Cartas

Você ainda recebe alguma carta? Não, não estou falando das inevitáveis contas das concessionárias de serviços como luz, gás ou telefone. Ou as propagandas e convites para assinar a revista A, o jornal B e o canal de tevê C. Muito menos intimações judiciais, advertências do condomínio ou boletos de todos os valores. Refiro-me àquelas escritas à mão livre, pessoais, intransferíveis e, se possível, perfumadas.

Cartas eram a maneira mais fácil e talvez segura das pessoas se comunicarem, antes do advento do telegrama (lembram?), email e whatsapp, exatamente nessa ordem. Historiadores datam sua origem em 3.200 A.C., na Mesopotâmia. Sua importância era tal que, por exemplo, o mundo só tomou ciência da descoberta do Brasil quando o escrivão Pero Vaz de Caminha mandou sua famosa carta a El-Rei Dom Manuel, de Portugal, em 1º de maio de 1500.

Cartas podem ser expressas, diplomáticas, comerciais, sociais, testamento, convites, despedidas, oficiais, judiciais, ódio, anônimas ou até mesmo, sei lá porque, um mero envelope vazio. Quem nunca precisou de uma carta de apresentação? Escreveu uma carta de perddão? Chorou lendo uma carta de amor? Infelizmente cartas já foram usadas até como bombas.

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Aqui na Urca é que notei: quem mora em uma casa ou edifício que ainda tenha uma caixa de correio individual, é um felizardo. Sua correspondência, seus jornais e revistas estarão protegidas do tempo e dos curiosos. Possivelmente você fará amizade com o carteiro e ainda terá, se for cuidadoso, um belo enfeite no seu muro.

Aliás e a propósito, é sempre bom lembrar que uma caixa de correspondência é a única maneira de atravessar um muro, sem precisar abrir sua porta. Simbolicamente, é aquela passagem que nos deixa em contato com a realidade e que, desde 3.200 A.C., apenas as cartas tem autorização para entrar.