Os vagalumes ainda estão aqui

Foto: Carlos Emerson Jr.

No último dia 15 de novembro completaram-se dois anos de nossa mudança definitiva da cidade do Rio para Nova Friburgo. A adaptação foi rápida e parece que já moramos a vida inteira aqui na serra. Descobrimos que nosso apartamento, comprado ainda na planta a quase vinte e quatro anos, é um dos poucos que se manteve original. Também, pudera, só era usado nos feriados e algumas férias mais prolongadas. Hoje, abriga sua família, mas visivelmente precisa de reformas nos banheiros, pintura nos quartos, estofamentos novos na sala.

Ah, sim, qualquer hora dessas vou testar a lareira, desativada já tem tempo, quando descobrimos porque fuligem e fumaça nunca são lembrados quando o pessoal elogia o charme desse sistema de aquecimento que vem acompanhando a humanidade desde…. A descoberta do fogo?

Na cozinha a situação pede mais cuidado. A máquina de lavar, que não era nenhuma Brastemp mas segurou a barra esse tempo todo, não resistiu ao uso diário e faleceu. Em seu lugar entrou uma Brastemp legítima, é claro. O microondas, um velho Panasonic cansado de guerras, também cansou e, apesar do lado afetivo (pipocas e filmes na TV com as filhas pequenas), teve seu merecido repouso. A geladeira e o fogão devem ir pelo mesmo caminho, mas por enquanto, seguram a barra com galhardia!

Temos dois bons closets e um porão enorme. E é aí, coitado, atulhado de caixas de todos os tipos, origens e documentos possíveis, que está o nosso maior desafio. Temos que abrir pacote por pacote, estudar documento por documento e imbuir a alma do mesmo sentimento que tivemos quando saímos do Rio, um desapêgo brutal. A essa altura, com mais de vinte anos, não temos a menor idéia do que tem ali dentro e fico com a sensação que de útil mesmo, vamos aproveitar uma ou duas caixas.

A parte elétrica está ok e, como agora tenho um escritório em casa para chamar de meu e de escritório mesmo, atualizei a conexão à rede pelo sistema de fibra ótica, ligado diretamente na operadora do serviço. Melhorou mil por cento e a internet só cai quando falta luz que, por sinal, evoluiu. Bastava chover, ventar ou cair raios que apagava tudo. Agora, só quando tem tempestade de raios.

Foi bom voltar a conviver com quadros, pratos ornamentais (é isso mesmo?) e demais enfeites que espalhamos ao longo desses anos pela nossa casa. Ainda estão bonitos e cada um tem uma história. Um ótimo marceneiro salvou o estrado de nossa cama de casal. Falta só trocar o colchão por um mais moderno para ficar ok. Pois é, estou notando que falei muito e não disse nada sobre Nova Friburgo, não é mesmo? Peço perdão, mas casa da gente é muito bom. E olha que nem contei como está bonito o bosque que separa os chalés, o silêncio das noites, os passarinhos que vem conversar na jardineira do quarto todos os dias, bem cedinho.

Mas o melhor de tudo aconteceu na semana passada, numa dessas faltas de luz generalizadas: no escuro, percebemos que ainda existem vagalumes, muitos vagalumes por aqui. Quase chorei de emoção.

Um crime bárbaro

Redes Sociais

A cena é dantesca, brutal, violenta. O indivíduo vai de bicicleta até a casa da ex-companheira, num condomínio em Mury, aqui em Nova Friburgo, discutir qualquer coisa sobre dinheiro. Não se entendem, ele puxa uma tesoura e a atinge em um braço e nas nádegas. Ela corre para dentro de casa, pedindo socorro para uma amiga que a estava visitando. As duas se escondem dentro de um dos banheiros. O “coisa ruim” não se afoba: tranca a porta por fora e, aproveitando que essa parte da residência tem muito acabamento em madeira, provoca um incêndio. Isto feito, rouba o carro da ex e foge em direção à Lumiar.

Os vizinhos, desesperados, tentam entrar na casa em chamas para soltar as duas mulheres. Mas o fogo lambe a madeira e parte do telhado cai, provocando queimaduras em até 90% do corpo delas. Os bombeiros rapidamente chegam, resgatam as duas ainda com vida e somente após duas horas de luta conseguem apagar as chamas. Com 90% do corpo queimado uma delas é removida para o hospital de queimados de Nilópolis e a outra vai para o hospital da Unimed. Seu estado de saúde é desesperador.

Nervoso e cheio de ódio, o criminoso provoca um acidente na estrada. A polícia, já devidamente ciente e tendo iniciado as buscas, prende e leva o indivíduo para a Delegacia de Friburgo, onde ele confessa o crime bárbaro. A tragédia tem seu desfecho na quarta e na quinta-feira, quando as vítimas não resistem e morrem, para consternação geral da nossa cidade.

