Ressacas

Acervo O Globo

Pois é… Recebo notícias da ressaca que bateu nas praias do Rio de Janeiro, vejo algumas fotos nos jornais cariocas e fico com pena de não ter descido nenhuma vez para curtir o fenômeno, comum nos meses de inverno. Mas não tem importância, eu vi, acreditem ou não, a grande ressaca de 1963, que invadiu a pista (ainda única) da Avenida Atlântica, tomou conta das ruas transversais e chegou na Avenida Copacabana. Aliás, diz a lenda que a Confeitaria Colombo, na esquina da Rua Barão de Ipanema com a Avenida Copacabana, ficou cheia de água do mar! Não vi, mas não duvido nada.

O extinto jornal carioca “Correio da Manhã”, na época assim registrou:

“Sábado, cêrca de 20 horas, o mar começou a agigantar-se de maneira impressionante. A ação da lua cheia avolumando a maré, coincidindo com os ventos fortes nesta época do ano, provocou o fenômeno. Pela madrugada de domingo, a fúria das ondas se intensificou e as águas invadiam os porões e garagens dos edifícios, destruindo tapêtes, quebrando vidraças e alagando tudo. Do Leme até o Pôsto 3, a ressaca teve maior gravidade e as ondas chegavam a atravessar a Avenida Atlântica indo estourar na porta dos edifícios. Em conseqüência, ocorreram vários acidentes de automóveis, pois muitas ruas transversais à orla da Praia de Copacabana também foram invadidas pelas águas. O ruído do mar chegou a causar pânico naqueles que acreditam na proximidade do fim do mundo.”

Pena que nos anos 60 crianças não tinham máquinas fotográficas mas, com a ajuda do acervo do O Globo, aí vão algumas boas imagens. E é isso, meus caros amigos. Ressacas, marítimas ou etílicas, sempre acontecem e é bom lembrar que prevenir os seus efeitos colaterais é responsabilidade exclusivamente nossa.

fria frente fria

foto: carlos emerson junior

Vento forte,
sudoeste bravo
sacudindo as árvores,
jogando a areia na calçada,
encrespando o mar,
anunciando tempestades
e a chegada de uma frente fria.

No dia seguinte a chuva veio
e o frio também.
Na televisão, um aviso aos navegantes:
possibilidade de ressacas,
ondas com mais de três metros,
no sul e no sudeste.

Saí de casa bem cedo,
junto com a chuva,
para assistir as ondas furiosas,
lavando a areia da praia.

Mas, que pena,desta vez,
a ressaca não apareceu.