Morro de vergonha

Arte: Brian Stauffer

Morri de vergonha quando vi a prisão do quinto ex-governador do Estado do Rio, todos por corrupção. Cinco! Deve ser um recorde mundial, digno (na verdade, indigno) de constar no Guiness. Mas eles não estão sozinhos. Dois ex-presidentes, uma penca de deputados da Alerj, prefeitos, ministros, secretários, assessores, vereadores, empresários, caramba, a lista não tem fim! Senti vergonha, sim. De ser brasileiro e carioca. Não levamos eleições a sério, nem hoje, nem nunca. Eleição é tratada como um jogo de futebol, uma obrigação chata que, para quem mora no Rio, acaba atrapalhando a praia.

Votamos mal porque um parente pediu, um vizinho recomendou, um amigo avalizou. Votamos mal porque o candidato nos dá telhas para o telhado de casa, promete uma assessoria para nossos filhos, contratos milionários e certos para nossas empresas nas licitações das prefeituras. Votamos mal porque, talvez, sejamos tão corruptos quanto os canalhas que acabaram com a economia do nosso Estado do Rio, com a Segurança Pública, com a Educação e a Saúde. Vocês já perceberam como nossas cidades estão quase todas na miséria?

Pois é… Cinco governadores! Morro de vergonha.

Os exterminadores

“Eu sou John Connor,
e se você está ouvindo isto,
você faz parte da resistência”.

Os fãs dos filmes da série “O Exterminador do Futuro” conhecem muito bem a frase que abre esse artigo. É quase um bordão para John Connor, o filho de Sarah Connor, o homem que conseguiu unir o que restou da humanidade para combater a Skynet, a rede mundial de computadores e afins que tomou o nosso lugar no planeta.

Foi impossível não lembrar do filme quando li a lista do ministro Fachin, do STF, com os nomes de 8 ministros de estado, 12 governadores, 24 senadores, 37 deputados, 5 ex-presidentes e mais uma penca de gente menos ou nunca votada. Praticamente todos os partidos estão atolados até o pescoço. Os de sempre, como o PMDB, PT, PSDB, PP e PR, na companhia de PSB, PPS, PTB, SD, PCdoB e outros nanicos. Os crimes também são velhos conhecidos: formação de cartel, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica eleitoral, evasão de divisas, violação de sigilo funcional e por aí vai.

Os nomes de cada um dos indiciados e suas acusações, podem ser consultados aqui. Mas seus apelidos (sim, todos tinham um nome de guerra) hilários se a situação não fosse tão trágica, bem que mereciam um estudo sociológico. Decadência perde. Vejam alguns: Decrépito, Boca Mole, Passivo, Angorá, Santo, Menino da Floresta, Justiça. Três deles se destacam: Nervosinho (Eduardo Paes), Roxinho (Fernando Collor) e Mineirinho (Aécio Neves).

Pois é, esses “elementos” ou “excelências”, como gostam e exigem ser tratados, desmoralizaram a democracia, assaltaram sem pudor os cofres públicos e destruíram, ou melhor, exterminaram o futuro de milhões de brasileiros. Temos saída? Sinceramente, não sei. Suspirar profundamente, se trancar em casa e jogar a chave fora. Ou talvez nos inspirar com as palavras do John Connor e resistir, mostrar para esses canalhas que o buraco é mais embaixo e eles jamais vencerão.

Não se iludam, amigos, estamos diante da encruzilhada.

A lista da Odebrecht

Michel Temer, Eliseu Padilha, Eduardo “Caranguejo” Cunha, Paulo Skaff, José Yunes, Geddel Vieira “Babel” Lima, Moreira “Angorá” Franco, Renan “Justiça” Calheiros, Romero “Cajú” Jucá, Eunício “Índio” Oliveira, Jaques “Polo” Wagner, Rui Costa, Anderson Dornelles, Gim “Campari” Argelo, Ciro “Cerrado” Nogueira, Agripino “Gripado” Maia, Marcos “Gremista” Maia, Paes “Decrépito” Landim, Heráclito “Boca Mole” Fortes, Lídice “Feia” da Mata, Daniel “Comuna” Almeida, Jutahy “Moleza” Júnior, Francisco “Velhinho” Dornelles, Rodrigo “Botafogo” Maia, Lucio “Bitelo” Vieira Lima, Inaldo “Todo Feio” Leitão e muitos outros, além, é claro do Luiz Fernando Pezão, Eduardo Paes, Lindbergh Faria, Garotinho e Rosinha.

A lista acima, que não é de Natal, reúne alguns dos mais de 50 nomes citados em duas delações premiadas de diretores da notória empreiteira Odebrecht, Claudio Mello Filho, vice-presidente de relações institucionais e Leandro Andrade Azevedo, superintendente da empresa no Rio de Janeiro. Aliás, veja as listas com os nomes aqui e aqui.

Se levarmos em consideração que esses nomes são os primeiros das diversas listas dos próximos delatores da empreiteira, temos todos os motivos para colocar em dúvida o futuro de uma república onde o seu pilar, os três poderes, estão podres, que nem madeira infestada por cupins.

A frase “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta” é muito antiga e bem conhecida mas, pelo visto, nossa “elite” dirigente não tem a menor idéia do que se trata. Ou pior, sabe e não está nem aí. Pena que muita gente boa será colocada no mesmo balaio dos criminosos e o joio só será separado do trigo muito tempo depois que toda essa confusão for resolvida.

Se é que isso tem fim.