Floresta alpina

Foto: Carlos Emerson Junior

Caramba, será uma floresta alpina? Austria? Suiça? Bavária (o estado alemão e não a cerveja)? Liechtenstein? Uma estradinha nas montanhas, em pleno verão? Que nada, é apenas um cantinho do Cônego, bem no final da Via Expressa. Tanto tempo depois, Nova Friburgo continua me surpreendendo em cada caminhada.

No topo do mundo

Mal acreditava, mas chegou. Suado, exausto, com dores nas pernas e nos pés, os joelhos pedindo socorro e o ar rarefeito fugindo dos pulmões. Sentia-se quebrado, cansado mas inteiro e vitorioso, afinal, pela primeira vez na sua vida, conseguira chegar no alto de uma das maiores montanhas do Brasil! Não pensou duas vezes, virou a cabeça para cima e berrou todos os palavrões que conhecia.

A adrenalina começou a diminuir e só nessa hora percebeu que as nuvens, muito baixas e espessas, começavam a cobrir a cidade abaixo sob um manto branco, deixando aparecer apenas os picos das montanhas bem à frente. Uma visão mágica, sem dúvida. Olhou para o outro lado e a paisagem era quase a mesma, mas bem longe conseguiu divisar o oceano, de onde sopravam os ventos gelados que o acolhiam lá em cima.

Enquanto tirava algumas fotos, a cabeça funcionava. O que estava assistindo ali era melhor do que a vista de uma janela de avião, uma escotilha de uma estação orbital ou até mesmo de um vale lunar, caso o nosso satélite fosse habitado. Sentiu-se no topo do mundo. Agora entendia porque os deuses gregos moravam no Monte Olimpo, inacessível a nós, reles humanos.

Pois é, os deuses. Se fosse um, ou se recebesse agora o poder de um deles, o que faria? Acabaria com o câncer, com certeza. Melhor ainda, erradicaria todas as doenças. Não existiria mais morte. Não, isso não daria certo. Então, decretaria a paz mundial. Ou o fim da pobreza e da fome. Eliminaria todos os corruptos? Ou voltaria no tempo e desta vez ficaria para sempre com a Maria do Carmo? Ah, Carminha, como doem as burradas que a gente faz na vida…

Caiu em si quando reparou que o Sol, bem à frente, começava a baixar no horizonte. Que pena, era hora de voltar e encarar o longo caminho ao lar, a cidade e a realidade. Para baixo, todo o santo ajuda, não é mesmo? Sabia que o corpo ia cobrar um preço enorme pela aventura e ainda por cima, não teve nenhuma epifania, nenhuminha sequer. Que se dane! Afinal, durante algumas horas, foi apenas feliz.