O amigo do amigo de meu pai

Foto: Revista Isto É

Mal sabia Marcelo Odebrecht que sua curiosa frase em (mais) uma delação premiada mostraria que, como muita gente boa já suspeitava, alguns ministros da suprema corte brasileira são autoritários, arrogantes, tem desmedido apego ao poder e tudo isso faz com que confundam o cargo que ora exercem com a própria instituição onde legislam. Um país onde magistrados investigam, julgam, censuram, intimam e prendem, não pode ser chamado de democrático. Pois é, o amigo do amigo de meu pai…

Censura!

Uma pequena postagem no Facebook – de uma amiga dos antigos tempos dos blogs – manifestando sua dúvida sobre a política atual de repressão às drogas, rendeu uma série de interessantes e esclarecedores comentários.

Eu mesmo, entusiasmado com o tema, lembrei o livro “Admirável Mundo Novo, do Aldous Huxley, escrito em 1932, mostrando uma sociedade onde o Soma, uma droga sintética, produzida e controlada pelo estado, tinha seu uso liberado e estimulado, para evitar conflitos, paranóias e violência.

Quando me preparava para responder a um questionamento, a rede social simplesmente deletou o post, numa postura completamente arbitrária. Procurei onde protestar, ou pelo menos me informar sobre o motivo da censura mas, pelo visto, só marcando uma audiência com o tal do Zuckerberg.

Tenho uma série de restrições a essa rede social e simplesmente não produzo nenhum conteúdo lá. Tudo o que escrevo é publicado inicialmente em meu blog. A falta de transparência é assustadora.

De qualquer maneira, fica registrado meu protesto contra essa agrassão. Se foi provocada por uma denúncia, a autora do post deveria ter sido ouvida para dar suas razões. Mas, se os agentes da censura foram algorítimos, a coisa é pior ainda: deixa bem claro que no Facebook só serão toleradas piadinhas, gracinhas, fotinhas e outros memes do gênero.

Ou seja, a rede não é séria.

oOo

Já ia colocar um ponto final nesse texto quando me lembrei que o Facebook acabou de admitir que manipulou a timeline de quase 700 mil usuários, sem que eles soubessem, para realizar uma experiência que ilustra bem o que coloquei acima: descobrir se notícias ou postagens “negativas” afugentam o leitor da rede (leia aqui).

A “desculpa” foi singela e arrogante: “para nós, é importante o impacto emocional do Facebook nas pessoas que o usam, por isso fizemos o estudo. Sentíamos que era importante avaliar se ver conteúdo positivo dos amigos os fazia continuar dentro ou se o fato de que o que se contava era negativo os convidada a não visitar o Facebook. Não queríamos irritar ninguém”.

Curiosamente, nessa mesma semana, o Google anunciou que em setembro desativará o Orkut, a ex-rede social mais acessada em todo mundo. Que sirva como um alerta para o Facebook. Tal como os seres humanos, redes sociais não são eternas.