Nua

A mulher, nua, saiu à rua.
Estupefato, o guarda preceitua:
– dona, não tumultua,
na rua não pode andar nua!

O poeta vendo a cena, murmura:
– Meu Deus, nua, na rua,
que linda, até mesmo a Lua
diante dela, se insinua.

O caminhante para, olha e continua:
– será uma atriz que atua
completamente nua, na rua?

A mulher, indiferente, não recua.
Continua na rua, nua,
só, na sua.