E agora?

Pois é, a pena para feminicídio vai de 12 a 30 anos, podendo ser aumentada em 1/3 até a metade se o crime for cometido durante cumprimento de medida protetiva de urgência o que, aparentemente, não era o caso. E aí, como estamos no Brasil e a justiça permite (e incentiva) todo o tipo de recursos, corre o risco do advogado desse “coisa ruim” entrar com todos tipos de recursos, inclusive laudos comprovando que o cliente é louco varrido. Não, isso não podemos permitir.

Lembro que em outros tempos crimes violentes como esses eram punidos com penas de esquartejamento, forca, guilhotina, fuzilamento e cadeira elétrica, entre os mais “populares”. Hoje somos civilizados e vamos acreditar que esse celerado possa ser reabilitado. Aplaudir quando a lei fizer a progressão de sua pena para o regime semi-aberto. Entender que ele tem direito a saídas da prisão no dia dos pais, natal, ano novo e assemelhados. Sorrir felizes e recebê-lo de braços abertos quando a justiça finalmente suspender sua pena e mandá-lo de volta ao seio da sociedade. Ou, bárbaros que somos, comemorar quando os outros presidiários, revoltados, fizerem justiça com as próprias mãos.

Que Deus me perdoe.

Esta crônica é dedicada à Alessandra Vaz e Daniela Mousinho. Que seu sacrifício não tenha sido em vão.

Morar na Serra

Foto: Carlos Emerson Jr.

Foram necessários vinte anos para descobrir que ter uma casa na serra e morar na serra são coisas completamente distintas. Vou explicar: no final dos anos 90, com as filhas na faixa dos 14 e 15 anos, achamos que seria uma boa ideia comprar um apartamento (ou chalé, como se dizia por aqui na época) em um condomínio fechado, num bairro de bom nível, sossegado, seguro e pertinho do centro de Nova Friburgo, com tudo o que tem direito como piscina, sauna, quadras polivalentes, salão de festas, bosque, água de nascente, o que você imaginar (parece anúncio de corretora…). Para melhorar era (e ainda é) cercado de florestas por três lados, um luxo adicional.

Pois bem, na reta final a construtora pifou, a entrega do imóvel atrasou, tivemos que gastar além do previsto mas, como devia estar escrito nas escrituras, tudo terminou bem e começamos a subir regularmente quase todos os finais de semana para curtir o ar gostoso e limpo da serra fluminense. Infelizmente adolescentes são volúveis e crescem. Com o passar do tempo, as meninas descobriram outros interesses e as idas para Friburgo começaram a rarear. No entanto, eu e minha mulher insistimos e sempre que possível e apesar do frio, batíamos o ponto regularmente na serra. No inverno era uma festa, muito frio, lareira, fondue e vinho eram nossos parceiros constantes.

Vinte anos é muito tempo e após uma temporada em Friburgo de uns quatro anos, quando até tive uma coluna no jornal local e fiz um bocado de amigos, a vida nos levou de volta ao berço, ou melhor, ao Rio de Janeiro. As filhas tomaram seu rumo e ficamos, minha mulher e eu, sozinhos numa cidade com dez milhões de habitantes, cara, violenta, desorganizada e poluída. Sem perceber, o bichinho do interior já havia nos mordido. Um belo dia, olhamos um para outro e nos indagamos:

– Porque não estamos morando em Nova Friburgo?

Pois é, sem nenhuma resposta racional que justificasse nossa permanência na ex-cidade maravilhosa, fechamos o barraco carioca e no dia 15 de novembro de 2017 tomamos posse da nossa casa na serra, desta vez, se Deus quiser, para sempre.

Depois desse textão todo, posso responder que morar em uma cidade pequena, a meio caminho das Minas Gerais, a mais de duzentos quilômetros da capital, traz a tranquilidade de saber que você pode andar tranquilo nas ruas, conhecer todo mundo, ter a facilidade de pegar o telefone e fazer a compra do mês no seu mercado favorito. Respirar ar puro. Tomar banho de rio cristalino. Ter Lumiar e São Pedro da Serra a apenas alguns quilômetros de casa.

Vou parar por aqui, amigos. Já está entardecendo e daqui a pouco é hora de sentar na varanda e assistir ao sol se pondo atrás da mata que abraça o condomínio. Curtir o calor que, depois de tantos dias gelados, voltou a dar o ar de sua graça. Trocar um dedo de prosa com os vizinhos. Abrir um vinho tinto para comemorar uma conquista muito importante, ainda mais na nossa idade: qualidade de vida. Enfim, morar na serra? Recomendo de olhos fechados!

Redes aéreas

Foto: Carlos Emerson Jr.

