Parabéns prá você, Friburgo

O que escrever no aniversário de uma cidade que a gente gosta muito? Pois é, meu povo, Nova Friburgo está fazendo 199 anos, com algumas rugas, é verdade, mas um corpinho de 100. Anos, é claro! Lá ainda podemos sair com tranquilidade, curtir o frio seco das montanhas no inverno, morar cercado da Mata Atlântica, beber água da nascente, tomar banho de rio gelado e, principalmente, ser acolhido calorosamente pelos felizardos que moram o ano inteiro lá em cima.

Parabéns, Nova Friburgo. Parabéns, Friburguenses!

Fotos: Carlos Emerson Junior

Chuva!

Foto: Carlos Emerson Junior

Bastou subir para Nova Friburgo, para reencontrar amigos, natureza, paz e chuva. É, a chuva de verão que desapareceu do Rio já tem mais de doze dias, está por inteira aqui na Serra Fluminense, sempre à tardinha e baixando a temperatura para incríveis (para um carioca) 18º, um friozinho gostoso, bom para dormir ou até mesmo ir ao centro curtir o Carnaval (animadíssimo este ano). Pois é, o feriadão começou muito bem e a foto, feita da janela aqui de casa, mostra (ou melhor, não mostra, né?) o Pico do Caledônia encoberto pela chuva.

As cerejeiras

“À sombra das cerejeiras em flor,
pessoas de todo estranhas
não há.”
(Kobayashi Issa, 1763-1827)

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Estive em Nova Friburgo no sábado, dia 16. A cidade continua e linda e melhor, suas cerejeiras, trazidas pelos imigrantes da colônia japonesa e beneficiadas pelo clima da serra, estão todas floridas. Uma florada efêmera, curta e intensa. Símbolo do Japão, as cerejeiras era muito apreciadas pelos antigos samurais e passou a representar a efemeridade da existência humana e ao lema dos samurais: viver o presente sem medo. Assim, a flor de cerejeira está também associada ao código do samurai, o Bushido. Como não levei uma câmera decente (celular não vale) e só permaneci um dia, fiz a colagem acima com antigas fotos, da época que estava todos os dias por lá. Aliás, bem em frente de minha casa tem uma dessas belas árvores. A cidade fica mais alegre, luminosa e, por que não, perfumada.

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Fotos: Carlos Emerson Junior

Cachorros

Foto: Carlos Emerson Junior

Braunes, Nova Friburgo, inverno de 2010. Lá ia eu na minha corrida matinal quando dei de cara com um salsichinha preto, amistoso e festeiro, pulando na minha perna. Fiz uma afago em sua cabeça e bati palmas na casa mais à frente. Não deu outra: era o Toquinho que, levado como todo o daschund que se preza, aproveitou a porta aberta e saiu para explorar o mundo.

Retomei o ritmo e continuei o exercício ladeira acima. De repente ouço o grito: – Tio, pega o Thor, pega a Lisa! Voltei e lá vinham três boxers brancos, lindíssimos, a toda velocidade bem na minha direção. Acelerei a corrida e consegui segurar o Thor, uma simpatia só. Enquanto rebocava o bicho para casa, sua dona, de carro, conseguiu recapturar os outros dois, lá em cima, na Curva da Macumba.

Pois é, e eu ainda nem tinha conhecido a “minha” cachorra Filó…

Foto: Carlos Emerson Junior

 

 

A hora das chuvas

 

A crônica abaixo foi publicada no jornal friburguense A Voz da Serra, na edição de 31 de março de 2011. A foto, feita por mim mesmo alguns dias depois da tragédia, mostra uma parede da Capela de Santo Antônio, na Praça do Suspiro, duramente atingida pelos desabamentos. Nova Friburgo voltou ao normal, embora algumas cicatrizes ainda estejam expostas. Mas, cinco anos depois, fico com a incômoda sensação de que não aproveitamos a oportunidade para reconstruir uma cidade completamente nova. Pois é, 12 de janeiro é uma data para nunca se esquecer. (Carlos Emerson Junior)

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Vamos definir chuva ? Bom, segundo o Wikipédia, chuva não passa “de um fenômeno meteorológico que consiste na precipitação de gotas de água no estado líquido sobre a superfície da Terra”.

