Esqueceram de mim!

Imaginem a cena. Já é noite, o trabalho no escritório em outra cidade, do outro lado do país foi exaustivo, tudo o que a mulher deseja é chegar logo no aeroporto, embarcar, voltar para casa, tomar um banho bem quente, cair na cama e dormir até o dia seguinte, de uma enfiada só. Muito justo, aliás. Assim que o avião decolou, reclinou a poltrona (licença poética, hoje em dia isso não existe), se encostou na janela e apagou profundamente, um sono sem sonhos e nenhuma turbulência.

Despertou bruscamente com muito frio, sem entender direito onde estava. A escuridão era completa, assustadora mesmo. O silêncio, absoluto. Para piorar, descobriu que ainda estava presa com o cinto de segurança na poltrona. Caramba, será que o avião caiu? Morri e ninguém me avisou? Gente, cadê meu celular? Me esqueceram no avião!

O celular estava no chão, quase sem bateria. Ligou para uma amiga mas, quando ia pedir socorro, o infeliz desligou. Suspirou profundamente, soltou meia dúzia de palavrões, levantou e foi até uma das portas. Gritou, implorou, esmurrou, chutou, tudo em vão. Não sabia sequer que horas eram. Alguma coisa fez um barulho do lado de fora. Pela janela viu um vulto passando por baixo da aeronave empurrando uma espécie de carrinho. Meteu a mão em uma alavanca da porta e… Milagre, a infeliz abriu.

O funcionário, assustado, avisou a administração que tinham deixado uma passageira trancada dentro de uma aeronave. Providenciaram uma escada, a empresa aérea mandou uma manta para proteger do frio, um automóvel e reserva em um hotel no centro da cidade. Nossa “heroína” não quis nem saber: embarcou no carro e mandou seguir para sua casa. Já havia vivido emoções demais para um dia.

Pois é, meus caros, quando a gente pensa que a ficção é muito mais criativa do que a vida real, me aparece uma aérea de primeiro mundo, em pleno aeroporto de Toronto, para provar o contrário. Minha solidariedade à passageira, tomara que ela não fique com medo de voar ou de aeroportos. E pensar que eu sempre achei que algum dia ia ficar trancado dentro um shopping center carioca qualquer, um vexame. Vê lá se isso é motivo para pânico!

A notícia desse “esquecimento” pode ser lida aqui.

Uma foca na praia

Imagine só: você está tranquilão (ou tranquilona) na praia, resolve dar um mergulho, faz pose para os paparazzi e TCHIBUM!!!, mergulha no mar com a sutileza de um… brasileiro (ou brasileira), vira o corpo, sobe para a superfície, tira a água do rosto e dá de cara com uma foca, paradona, só olhando sua “exibição”.

E agora, o que fazer? O bicho é grande, tem pelo menos 1,70m de comprimento e deve pesar uns 100 quilos. Será que foca morde? Devo falar alguma coisa com voz de criança, fazer cafuné ou nadar o mais rápido possível na direção oposta? Para sua sorte, humanos não estão na cadeia alimentar das focas e aí basta se afastar tranquilamente.

A cena é insólita mas aconteceu mesmo com minha filha que está morando em Vancouver, no Canadá. A diferença é que ela mergulhou de um barco e nem raciocinou quando deu de cara com o focídeo: saltou de volta para dentro da embarcação! Ah sim, para piorar, o mar estava quase congelado e o bicho nem te ligo, continuou seu caminho, possivelmente achando que os humanos são muito estranhos…