Bloco das bikes

De repente, a Marechal Cantuária fica vazia. Como assim, é a única via de entrada na Urca para ônibus, carros e caminhões! Logo, uma cantoria esclarece o mistério: é um bloco de bikes, vindo sabe-se lá de onde, para festejar o carnaval e, por que não, tomar uma cerveja na mureta, perto do Forte São João. Tá bom, o trânsito parou mas, convenhamos, hoje é domingo, o dia está lindo, calor na medida certa e um pouco de alegria nesses dias sombrios que rondam nossa cidade não faz mal algum, pelo contrário.

Um bom domingo e ótima semana, meus queridos.

Fotos: Carlos Emerson Junior

Quem quer dinheiro?

Foto: Carlos Emerson Jr.

A foto acima, feita hoje pela manhã, quase no quadrado da Urca, mostra uma multidão (meio exagerado, né?) acompanhando os quase 20 mergulhadores que procuram um misterioso malote cheio de dinheiro, segundo me contou, sigilosamente, um velho (mais do que eu, claro) morador do simpático bairro carioca.

Estava na parte final da caminhada de 10 quilômetros de hoje e ainda pensei em dar um mergulho para faturar alguns trocados, mas com tanta gente em volta, não foi possível sequer chegar até a escada que dá acesso às águas fétidas da Baia da Guanabara. Vai ficar para a próxima.

A imprensa do Rio não perdeu tempo e já está de olho nos possíveis novos milionários. Aliás, recomendo a leitura dos artigos “Banhistas literalmente nadam em dinheiro em praia do Rio de Janeiro” (Blasting News) e “Pelo terceiro dia consecutivo, moradores acham dinheiro na Urca” (O Dia). Dizem que tem até quem faturou mil reais lavadinhos, lavadinhos, enquanto outros ficaram com quatrocentos e até oitocentos reais.

Pois é, o que teria acontecido? Algum distraido foi pescar e perdeu o dinheiro no mar? Lavagem literal de dinheiro? Queima (queima?) de arquivo? Natal antecipado? Obra do Cabral? Nem desconfio. Só sei que nessa história, o único que não encontrou uma mísera moeda de cinco centavos no chão fui eu. Ô dureza…

Coral da Urca

Pois é, a surpresa valeu. Todo mundo absorto com suas compras na feira do domingo quando de repente, e não mais do que de repente, eles chegaram na Praça Tenente Gil Guilherme, aqui na Urca, cantando e dançando, alegrando uma manhã escura e úmida, transformando a nossa pracinha num verdadeiro palco iluminado. A apresentação, linda e emocionante, terminou com a tradicional Roda de Ciranda, do Quinteto Violado, cantada e dançada por todos que alí estavam. Um presentão!

Coral da Urca

Fotos: Carlos Emerson Junior

Andando na chuva

Faz tempo que não via um verão tão chuvoso como esse, pelo menos aqui no Rio. Em Friburgo não, nessa época predominam as chuvas e temperaturas amenas são comuns. De qualquer maneira, muitos dias chuvosos convidam à reflexão, principalmente quando um deles é um feriado. E aí, ou você vai comer, rezar e amar ou então perambula pelas ruas, procurando imagens interessantes da cidade encharcada.

As fotos foram feitas na Urca, onde estou vivendo o meu primeiro verão como morador.

EscadariaA escada

A mureta

o gatoO gato

Pão de AçúcarO morro

Fotos: Carlos Emerson Junior

A saga de Chopin

 

Outro dia desses publiquei essa foto da estátua de Chopin em uma rede social e descobri que muita gente boa sequer tinha noção da sua existência. Assim, depois uma boa pesquisa no onipresente Google, encontrei um bom resumo no site Urca.net que, inclusive, conta a história dos principais prédios e demais monumentos do bairro. Vale a visita. (Carlos Emerson Jr.)

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“No dia 1°. De setembro de 1939 as tropas nazistas atacavam a pacífica Polônia. O ataque foi tão devastador que três semanas depois os soldados alemães colocavam seu tacão em Varsóvia. Dentre as muitas barbaridades praticadas pelos invasores, uma das primeiras foi a de destruir o monumento ao compositor romântico polonês Frédéric Chopin existente naquela cidade.

Quando a notícia chegou ao Brasil, a comunidade polonesa aqui residente resolveu reagir, organizando uma subscrição para angariar fundos com o objetivo de erguer um monumento a Chopin no Rio de Janeiro. Obtida a verba necessária, encomendaram a estatua ao escultor Augusto Zamoyski. Com 2,5 metros de altura e todo em bronze, o monumento ficou pronto ainda em 1939. Entretanto, a politica dúbia do governo brasileiro, oficialmente neutro, mas relativamente simpático aos alemães, adiou sua instalação por alguns anos.