Não é por nada não, mas postes atulhados de fios deixam a cidade com um aspecto lamentável… Tudo bem, aterrar isso tudo é uma obra cara, sem dúvida e a concessionária de energia se defende afirmando que 1) a bagunça é feita pela turma da banda larga e 2) a legislação federal permite. Sei lá… Coloquei um céu estrelado na foto acima para atenuar um pouco o desastre visual. Talvez algum dia, quem sabe, pelo menos a Alberto Braune ganhe uma rede subterrânea. Vamos esperar.

Sentados, é claro.

Cerejeiras de Nova Friburgo

Foto: Carlos Emerson Jr.

Nem sequer três dias
este mundo vê passar –
Cerejeira em flor!
(Ôshima Ryôta—1716/1787)

Vocês já repararam como nossa cidade está bonita? Pois é, as cerejeiras floriram floraram e durante duas semanas, devidamente acompanhadas por um sol digno de serra, enfeitam ruas, parques, jardins, campos, sítios e fazendas de Nova Friburgo. Os “culpados” são os japoneses, é claro, que em 1927, quando saíram do Japão para morar nas terras altas do Estado do Rio, trouxeram uma de suas tradições mais bonitas e delicadas, o Hanami, contemplação da beleza das flores, “sakura” ou cerejeira. Pena que sua floração só dure duas semanas.

As fotos foram feitas nas Braunes, bairro onde moro, acolhedor o suficiente para abrigar tantas árvores tão belas. A propósito e como era de se esperar, anualmente acontece a Festa da Cerejeira de Nova Friburgo, na zona rural, num local lindo apropriadamente batizado de Florlandia da Serra. Organizada pela colônia japonesa, a festa é um espetáculo de simpatia, gastronomia, tradições orientais e um túnel de cerejeiras de tirar o fôlego.

ありがとう、日本の隣人
Arigatō, Nihon no rinjin

Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.
Foto: Carlos Emerson Jr.

Tá frio!

Foto: Carlos Emerson Jr.

Quando você pensa que o pior do inverno ficou no dia 31 de julho e daqui para frente o calor volta a aquecer corações, corpos e mentes em Nova Friburgo, a segunda-feira, hoje mesmo, resolve provar que é uma espírito de porco e um ar gelado, úmido, chuvoso toma conta da nossa serra. Resultado, estou digitando essas tremidas linhas, às 18:14, trancado com a Filó dentro do escritório, com um moletom, suéter de lã, xale idem e um aquecedor de ambiente à óleo ligado no máximo nas minhas costas. Ok, confesso, reclamei do veranico a alguns meses atrás. Bem feito, agora o remédio é aguentar a friaca e torcer para que amanhã, pelo menos amanhã, o sol dê as caras. Outro banho na geladeira de hoje eu não mereço! (A propósito, a mínima, segundo a estação do INMET, foi 9,7º)

Tapetes de Corpus Christi 2019

Foto: Carlos Emerson Junior

Ontem, 20 de junho, foi o dia da festa de Corpus Christi, instituída pelo Papa Urbano IV no dia 8 de Setembro de 1264, lembrando a caminhada dos peregrinos em busca da Terra Prometida. Como todos os anos, Nova Friburgo parou e se emocionou com os tapetes de sal, confeccionados ainda na madrugada, debaixo de muito frio. Aliás e a propósito, consegui encontrar no A Voz da Serra um breve histórico desta tradição em nossa cidade:

“A confecção de tapetes remete a 1ª década do século passado. Há registros de que em 1902, 1903 já eram feitos os tapetes no Colégio Anchieta. Aliás, de lá saía a procissão de Corpus Christi pela cidade após a Missa Campal, conduzida pelo bispo. O tapete do Colégio Anchieta deu notoriedade a esse ato. Dizem que o tapete de Corpus Christi do Anchieta era um dos maiores do mundo. O último que se teve media aproximadamente 2.800m². De terra é provavelmente o maior. Em termos de tamanho só perdia para um tapete de flores que é feito na Áustria. O tapete foi confeccionado por décadas até os idos de 70, quando o trabalho foi cessado e sendo retomado pelo Profº Antonio Savioli, que foi aluno do Colégio e como aluno ajudava a fazer o tapete. Como diretor, resolveu retomar a tradição que foi interrompida novamente após a saída dele da direção. Mas a história está aí e traz uma série de lindos tapetes com diversas temáticas eucarísticas.” (A Voz da Serra)

Fotos: Carlos Emerson Junior

O tapete que mais me agradou foi feito pelo pessoal do Agenda 21 Nova Friburgo, deixando uma mensagem muito importante para todos nós:

Foto: Carlos Emerson Junior

A casa do João de Barro

Foto: Carlos Emerson Junior

E não é que até aqui na serra todo mundo só quer morar em condomínios? E estou me referindo a todo mundo, inclusive o simpático João de Barro, engenheiro, projetista e construtor incansável, que procura o melhor lugar para abrigar sua família. O seu grande problema é o mesmo de todos nós, a segurança. Uma casa tem que ser forte, para aguentar as intempéries, protegida contra predadores (no nosso caso a bandidagem mesmo), espaçosa o suficiente para acolher todo mundo.