A chuva está aí desde que o planeta começou a esfriar. Alimenta os rios, irriga as plantações, suporta a vida. Quanto mais chuva, mais exuberante a natureza. Basta dar uma olhada lá pelos lados da Amazônia, que só tem duas estações no ano: chuva e muita chuva!

O homem convive com a chuva a mais ou menos uns 300 mil anos, tempo mais do que suficiente para conhecê-la muito bem. Aliás, essa convivência já deve ter sido gravada em nossos DNAs.

No entanto….

No dia 22 de janeiro de 1967 tive minha primeira experiência com a chuva em seu estado bruto. Estava indo para São Paulo de ônibus quando, por volta das 23:30 horas, uma tromba d’água destruiu tudo que estava em sua frente na subida da Serra das Araras. Uma árvore enorme despencou da encosta ao lado e funcionou como uma barreira, desviando do nosso veículo toda a lama que descia pelo que restou da estrada.

Ao amanhecer, fomos resgatados por militares do exército e até hoje guardo a terrível visão de gente morta para todos os lados, ônibus semienterrados, uma devastação completa.

Quarenta anos se passaram e no dia 5 de janeiro de 2007, subindo a serra para Nova Friburgo, a chuva resolveu me mostrar novamente seu poder, desabando impiedosamente. Na altura de Mury, também por volta das 23 horas, fomos obrigados a parar devido a quedas de várias barreiras, tendo uma delas (em frente a entrada da AABB) atingido um ônibus da 1001 que ia para São Paulo.

Desta vez não esperamos ajuda. Com uma lanterna de mão, formamos um um grupo e, com a ajuda de funcionários da rodovia e da empresa de luz, conseguimos chegar encharcados mas inteiros na Rodoviária Sul, onde um taxista nos deixou em casa.

As onzes mortes, o grande número de desabrigados e a destruição da cidade me deixou com a plena convicção de que, pelo menos em Friburgo, isso não se repetiria nunca mais. Afinal, as chuvas não vão parar, mas os rios seriam dragados, bueiros limpos, pessoas em áreas de risco removidas, um sistema de alarme instalado.

No dia 12 de janeiro de 2011 dormia tranquilamente, no Rio de Janeiro. Tinha uma passagem comprada para Friburgo na hora do almoço e absolutamente nada para fazer pela manhã . Fui despertado por uma ligação de minha mulher, assustada, pedindo para ligar a TV. Mal acordado, custei para entender o que estava acontecendo. As notícias, vagas e genéricas, falavam em 9 mortes e citavam os bombeiros da Cristina Ziede. Fui ao telefone e tentei falar com o condomínio da minha casa. Inútil. Procurei amigos, conhecidos e até lojas, sem sucesso. Todos os telefones estavam mudos.

Aos poucos, pelas redes sociais, foram chegando relatos esparsos e um quadro de horror foi se delineando. As poucas vítimas das primeiras horas chegaram a quase 500 mortos, só em Nova Friburgo.
Uma tragédia nunca antes vista.

Não fizemos o dever de casa, apesar do aviso deixado apenas três anos antes. Continuamos morando irregularmente, sujando e assoreando os rios, tratando a natureza como se fossemos superiores às intempéries.

O clima mudou, isso é fato. Um pequeno aumento da temperatura já é suficiente para alterar regimes de chuvas, formando grandes e contínuas tempestades e também, ao contrário, provocando longos períodos de estiagem, esvaziando os mananciais e destruindo as lavouras, além dos incêndios florestais, um perigo sempre presente.

Nas primeiras horas o friburguense, ainda atordoado, mostrou união, solidariedade, seriedade, disposição e desapego. Graças a isso e, claro, a enorme generosidade de todos os brasileiros, salvamos vidas, bens, animais e evitamos uma destruição ainda maior.

