Cerejeiras de Nova Friburgo

Foto: Carlos Emerson Jr.

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!
(Ôshima Ryôta—1716/1787)

Vocês já repararam como nossa cidade está bonita? Pois é, as cerejeiras floriram floraram e durante duas semanas, devidamente acompanhadas por um sol digno de serra, enfeitam ruas, parques, jardins, campos, sítios e fazendas de Nova Friburgo. Os “culpados” são os japoneses, é claro, que em 1927, quando saíram do Japão para morar nas terras altas do Estado do Rio, trouxeram uma de suas tradições mais bonitas e delicadas, o Hanami, contemplação da beleza das flores, “sakura” ou cerejeira. Pena que sua floração só dure duas semanas.

As fotos foram feitas nas Braunes, bairro onde moro, acolhedor o suficiente para abrigar tantas árvores tão belas. A propósito e como era de se esperar, anualmente acontece a Festa da Cerejeira de Nova Friburgo, na zona rural, num local lindo apropriadamente batizado de Florlandia da Serra. Organizada pela colônia japonesa, a festa é um espetáculo de simpatia, gastronomia, tradições orientais e um túnel de cerejeiras de tirar o fôlego.

ありがとう、日本の隣人
Arigatō, Nihon no rinjin

Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.

Tá frio!

Foto: Carlos Emerson Jr.

Quando você pensa que o pior do inverno ficou no dia 31 de julho e daqui para frente o calor volta a aquecer corações, corpos e mentes em Nova Friburgo, a segunda-feira, hoje mesmo, resolve provar que é uma espírito de porco e um ar gelado, úmido, chuvoso toma conta da nossa serra. Resultado, estou digitando essas tremidas linhas, às 18:14, trancado com a Filó dentro do escritório, com um moletom, suéter de lã, xale idem e um aquecedor de ambiente à óleo ligado no máximo nas minhas costas. Ok, confesso, reclamei do veranico a alguns meses atrás. Bem feito, agora o remédio é aguentar a friaca e torcer para que amanhã, pelo menos amanhã, o sol dê as caras. Outro banho na geladeira de hoje eu não mereço! (A propósito, a mínima, segundo a estação do INMET, foi 9,7º)

Tapetes de Corpus Christi 2019

Foto: Carlos Emerson Junior

Ontem, 20 de junho, foi o dia da festa de Corpus Christi, instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264, lembrando a caminhada dos peregrinos em busca da Terra Prometida. Como todos os anos, Nova Friburgo parou e se emocionou com os tapetes de sal, confeccionados ainda na madrugada, debaixo de muito frio. Aliás e a propósito, consegui encontrar no A Voz da Serra um breve histórico desta tradição em nossa cidade:

“A confecção de tapetes remete a 1ª década do século passado. Há registros de que em 1902, 1903 já eram feitos os tapetes no Colégio Anchieta. Aliás, de lá saía a procissão de Corpus Christi pela cidade após a Missa Campal, conduzida pelo bispo. O tapete do Colégio Anchieta deu notoriedade a esse ato. Dizem que o tapete de Corpus Christi do Anchieta era um dos maiores do mundo. O último que se teve media aproximadamente 2.800m². De terra é provavelmente o maior. Em termos de tamanho só perdia para um tapete de flores que é feito na Áustria. O tapete foi confeccionado por décadas até os idos de 70, quando o trabalho foi cessado e sendo retomado pelo Profº Antonio Savioli, que foi aluno do Colégio e como aluno ajudava a fazer o tapete. Como diretor, resolveu retomar a tradição que foi interrompida novamente após a saída dele da direção. Mas a história está aí e traz uma série de lindos tapetes com diversas temáticas eucarísticas.” (A Voz da Serra)

Fotos: Carlos Emerson Junior

O tapete que mais me agradou foi feito pelo pessoal do Agenda 21 Nova Friburgo, deixando uma mensagem muito importante para todos nós:

Foto: Carlos Emerson Junior

A casa do João de Barro

Foto: Carlos Emerson Junior

E não é que até aqui na serra todo mundo só quer morar em condomínios? E estou me referindo a todo mundo, inclusive o simpático João de Barro, engenheiro, projetista e construtor incansável, que procura o melhor lugar para abrigar sua família. O seu grande problema é o mesmo de todos nós, a segurança. Uma casa tem que ser forte, para aguentar as intempéries, protegida contra predadores (no nosso caso a bandidagem mesmo), espaçosa o suficiente para acolher todo mundo.

