquisição tanto para crianças como para adultos.

2) Desvantagens de ter um cão:

– Cerca de 30% de portadores de asma e rinite alérgica podem ter crises desencadeadas pelo contato com cães.
– A presença do animal de estimação pode contribuir para aumento de ácaros na residência, já que seu alimento preferido é a descamação da pele, além das partículas que podem se tornar alergênicas (ou seja, provocadoras de alergia).
– Algumas pessoas são alérgicas ao pelo dos cães e pioram sua alergia ao contato com o animal.

3) E o que fazer se você já tem um cão?

– Se você mora em uma casa, acostume seu cão a ficar fora de casa. Num apartamento, é possível treinar o animal para que circule preferentemente fora da área social. Uma opção é colocar uma porta (vendida em lojas pet) para limitar seu acesso.
– Não deixe que o cão suba em estofados e camas. Escolha uma cadeira que seja liberada para o cão e ensine a ele
– Não permita que o cão suba e durma em sua cama.
– Arejar a casa e intensificar os cuidados com a limpeza da casa: limpe diariamente com pano úmido, evitando vassouras e espanadores.
– Retire tapetes, carpetes, objetos que acumulem pó para facilitar a limpeza.
– Escove o animal periodicamente, mas tenha o cuidado de fazê-lo fora de casa. O cão deve ser banhado semanalmente.”

A autora deste texte é asmática e alérgica (que azar) e, seguindo as regrinhas aí de cima, convive muitíssimo bem com a nossa querida Maria Filomena, vulgo Filó, para os mais íntimos.

Um bom domingo para todos!

Texto: Blog da Alergia
Foto: Carlos Emerson Junior
Modelo: Maria Filomena (Filó)

Uma entrevista

Aí estão os vídeos com minha participação no programa Conexão Luau, da Luau TV Nova Friburgo, conduzido com muita simpatia e eficiência pela Luzêni Neres, gentilmente disponibilizados pela emissora. Conversamos durante uma hora sobre blogs, redes sociais e como essas ferramentas foram úteis para Nova Friburgo, no desastre ambiental de janeiro passado.

Primeira parte:

Segunda parte:

Terceira parte:

Eu tenho um Kindle

kindle
.
Por Fatima Emerson

Gosto da tecnologia e das novidades informáticas, mas tenho muita dificuldade em aderir a novos “ gadgets” . De longe eu já tinha uma certa simpatia pelo Kindle pois gosto de ler e como sou alérgica nunca fui estimulada a ter muitos livros em casa. Antigamente era adepta das bibliotecas, mas com a vida moderna ficou difícil achar tempo para este gostinho.

Logo que soube do lançamento de um leitor de livros, a possibilidade de guardar milhares de livros sem poeira me atraiu. E… ganhei um Kindle!

De cara, gostei do seu visual, da tela, do tamanho, do peso. E hoje, após meses de uso, faço um balanço:

Vantagens

– Sem dúvida, o formato que aliado ao peso tornam confortável a leitura.
– A cor da tela e a ausência do brilho tornam a leitura agradável, sem cansar a visão.
– A facilidade do uso: aprendi logo a manejar, o que não é meu feitio. È bem simples, deixando os menos aficionados como eu bem à vontade.
– A bateria é duradoura, sendo facilmente carregada na entrada USB do computador.
– Ler o jornal bem cedinho, em especial nos domingos e dias de preguiça.
– Transformei os meus livros em PDF para permitir a leitura no Kindle. Tá, não são muitos, mas são filhos amorosos que tenho.

Desvantagens:

– Senti falta de um estojo para proteger o aparelho, com espaço para guardar junto o cabo do carregador da bateria.
– A monocromia. Figuras, desenhos e fotos ficam bem prejudicadas.
– Ficar preso à Amazon e seus títulos.
– Poucos livros interessantes em português – pelo menos para quem não aprecia Paulo Coelho, como eu.
– Livros técnicos antigos: Senti falta de títulos mais recentes. Bem, confesso que tenho dúvidas se esta é uma deficiência do Kindle ou minha, com a minha reconhecida dificuldade em navegar em mares virtuais.

No frigir dos ovos, passada a novidade inicial, continuo apreciando o meu Kindle. Vislumbro uma amizade duradoura, entremeada por momentos muito agradáveis de leitura e relaxamento.