Daqui para a frente será apenas por nossa conta. As chuvas continuarão seu ciclo e, de vez em quando, trovejarão mais forte. Temos a obrigação de nos preparar para sobreviver, respeitando a natureza.

Simples assim.

Uma ponte estreita

 

– Olha que confusão!
– Mas tem uma placa avisando, “Atenção Ponte Estreita”.
– E cavalo lá sabe ler placa?
– Pô, claro que não sabe. Cavalo é um animal irracional, esqueceu?
– Ah! Mas o condutor do veículo com mais de 30 cavalos com certeza sabe ler!
– Será?
– Claro, pra guiar carro tem que saber ler. É a lei, meu.
– Então vai lá e fala isso pros cavalos.
– Mas que cavalos? Os irracionais ou os trinta cavalos de força?
– Tá me gozando, né?
– Nem um pouco. Cavalo irracional não anda pra trás. E os trinta cavalos de força dependem do condutor.
– E porque o condutor não levaria seus cavalos de força para trás?
– Orgulho. Ele tem trinta cavalos e os outros são apenas dois. Ele tem o poder.
– Não senhor. Ele tem a força, mas não o poder. E ademais, quando chove por essas bandas, só de cavalo mesmo. Os irracionais.
– Pois eu bem que gostaria de uns cavalinhos de força.
– Você sabe quanto custa manter esses trinta cavalos? Os irracionais é só soltar no pasto.
– Esquece isso, vamos sentar no quintal lá de casa para esperar a janta?
– Tem cerveja?
– Ô!
– Então vamos. Mas agora quem volta galopando o cavalo branco sou eu!

Ensaio sobre uma foto tirada em São Pedro da Serra, Nova Friburgo, em algum dia de fevereiro de 2009.

Era uma vez um eucalipto

Nova Friburgo tinha uma praça com eucaliptos. Além de muito bonita, era nobre. Afinal, foi projetada e construida pelo botânico francês Auguste Glaziou, a pedido do Barão de Nova Friburgo, nos tempos do Segundo Império. A praça foi tombada em 1972, como “Patrimônio Nacional”. Seus eucaliptos tinham dupla função: sanear o pântano sobre o qual a praça foi construida e criar uma feição paisagística única.

O tempo passou, os eucaliptos fizeram cem anos de idade e, como tudo no Brasil, ninguém ligou. Até que um dia, seus galhos começaram a cair. As autoridades, esquecendo que isso é normal em todas as árvores, conseguiu um laudo de uma faculdade local recomendado a retirada das árvores. Para piorar, um órgão federal veio com um outro parecer pedindo o corte de quase todos os eucaliptos que restaram. Esse, pelo menos mostrou as caras e trouxe a reboque um projeto de reforma custando muitos milhões de reais.

As autoridades nem pestanejaram e enviaram seus batalhões de motosserras. A poda foi rasa, indiscriminada, criminosa e covarde. A população se dividiu, a maioria não ligou ou aplaudiu, afinal, Nova Friburgo já tem tantas matas… No entanto, uma minoria foi para a praça, abraçou as árvores, fez barulho e acabou atraindo a atenção da mídia, do MP e de pessoas que amam a cidade e, principalmente, a vida.

Na sua edição de hoje, o jornal A Voz da Serra traz uma declaração contundente do biólogo Cláudio Valente, da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana, após analisar, in loco, os troncos dos eucaliptos cortados: “para mim, há falta completa de critérios para cortar essas árvores. Ainda não me apareceu nada que tivesse sustância para me dizer que precisam cortar essas árvores, nem o que me mandaram por e-mail, nem o que tem aqui e nem isso aqui”.

Como estou longe, deixo esse texto como meu abraço nos eucaliptos. A Praça perdeu, talvez irremediavelmente, sua beleza. E Nova Friburgo, a cada dia que passa, se transforma numa cidade sem alma, como tantas outras deste país afora.

Que pena.

