Sem saída

Foto: Carlos Emerson Jr.

O Rio de Janeiro não é uma cidade maravilhosa, é uma paisagem maravilhosa para uma cidade” (Elizabeth Bishop)

Até quando vamos nos iludir? Quantas vidas mais a cidade levará para alimentar suas mazelas, sua malandragem, sua incivilidade? Que me perdoem os cariocas – meus conterrâneos – mas grupo de extermínio agindo em pleno centro,nas barbas das tropas do Exército, é o fim do mundo. Aliás, o fim de uma cidade que um dia foi cantada como a maravilhosa. Perdeu a graça, o viço, o senso e o amor de seus filhos. Sinceramente? Não acredito mais em alguma saída.

Que pelo menos identifiquem, prendam e punam os responsáveis pelo bárbaro assassinato no Estácio, sejam eles quem forem, estejam onde estiverem, tenham o nome que for. Já toleramos facções do tráfico, milícias, corruptos, assaltantes, pivetes e canalhas de todos os estirpes, engravatados ou não. Permitir a ação impune de grupos de extermínios é acabar com o pouco de ar que ainda se respira no Rio, concordar com o assassinato de qualquer um que incomode os donos do poder. É deletar a democracia. É voltar para o tempo dos coronéis.

Meus pêsames e desculpas aos amigos e familiares de Marielle Franco. Meus pêsames à população carioca.

A barbárie

Que a sociedade brasileira perdeu o rumo, não é novidade para ninguém. Mas que precisamos de polícia para mantermos um mínimo de decência e respeito ao próximo, para mim foi uma completa surpresa. Quando uma população como a do Espírito Santo perde toda a noção de civilidade e solidariedade durante uma greve policial, quando 71 pessoas são mortas em apenas dois dias, quando mais de 200 carros (inclusive um ônibus) são roubados a troco de nada, quando lojas e supermercados são saqueados por pessoas de posses, usando carros do ano para levar o botim, quando colocam o exército nas ruas para controlar a violência generalizada, a gente perde completamente qualquer esperança de que o Brasil, possa, algum dia, virar o país do futuro.

Uma lástima.