Incêndios serranos

Foto: Nova Friburgo AM 660 kHz

São 20:45 horas da terça-feira, dia 17 de setembro e ainda vejo focos de fogo na encosta do Pico do Caledônia. É o segundo incêndio por lá em três dias, destruindo a flora e a fauna, sujando o ar de Nova Friburgo e o principal, nos deixando cheios de vergonha por mais uma tragédia anunciada todos os invernos.

Enquanto todo mundo condói-se com as queimadas amazônicas, nossa preocupação, além do evidente custo ambiental, é a proximidade dos incêndios com casas, residências e mesmo bairros inteiros. Não quero nem pensar em ver aqui os desastres que acontecem na Califórnia, Espanha e Portugal, entre outros. Acordar no meio da noite com fogo para todos os lados é um pesadelo completo.

Segundo o jornal A Voz da Serra, de hoje, “em 2019, de janeiro até agosto foram registrados 530 focos de incêndio. É o maior registro da história, desde que a região passou a ser monitorada em 2014”. E tem mais sobre o final de semana: “as chamas eram vistas de diferentes pontos da cidade. O cheiro de fumaça esteve presente durante boa parte do sábado e domingo. Muitas casas ficaram sujas por conta das cinzas levadas pelo vento. O céu azul ficou enevoado por conta da fumaça. Ao todo, o fogo destruiu 200 mil metros quadrados de vegetação”.

As causas todos nós estamos carecas de saber: falta de chuvas, baixa umidade do ar, calor e, principalmente, irresponsáveis ou criminosos sem a menor empatia com a cidade, seus moradores, suas florestas, seus animais, seus rios, nascentes e lagos. O que ameniza um pouco o sofrimento é que os bombeiros estão melhor aparelhados e o número de voluntários cresceu, além de um providencial helicóptero de plantão.

Que maneira de começar a primavera!

Dias de calor

Foto: Carlos Emerson Jr.

Você mora na serra fluminense. Sua cidade é considerada a mais fria do estado. No inverno as temperaturas chegam ao zero absoluto e geadas são comuns na zona rural. Reza a lenda que até já nevou. Seu bairro fica em cima de um morro, bem na frente da montanha que separa sua cidade da baixada. Mais arejado e ventilado, impossível. No entanto, o verão veio forte e lá na sua cozinha, ao lado da janela, o velho termômetro avisa que a temperatura chegou a inacreditáveis 30º à sombra, ou melhor, dentro de sua casa.

É o fim do mundo, diriam os ambientalistas, aplaudidos de pé por cariocas calorentos, como este que vos fala. Como assim, 30º? Cadê a chuva? O frio? A geada? Foi com o maior prazer que dei adeus para o Rio e me mandei atrás de paz, segurança, sossego e um pouco de frio, não necessariamente nessa ordem, é claro. Com que direito uma onda de calor – que veio pelo mar – invade minhas montanhas, minha cidade, minha casa, meu bem-estar?

Pois é, fica registrado o meu protesto indignado contra esses dias de calor que estão assolando nossa querida Nova Friburgo. Tem quem goste, é claro. A turma que ama descer a serra para as praias fluminenses está fazendo a maior festa. Deixa estar. Qualquer hora dessas Friburgo volta a ser Friburgo e uma frente fria, daquelas que chegam aos 12, 13º estaciona por aqui durante, digamos, uma semana e tudo volta a ser como era.

Um baita frio!

Tá calor!

termometro

“Allah-la-ô, ô ô ô ô ô ô
Mas que calor, ô ô ô ô ô ô
Atravessamos o deserto do Saara
O Sol estava quente, queimou a nossa cara”

E não só queimou a cara como os braços, tronco, pernas, pés e se abusar pode até parar no Pronto Socorro. Aliás, no último sábado, ali na Santa Clara, dei de cara com um simpático casal de gringos vindos da praia, completamente roxos! Minha cara de horror e espanto foi tal que os coitados conseguiram arregalar os olhos mais do que os meus já estavam. Não resisti e falei baixinho, em português, esse mesmo palavrão que passou pela cabeça de vocês.

Mas voltando para marchinha carnavalesca do Haroldo Lobo e do Nássara – que a garotada insiste em trocar Saara por Bangu – é inegável que ela se tornou o hino oficial do calor carioca. Lançada em 1941, numa época que as pessoas colocavam paletó, gravata e chapéu para ir a uma padaria, canta o que todo mundo sabe: o calor do Rio é infernal, desde a época do Estácio de Sá!

Este ano, então, o bicho está pegando. Não chove desde o começo do ano e as temperaturas permanecem acima dos 38º, dia após dia. A grande novidade, no entanto, é a “sensação térmica” – – uma indicação da percepção da temperatura do ar – que tem beirado os 50º (!), acabando de vez com o que ainda resta de bom humor do cidadão que não está na praia ou no ar-condicionado.

Quem consegue foge para a Região Serrana (onde ultimamente o Sol também castiga), Búzios, Angra, Patagônia, Canadá, Sibéria e até o Alasca. Os outros, isto é, nós, contra-atacamos de ventiladores, supermercados, shopping centers, cinemas, bancos, lojas e outros estabelecimentos com ar de “montanha”. Aliás, o desespero é tanto, que tem até quem marque consulta no dentista só para se refrescar um pouco.

Costumo fazer minhas caminhadas/corridas às oito da manhã. Quer dizer, fazia, porque agora, a essa hora, o sol já está torrando a cabeça dos incautos. Passei para as sete horas e não adiantou nada. Hoje saí às seis. Melhorou, mas estou seriamente considerando iniciar os trabalhos às cinco horas da matina. Aí não tem erro. Eu acho….

Particularmente gosto do verão, mas aqui no Rio de Janeiro. O astral da cidade muda, todo mundo vai para as ruas, as pessoas ficam mais descontraídas e os turistas procuram aproveitar o calor ao máximo, até mesmo porque é inverno (e rigoroso) no hemisfério norte. O chato mesmo são os preços inflacionados por conta do movimento e os ônibus sem refrigeração, uma total insanidade em uma das cidades mais quentes do mundo.

Consigo conviver bem sem ar-condicionado em casa. Não tenho nada contra, pelo contrário, mas depois de tantos anos trabalhando no Centro em um daqueles caixotes envidraçados sem janelas e compressores ligados dia e noite, resolvi desapegar e, quando mudamos para o apartamento menor, resolvemos fazer uma experiência com os ventiladores de teto que lá já estavam instalados. Tem funcionado. Esse já é o nosso terceiro verão no novo endereço e, quando esquenta muito, vamos para a praia, bem ao lado. Calçadão e areia é para isso mesmo!

E é isso, meus queridos. O verão só termina em março e no Rio, sabemos todos, só melhora mesmo no início de maio e olhe lá. Como a vida não tem nada a ver com isso e continua, vamos em frente. Minha torcida é que as chuvas voltem, para que não emendemos dois anos de seca. Aí sim, seria um Deus nos acuda!