Obsceno poder

Dias difíceis para os brasileiros.

Corrupção, inflação, descrédito, desgoverno, desesperança. O mais preocupante, entretanto, é não ver luz alguma no fim do túnel, assistir um espetáculo de horrores, a prisão em série de políticos, empresários e funcionários públicos com as mãos (bolsos?) cheios de bilhões de reais, dinheiro público, o nosso dinheiro. Ter a desagradável sensação que ainda vem mais sujeira por aí…

Passar por cidades prematuramente fantasmas, onde esqueletos de faraônicos projetos inacabados são as nossas ruínas romanas. Ouvir desculpas esfarrapadas, ideias sem sentido, testemunhar a incompetência arrogante de quem se considera acima do bem e do mal. Dói mais ainda quando percebemos que as novas cortes e seus acólitos terminarão, de uma forma ou de outra, impunes. Na pior das hipóteses, esquecidos.

Obsceno, entre outras coisas, é aquilo (ou aquele) que afeta a moral comum de uma sociedade. E isso só não vê quem não quer. Ou não pode. Ou não consegue. O escritor Carlos Heitor Cony sintetizou muito bem o momento brasileiro, em sua coluna de hoje, na Folha de SP, de onde destaco o seguinte trecho, sobre a imoral negociação envolvendo os ministérios do governo federal:

“Ficou escancarado o recurso obsceno usado pela presidente que enfrenta a possibilidade de um impeachment. Ela teve tempo para testar os ministros que nomeara ao tomar posse numa data anterior.

Para contentar os congressistas que poderiam cassá-la das funções presidenciais, ela organizou um grupo de auxiliares comprometidos com os partidos que a defenderão em plenário. Não foi uma medida tomada por um chefe de Estado e sim de uma oportunista que se agarra ao poder sem nenhum escrúpulo moral.

Pessoalmente, não vejo necessidade de um impeachment. Mas Dona Dilma de tal maneira se avacalhou, que não mais merece a função de presidir um país bichado pela obscenidade de um governo em falência.”

A propósito e talvez não por acaso o novo titular do Ministério da Ciência e Tecnologia, além de não ter nenhuma formação científica, é dono de um restaurante na Baixada Fluminense chamado “Barganha”, ironicamente um local muito apropriado para essa gente comemorar suas obscenidades.

oOo

Leia também “Vazio Poder“.

Ouvi por aí, em pleno feriadão…

 

Viva a independência e a separação do Brasil. Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro promover a liberdade do Brasil. Independência ou Morte! (Dom Pedro I, em 7 de setembro de 1822).

O Brasil não é para principiantes (Tom Jobim).

No Brasil o otimista dorme com medo de acordar pessimista (Millôr Fernandes).

O Brasil é sério, mas é surrealista (Jorge Amado).

O Brasil é uma nação de espertos que reunidos, formam uma multidão de idiotas (Gilberto Dimenstein).

Quem pensa que Deus é brasileiro pode estar certo: ele se mudou (Ziraldo).

O Tiradentes devia ser o padroeiro do Brasil; tá todo mundo com a corda no pescoço (José Simão).

A prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento (Stanislaw Ponte Preta).

Eu proporia que se substituissem todos os capítulos da Constituição por um artigo único: todo brasileiro fica obrigado a ter vergonha na cara (Capistrano de Abreu).

Brasil?
Fraude explica.
(Carlito Maia)