Vizinhos? Sempre é bom, claro, mas é preciso saber conviver numa coletividade com educação, civilidade e respeito. Não sei esses conceitos cabem num “Fornarius Rufus” (o nome científico do nosso construtor) mas como nunca vi brigas em cima de postes de luz, acredito que as aves são de paz. Aliás, aquela história que a gente ouve desde criança que o João de Barro faz sua casa com a abertura oposta do vento da chuva nunca foi comprovada. Taí, mesmo assim, ainda acho que eles são grandes engenheiros.

PS: a foto acima foi feita aqui pertinho de casa, nas Braunes, no já distante ano de 2012 e, se não estou enganado, ilustrou uma de minhas crônicas no A Voz da Serra da época.

O caso dos termômetros

Foto: Rogério Dias

Algumas coisas são difíceis de explicar, ou melhor, de entender mesmo. Os termômetros de Nova Friburgo, são um bom exemplo, um caso misterioso, digno de um estudo das equipes do CSI ou do FBI. Tá bom, estou exagerando, o pessoal da Abin mesmo também pode chegar a alguma conclusão, se eles estiverem com tempo, verba e disposição para investigar esse fenômeno.

Pois muito bem, vamos aos fatos. Nossa cidade dispõe de uma estação meteorológica automática do INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, apropriadamente instalada no distrito de Salinas, nas instalações do IBELGA, o renomado Instituto Bélgica Nova Friburgo. A leitura dos dados da estação é disponibilizada na internet, atualizada hora a hora, durante as 24 horas do dia. E só ir lá e consultar.

Já na cidade, instalaram alguns relógios digitais, desses que dão a hora, a data, a temperatura e tem um baita anúncio na parte de cima, mas quebram um galhão quando você precisa saber que horas são e o celular prende no bolso traseiro da calça. Enfim, eles tem em comum com a estação automática o funcionamento 24 horas mas de onde vem a medição da temperatura eu não faço a menor ideia.

Na última sexta-feira, dia 7 de junho, o relógio termômetro da centro da cidade, o mais visível, foi fotografado (aí em cima) pelo radialista Rogério Dias, da Friburgo AM, às 5:30 da manhã, marcando “agradáveis” 4º, um frio danado que todos sentiam, é claro. Por volta das sete horas, outra foto foi publicada, desta vez indicando 3º. Pois é, não dá para negar, o inverno chegou e arrebentando corações, mentes e agasalhos de friburguenses, turistas e pior, cariocas que resolveram morar na serra, como esse cronista que vos fala.

Acordei por volta das sete e trinta morrendo de frio. Enrolado em uma manta de lã, levantei e fui preparar um café bem quente para me despertar e, porque não, aquecer minhas geladas entranhas. Fui até a janela e fiquei surpreso, na minha cabeça, havia nevado a noite inteira do lado de fora! Liguei o computador e acessei o site do INMET: a mínima registrada na estação de Salinas, às 6 horas, foi 6.5º.

E agora, quem está com a razão? Na varanda do meu quarto, no segundo andar, tem um pequeno termômetro de mercúrio, bonitinho, estilo alemão que, infelizmente não serviu para nada, já que o sol saiu, inflacionando a temperatura. Aí vocês dirão, com toda a razão aliás, que isso é frescura, preciosismo que não leva a nada, já que 3, 4 ou 6 graus é frio pra caramba. Sem dúvida, é frescura e muito frio! Mas e o psicológico, onde fica? Frio também tem sensação térmica e, com certeza, quanto mais baixa a medição, mais perto do zero grau a sensação.

Meus caros, em 1999, quando vim morar aqui no Sans Souci, a temperatura chegava no zero, a água parava de jorrar nas torneiras e havia quem jurasse que de madrugada formou geada. Quantas vezes acordamos, vimos o tamanho do prejuízo térmico, pegamos o carro e voltamos para o Rio, de pijama, touca e xale no pescoço em busca do calor perdido.