Vizinhos? Sempre é bom, claro, mas é preciso saber conviver numa coletividade com educação, civilidade e respeito. Não sei esses conceitos cabem num “Fornarius Rufus” (o nome científico do nosso construtor) mas como nunca vi brigas em cima de postes de luz, acredito que as aves são de paz. Aliás, aquela história que a gente ouve desde criança que o João de Barro faz sua casa com a abertura oposta do vento da chuva nunca foi comprovada. Taí, mesmo assim, ainda acho que eles são grandes engenheiros.

PS: a foto acima foi feita aqui pertinho de casa, nas Braunes, no já distante ano de 2012 e, se não estou enganado, ilustrou uma de minhas crônicas no A Voz da Serra da época.

O caso dos termômetros

Foto: Rogério Dias

Algumas coisas são difíceis de explicar, ou melhor, de entender mesmo. Os termômetros de Nova Friburgo, são um bom exemplo, um caso misterioso, digno de um estudo das equipes do CSI ou do FBI. Tá bom, estou exagerando, o pessoal da Abin mesmo também pode chegar a alguma conclusão, se eles estiverem com tempo, verba e disposição para investigar esse fenômeno.

Pois muito bem, vamos aos fatos. Nossa cidade dispõe de uma estação meteorológica automática do INMET – Instituto Nacional de Meteorologia, apropriadamente instalada no distrito de Salinas, nas instalações do IBELGA, o renomado Instituto Bélgica Nova Friburgo. A leitura dos dados da estação é disponibilizada na internet, atualizada hora a hora, durante as 24 horas do dia. E só ir lá e consultar.

Já na cidade, instalaram alguns relógios digitais, desses que dão a hora, a data, a temperatura e tem um baita anúncio na parte de cima, mas quebram um galhão quando você precisa saber que horas são e o celular prende no bolso traseiro da calça. Enfim, eles tem em comum com a estação automática o funcionamento 24 horas mas de onde vem a medição da temperatura eu não faço a menor ideia.

Na última sexta-feira, dia 7 de junho, o relógio termômetro da centro da cidade, o mais visível, foi fotografado (aí em cima) pelo radialista Rogério Dias, da Friburgo AM, às 5:30 da manhã, marcando “agradáveis” 4º, um frio danado que todos sentiam, é claro. Por volta das sete horas, outra foto foi publicada, desta vez indicando 3º. Pois é, não dá para negar, o inverno chegou e arrebentando corações, mentes e agasalhos de friburguenses, turistas e pior, cariocas que resolveram morar na serra, como esse cronista que vos fala.

Acordei por volta das sete e trinta morrendo de frio. Enrolado em uma manta de lã, levantei e fui preparar um café bem quente para me despertar e, porque não, aquecer minhas geladas entranhas. Fui até a janela e fiquei surpreso, na minha cabeça, havia nevado a noite inteira do lado de fora! Liguei o computador e acessei o site do INMET: a mínima registrada na estação de Salinas, às 6 horas, foi 6.5º.

E agora, quem está com a razão? Na varanda do meu quarto, no segundo andar, tem um pequeno termômetro de mercúrio, bonitinho, estilo alemão que, infelizmente não serviu para nada, já que o sol saiu, inflacionando a temperatura. Aí vocês dirão, com toda a razão aliás, que isso é frescura, preciosismo que não leva a nada, já que 3, 4 ou 6 graus é frio pra caramba. Sem dúvida, é frescura e muito frio! Mas e o psicológico, onde fica? Frio também tem sensação térmica e, com certeza, quanto mais baixa a medição, mais perto do zero grau a sensação.

Meus caros, em 1999, quando vim morar aqui no Sans Souci, a temperatura chegava no zero, a água parava de jorrar nas torneiras e havia quem jurasse que de madrugada formou geada. Quantas vezes acordamos, vimos o tamanho do prejuízo térmico, pegamos o carro e voltamos para o Rio, de pijama, touca e xale no pescoço em busca do calor perdido.

Os tempos mudaram, Friburgo ainda é fria mas não congela mais ninguém e hoje em dia não temos mais onde nos abrigar no litoral, nossa casa é aqui na serra, até sempre. Aprender a viver no inverno é de lei e vamos levando o frio com aquecedores, lareira, moletons, edredons, meias de lã e qualquer coisa que esquente, incluindo aí uma boa sopa, um chá e até mesmo, em caso de desespero, a boa e velha cachaça.

Se suíços e alemães aguentaram, não seremos nós, cariocas, que vamos dar vexame numa hora dessas. ¡Que venga el invierno!