Com o torpedeamento de navios brasileiros e a posterior declaração de guerra do Brasil aos países do Eixo, desengavetou-se a ideia da estátua. Em 1°. de setembro de 1944, no quinto ano da invasão da Polônia, foi inaugurado o monumento a Chopin na Praça Floriano, defronte ao Teatro Municipal. Lá ficou em paz por exatos quinze anos.

Em fins de 1959, o barítono Paulo Fortes iniciou uma campanha para erguer na Praça Floriano um monumento ao maestro e compositor Carlos Gomes. Conseguida rapidamente a estatua em bronze do maestro brasileiro, começou então uma campanha para dali remover a homenagem a Chopin, por considerarem incompatíveis os dois monumentos. Um outro grupo de intelectuais não via problemas na homenagem aos dois compositores na mesma praça, mas Paulo Fortes não pensava assim e, usando de sua influencia, conseguiu a remoção. Em 15 de Janeiro de 1960, o monumento a Chopin foi retirado à noite por funcionários da Prefeitura, sendo levado para um depósito. No dia 16, pela manhã, estava em seu lugar o maestro brasileiro.

Depois de algum tempo esquecido num depósito, o monumento foi colocado na Praia Vermelha em 1964. Chopin foi retratado em posição de quem medita e escuta. No final das contas, a romântica Praia Vermelha acabou se tornando a moldura perfeita para o mestre do romantismo. A estátua tem 2,5m e está sobre um pedestal de granito com um metro de altura.”

Bicicleta também é música!

Vocês conhecem a CYCLOPHONICA – Orquestra de Câmara de Bicicletas? Pois é, mas eu não e foi com a maior alegria que tive a felicidade de dar de cara (e ouvidos) com essa moçada animada, talentosa e inspirada pedalando na mureta da Urca, aqui do lado de casa, tocando Tom Jobim, Pixinguinha e encerrando com o nosso hino nacional, o “Cidade Maravilhosa”!, cantado em uníssono por cariocas, turistas e atletas que ali se encontravam.

Um belíssimo presente de feriado e fica a dica e o endereço do seu site. Se bicicleta já é tudo de bom, com músicos de qualidade, muita imaginação e animação, fica melhor ainda.

Valeu a manhã!

Fotos e video: Eu mesmo

Passeando

A gente sai com a cachorra para passear. Atravessa a rua, faz uma paradinha para o xixi no canteiro do prédio da frente, entra na rua onde montam a feira aos domingos, passa em frente a casa do labrador velhinho, que nem liga mais para quem perturba seu sono e, de repente, dá de cara com um jardim, atrás das grades (estamos no Rio de Janeiro, uai!) de uma bela casa, com essa delicadeza em sua entrada que me remete ao interior.

Se bem que, de uma certa forma, a Urca é uma espécie de interior, não é mesmo?

U.R.C.A.

Será que somos o que vemos? Ou pior, só conseguimos enxergar o que queremos ver? Queremos ou podemos ver? Não sei. A fotógrafa americana Dorothea Lange uma vez disse que “a câmara é um instrumento que ensina a gente a ver sem câmara.” Acho que sim. O hábito faz o monge e de tanto sair por aí, procurando o que fotografar, em algum momento descobriremos alguma coisa inusitada, bela ou que nos toca simplesmente sem nenhuma explicação.

botes

E abusando ainda mais dos ditados, aí vai outro: “os incomodados que se retirem”. Depois de uma vida quase inteira morando em Copacabana, cercado de gente e barulho de todos os tipos, para todos os lados, chegamos a conclusão que era hora de dar uma reformulada geral na vida e bancar um antigo sonho, morar na Urca.

casaDito e feito. depois de muita procura, negociações e horas na calculadora, tentando fechar as contas, encontramos um apartamento tipo casa, com jardim e pertinho da murada, bem o nosso jeito. Se acertamos ou não, só o tempo dirá. De qualquer maneira, uma coisa eu já garanto: caminhar diariamente do lado do mar faz um bem danado prá cabeça.

As fotos foram feitas aqui na Urca, com a única preocupação de fugir da imagem padrão do cartão postal da Baía da Guanabara. Ainda estamos nos conhecendo, afinal nunca morei num bairro com tantas casas, verde e cercado de água por quase todos os lados. Com uma tranquilidade que simplesmente não tem preço.

varanda