Um crime bárbaro

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A cena é dantesca, brutal, violenta. O indivíduo vai de bicicleta até a casa da ex-companheira, num condomínio em Mury, aqui em Nova Friburgo, discutir qualquer coisa sobre dinheiro. Não se entendem, ele puxa uma tesoura e a atinge em um braço e nas nádegas. Ela corre para dentro de casa, pedindo socorro para uma amiga que a estava visitando. As duas se escondem dentro de um dos banheiros. O “coisa ruim” não se afoba: tranca a porta por fora e, aproveitando que essa parte da residência tem muito acabamento em madeira, provoca um incêndio. Isto feito, rouba o carro da ex e foge em direção à Lumiar.

Os vizinhos, desesperados, tentam entrar na casa em chamas para soltar as duas mulheres. Mas o fogo lambe a madeira e parte do telhado cai, provocando queimaduras em até 90% do corpo delas. Os bombeiros rapidamente chegam, resgatam as duas ainda com vida e somente após duas horas de luta conseguem apagar as chamas. Com 90% do corpo queimado uma delas é removida para o hospital de queimados de Nilópolis e a outra vai para o hospital da Unimed. Seu estado de saúde é desesperador.

Nervoso e cheio de ódio, o criminoso provoca um acidente na estrada. A polícia, já devidamente ciente e tendo iniciado as buscas, prende e leva o indivíduo para a Delegacia de Friburgo, onde ele confessa o crime bárbaro. A tragédia tem seu desfecho na quarta e na quinta-feira, quando as vítimas não resistem e morrem, para consternação geral da nossa cidade.

E agora?

Pois é, a pena para feminicídio vai de 12 a 30 anos, podendo ser aumentada em 1/3 até a metade se o crime for cometido durante cumprimento de medida protetiva de urgência o que, aparentemente, não era o caso. E aí, como estamos no Brasil e a justiça permite (e incentiva) todo o tipo de recursos, corre o risco do advogado desse “coisa ruim” entrar com todos tipos de recursos, inclusive laudos comprovando que o cliente é louco varrido. Não, isso não podemos permitir.

Lembro que em outros tempos crimes violentes como esses eram punidos com penas de esquartejamento, forca, guilhotina, fuzilamento e cadeira elétrica, entre os mais “populares”. Hoje somos civilizados e vamos acreditar que esse celerado possa ser reabilitado. Aplaudir quando a lei fizer a progressão de sua pena para o regime semi-aberto. Entender que ele tem direito a saídas da prisão no dia dos pais, natal, ano novo e assemelhados. Sorrir felizes e recebê-lo de braços abertos quando a justiça finalmente suspender sua pena e mandá-lo de volta ao seio da sociedade. Ou, bárbaros que somos, comemorar quando os outros presidiários, revoltados, fizerem justiça com as próprias mãos.

Que Deus me perdoe.

Esta crônica é dedicada à Alessandra Vaz e Daniela Mousinho. Que seu sacrifício não tenha sido em vão.