Golpe de mão

 

Falam de golpe.
Conspiram. Traçam planos. Ameaçam.
Procuram o inimigo até entre os amigos.
Juram lutar até a morte.

Falam de golpe.
Preparam-se para a guerra, apresentam suas baionetas.
“No passará”, gritam em uníssono, triunfantes.
Pior, arrogantes.

Falam de golpe.
Palavras vãs, bravatas perdidas ao léu.
Sequer meias verdades são.
Lembro dos versos do Joaquim Coelho,
poeta português que lutou em Angola,
viveu o horror das batalhas de verdade:

“E nós, combatentes e detestados,
estamos a comer o pó do sertão,
enquanto caminhamos sufocados
até ao derradeiro golpe de mão!”

Falam de golpe.
Estúpidos,
não tem nenhuma ideia do que estão falando!