Os tempos mudaram, Friburgo ainda é fria mas não congela mais ninguém e hoje em dia não temos mais onde nos abrigar no litoral, nossa casa é aqui na serra, até sempre. Aprender a viver no inverno é de lei e vamos levando o frio com aquecedores, lareira, moletons, edredons, meias de lã e qualquer coisa que esquente, incluindo aí uma boa sopa, um chá e até mesmo, em caso de desespero, a boa e velha cachaça.

Se suíços e alemães aguentaram, não seremos nós, cariocas, que vamos dar vexame numa hora dessas. ¡Que venga el invierno!

Uma cabra do Tirol

Foto: Carlos Emerson Jr.

O dia 13 de junho de 2009 caiu em um sábado. Eu já estava morando parte da semana em Nova Friburgo e, de comum acordo com a Sra. Emerson, fomos comemorar o nosso 38º aniversário de namoro e 33º de casamento no Bräun & Bräun, em Mury. Para nossa surpresa e alegria, o pessoal da casa nos alojou perto desta simpática cabra tirolesa, curtindo sua cerveja com canudinho (afinal, cabra não tem mãos), nem se importando com o frio de 15º do inverno de nossa cidade. Uma boa recordação!

Íris

Foto: Carlos Emerson Junior

Seria essa flor uma Íris legítima? Segundo o Google sim mas, como ele adora pregar uma peça nos incautos, relaciona logo a seguir diversas espécies parecidas com nomes distintos, como “Íris-da Sibéria” (bem apropriada com o frio que tem feito à noite aqui na serra), “Íris-Amarelo”, “Iris Tectorum”, “Íris Versicolor” (linda, puxando para os tons de vinho, branco e amarelo), “Iris Reticulata”, “Íris Pálida” (bem óbvio, azul clarinho, bem desbotado), “Íris Sanguínea” (azul forte, vibrante, mas não perguntem por que esse nome numa uma flor azul.), “Íris Aquática”, “Íris Variegata”, “Íris Negra” (roxa, bem escura, quase negra mesmo. Uma maravilha), “Íris Láctea” e a curiosa e completamente diferente das outras “Íris Confusa”, pequena, quase uma florzinha de mato.

A lista é longa, possivelmente trabalho para todo um dia. Gosto muito de flores e morar numa cidade produtora de flores (a segunda do Brasil), onde em qualquer terreno baldio ou mata virgem você dá cara com todas elas, nas quatro estações do ano, é um presente para fotógrafos, amantes da natureza e amigos das flores, esse milagre da natureza que, entre todas as suas utilidades nos remete ao nosso melhor sentimento, o amor.

Bicho-pau

Foto: Carlos Emerson Junior

Segundo o Wikipédia, o simpático galhinho da foto acima é um insetos da ordem Phasmatodea, também denominada Phasmida, Phasmatoptera ou Phasmodea, que mimetizam pedaços de madeira ou gravetos. É popularmente conhecido como “Bicho-Pau”! Existem 13 famílias, 523 gêneros e 2.822 espécies de bichos-pau, sendo 591 encontradas na América do Sul. O único lugar do planeta onde eles não moram é na Antártida.

Fiquei cismado: com tanta floresta aqui em volta de casa, o que pensou esse cidadão quando veio se “abrigar” na parede imaculadamente branca da varanda da sala aqui de casa? Sorte dele que não sou nenhum predador e a cachorra Filó está muito velhinha para ficar pulando em Bicho-Pau. Olhou, me olhou e voltou a dormir. Esse ganhou um tempinho de paz.

O descaso

Foto: Carlos Emerson Junior

Rua Professora Leonina Ferreira, Braunes, uma das duas vias de acesso para o Sans Souci. As fotos foram feitas hoje, domingo, dia 26 de maio, por volta do meio-dia. A via não tem calçadas, o mato cresce livremente, a iluminação é precária e de brinde levamos vazamento de esgoto, fios elétricos espalhados pelo chão e bueiro pronto para engolir ou derrubar um incauto. Pois é! Para a prefeitura, que só se lembrou do nosso bairro para fazer as mudanças no trânsito no final do ano passado, na base do grito, mentiras e intimidações, os meus pêsames e a certeza de que não terão o nosso voto nas eleições do ano que vem.

Foto: Carlos Emerson Junior
Foto: Carlos Emerson Junior
Foto: Carlos Emerson Junior
Foto: Carlos Emerson Junior