Fotos: Alessandro Rifan, Osmar Castro, Montagna Filmes e Multimídia, Girlan Girland, Scheila Santiago e grupos “Nova Friburgo, Cidade das Árvores Assassinadas” e “Abraço às Áárvores – SOS Praça Getúlio Vargas

Prá não dizer que não falei de flores

Um dos grupos mais interessantes que frequento no Facebook – a rede social mais popular aqui e agora – é o “Fotografando Nova Friburgo”, cujo objetivo é “procurar novas fotos e retratos de nossa cidade”. Qualquer usuário do Face que curta ou tenha algum um tipo de câmera fotográfica pode participar e o endereço é o https://www.facebook.com/groups/FotografandoNovaFriburgo/.

O mais divertido, no entanto, são as gincanas. Durante uma semana é sugerido um tema para fotografar. Podem ser personalidades, calçadas, montanhas, animais, ruas, insetos, aves e por aí vai. O vencedor, eleito por votação direta de todos os participantes, escolhe o assunto da semana seguinte. Uma ideia simples que vem produzindo boas fotos e ótimas amizades.

Um dos temas que fez mais sucesso foram as flores e não por acaso, afinal Nova Friburgo é pródiga nesse setor. Basta andar pelas ruas da cidade, em qualquer bairro e reparar nos quintais, jardins, praças e até mesmo terrenos baldios. Flores de todos os tipos nos aguardam em cada esquina, sem nenhum exagero, é claro. Aliás, para quem não sabe, o município serrano é o maior produtor do Estado do Rio e o segundo do país, principalmente o cultivo de rosas, cravos, crisântemos e bromélias.

O condomínio onde moro é um bom exemplo mas, já que recomendo uma caminhada pelos jardins do Nova Friburgo Country Club, uma área de 80 mil metros quadrados projetados pelo paisagista francês Auguste François Marie Glaziou, o mesmo que idealizou a Quinta da Boa Vista, no Rio. Ali, entre diversos tipos de flores, árvores, riachos e lagos, talvez esteja um dos mais belos parques do Brasil.

Sou um completo analfabeto quando o assunto são flores mas sei muito bem que como “modelos” para fotos, são imbatíveis! Flores são tão bonitas que nem precisam fazer pose. Nunca reclamam da nossa demora para “acertar” a câmera, não se mexem e algumas até nos presenteiam com um perfume gostoso e elegante. Decididamente, fotografar flores é Zen e se for em Nova Friburgo é o próprio Nirvana!

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Uma dica para os turistas: o outono é, possivelmente, a melhor época para sair por aí com uma máquina fotográfica nos ombros, clicando Nova Friburgo pra cima e pra baixo. O céu muito azul contrastando com a mata verde, a luminosidade e o tempo frio na medida certa são um convite para tirar a câmera fotográfica da gaveta e subir a serra.

O grande pintor francês Matisse, afirmava que “sempre há flores para aqueles que querem vê-las”. No caso de Nova Friburgo, felizmente elas estão por todos os lados e até mesmo quem não tem o menor jeito para cultivá-las, como esse cronista que vos escreve, pode registrar seu curto momento de beleza com uma câmera fotográfica qualquer. Basta tentar e se surpreender com o resultado.

Afinal, como os poetas cantam, flores não foram feitas apenas para reprodução, elas também emocionam.

O casarão da Vila Amélia

Já vi esse filme antes e não gostei: o imóvel é utilizado por um órgão público, não é devidamente conservado e, um belo dia, é devolvido aos antigos donos em estado tão deplorável, que torna proibitiva a sua manutenção. É o que está acontecendo com a casa que abrigou durante não sei quantos anos a delegacia de polícia de Nova Friburgo e acabou sendo interditada pela Defesa Civil, dada a precariedade de suas instalações.

O governo do estado não tinha a obrigação, como qualquer inquilino, de devolver o imóvel em boas condições? E agora, vão esperar a casa cair de podre ou ser consumida em um incêndio qualquer?

Pois é!